Estreou na última sexta-feira A Cartomante, um filme brasileiro cafona, que acompanha uma tendência quase total de cafonice nas produções nacionais. Avassaladoras, e o também em cartaz, Sexo Amor e Traição, são exemplos de o quanto cafona pode ser uma fita sem bons diálogos e uma história que o valha. Lamentavelmente o filme vai acabar levando diversas pessoas ao cinema pelas razões mais estranhas. Tem galã, atrizes de respeito, atriz avassaladora, pseudo-atriz, trilha sonora moderna (com inserções cafonas de Bach), mentiras, sexo, amor, traição, todos os ingredientes que fazem com que uma produção desse nível tenha uma forte resposta dos investidores. Contando no cartaz de A Cartomante, pode-se chegar a quase 20 logomarcas de empresas, ou seja, quase vinte empresas patrocinadoras. O que também causa estranheza. Como todas essas empresas podem investir em uma coisa tão ruim? Mas o investimento nem sempre é cash. Por exemplo, ao apresentar um projeto cultural em um uma grande empresa, no caso de filme, a primeira pergunta do lado de lá é: Tem o apoio da Globo Filmes? Vale lembrar que em alguns casos, a Globo Filmes não dá um centavo aos produtores, apenas deixa que o anúncio do filme veicule gratuitamente em suas emissoras. E com isso, vira co-produtor, produtor associado, etc. Claro que uma empresa pode achar que está investindo em uma mina de ouro, os nomes envolvidos encorajam. Pode perguntar a qualquer produtor: é só levar o galã ou a musa numa reunião de apresentação de projeto que o dinheiro sai, e como sai. É como se um sorriso fosse responsável por toda uma estrutura que caracteriza uma produção cinematográfica. Em tempo: A Cartomante ainda se baseia em Machado de Assis. Baseia o nome. O conto deve ter ficado contado mesmo na sala da presidência de uma dessas quase 20 empresas patrocinadoras.
A Cartomante estréia apostando em grande elenco e poucas qualidades
A Cartomante estréia apostando em grande elenco e poucas qualidades
Domingo, 01 de Fevereiro de 2004 às 20:49, por: CdB