Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

A campanha de difamação contra a direção do IPEA

Por Paulo Passarinho - Está em curso uma pesada campanha difamatória contra os novos dirigentes do IPEA – o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão atualmente subordinado ao recém-criado Ministério de Assuntos Estratégicos, e presidido pelo economista Márcio Pochmann. (Leia Mais)

Terça, 27 de Novembro de 2007 às 19:49, por: CdB

Está em curso uma pesada campanha difamatória contra os novos dirigentes do IPEA – o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão atualmente subordinado ao recém-criado Ministério de Assuntos Estratégicos, e presidido pelo economista Márcio Pochmann. O pretexto para a orquestrada campanha foram mudanças de natureza administrativa, que começam a ser operadas no órgão, a partir da posse dos novos dirigentes do Instituto, que conta também com a participação de João Sicsú, assim como Pochmann, acadêmico dos mais qualificados, além de professor do Instituto de Economia da UFRJ.

Algo que seria absolutamente corriqueiro – inclusive com amplo amparo e exigência de normas administrativas e legais em vigor – passou a ser apresentado em veículos da grande imprensa como um triste exemplo de perseguição ideológica e cerceamento ao livre exercício analítico e de pesquisa que deveriam caracterizar o trabalho dos pesquisadores dessa instituição.

A campanha teve início no dia 15/11, em matéria assinada por Guilherme de Barros - "IPEA expurga economistas divergentes" -, na Folha de S.Paulo, em seu Caderno Dinheiro, e sabe-se que foi instigada por dois ex-dirigentes do Banco Central e do Ministério da Fazenda, hoje ocupando cargos importantíssimos na direção de um grande banco, aparentemente ainda de capital nacional.

No dia 16, sexta-feira, Guilherme de Barros volta ao assunto, inclusive comentando o último artigo de Fábio Giambiagi, um dos economistas supostamente perseguidos. Nesta edição da Folha, Elvira Lobato faz entrevista com Pochmann – que naturalmente rejeita a versão apresentada pelo jornal no dia anterior:

 “O termo usado no texto da Folha, para mim, é uma ofensa. Tenho mais de duas décadas de atividade acadêmica. Sou polemista, gosto da polêmica. Significaria que, ao ocupar um cargo público, eu estaria estabelecendo a censura, o monopólio. Eu também tenho críticas à política econômica. Tenho me manifestado contra a política de juros. Meu papel no Ipea é garantir pluralidade e dar transparência a diferentes visões. Não estou lá para organizar o consenso, mas para organizar o dissenso”.

Elvira Lobato também ouviu Gervásio Rezende, outro dos economistas supostamente injustiçados, que alega que seus estudos - contestando a existência de trabalho escravo no meio rural - teria desgostado o governo e seria o motivo para o seu afastamento. Elio Gáspari no domingo, na coluna que publica no O Globo e na própria Folha, volta ao assunto - "O comissariado vai mal no IPEA" - e Miriam Leitão (O Globo) e Cristiano Romero (Valor Econômico), nas respectivas edições de 21/11, também atacam Pochmann e Sicsú. O Valor Econômico nesse dia também dedica um editorial ao assunto, acompanhando o que já havia ocorrido com o próprio O Globo e com o jornal O Estado de S.Paulo.

As matérias produzidas também induzem o leitor a acreditar que está em curso uma caça às bruxas no IPEA, que nem no período da ditadura teria ocorrido, a partir de opiniões que teriam sido buscadas junto a outros economistas. Sabe-se, contudo, que ao menos em dois casos – em relação aos economistas João Paulo dos Reis Veloso e Reinaldo Gonçalves – suas opiniões não foram reproduzidas pelos jornalistas que os ouviram, na medida em que não corroboraram com a versão que interessava de ser divulgada.

O fato é que haviam dois funcionários aposentados do IPEA, Gervásio Resende e Regis Bonelli,  que tinham sala e utilizavam recursos públicos para desenvolvimento de atividades no interior da Instituição, sem qualquer vínculo formal com a casa. Consultados os órgãos internos de controle, inclusive a Procuradoria da Advocacia Geral da União, no IPEA, foi notificada à Diretoria do Instituto a situação totalmente indevida.

Por outro lado, por força de um convênio de cooperação técnica em vigor até o dia 7 de dezembro desse ano,

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