Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

A Batalha de Itararé

Por Armando Boito - O final de semana anunciou uma segunda-feira de chuvas e trovoadas na política brasileira. Uma revista de extrema direita falou de dinheiro cubano, o senador Jorge Bornhausen, conhecido fascista, falou em impeachment, e o tucano Arthur Virgílio, virtuoso e radical como um Maximilen de Robespierre, anunciava o fim do acordão que a oposição fez com o governo. (Leia Mais)

Quarta, 02 de Novembro de 2005 às 11:17, por: CdB

O final de semana anunciou uma segunda-feira de chuvas e trovoadas na política brasileira. Uma revista de extrema direita falou de dinheiro cubano, o senador Jorge Bornhausen, conhecido fascista, falou em impeachment, e o tucano Arthur Virgílio, virtuoso e radical como um Maximilen de Robespierre, anunciava o fim do acordão que a oposição fez com o governo. Não falavam em aprofundar as apurações e descobrir as entranhas da corrupção que faz do dinheiro o rei da democracia brasileira. Nada disso, falavam em processo político de impeachment como mera retaliação por terem acertado um tucano mineiro em pleno vôo.

Do lado do Planalto, Lula, o mesmo "Lulinha paz e amor", reuniu seu gabinete de crise e decidiu, segundo anunciou a imprensa, que partiria para a guerra. Muita gente se animou com essa "luta de classes" com data e hora marcada. Afinal, está fazendo falta uma demão de tinta vermelha para tingir o Governo Lula. Mas, felizmente para os espíritos pacíficos, a segunda-feira amanheceu ensolarada.

Jorge Bornhausen e Arthur Virgílio desistiram do impeachment e até de convocar o Antonio Palocci para depor. Aliás, na CPI dos bingos, o impoluto e radical Arthur Virgílio já tinha firmado posição de que nem Palocci e nem seus parentes próximos poderiam ser incomodados com questões relativas à tal de Justiça - tratava-se, na ocasião, de convocar o irmão do Czar da economia, Ademar Palocci, que, lembrando seu homônimo famoso, era suspeito de corrupção ativa. Nada de convocações, nada de guerra. Prevaleceu a tese da maioria do PSDB (Aécio, Serra e outros) e do PFL (ACM e outros) segundo a qual se a burguesia parlamentar radicalizar ela corta os preciosos laços que detém com a massa da grande burguesia, toda ela mais do que nunca satisfeita com Lula. Ou será que alguém se esqueceu que num momento agudo da crise todas as associações nacionais do grande capital foram a Brasília hipotecar apoio público e ostensivo ao Presidente operário? Ou será que ninguém leu as inúmeras entrevistas e artigos de dirigentes do grande capital, como o artigo publicado pela Folha de S. Paulo de 04 de setembro assinado pelo presidente da Fiesp agitando a palavra-de-ordem "Chega de crise!"? Os deputados de direita querem ganhar eleição, mas entendem, mesmo a contragosto, que precisam manter firme o terreno onde pisam.

E o Governo Lula e seu Ministério da Crise? A guerra que esses iam travar também se desfez:

1) concluíram que faltariam trabalhadores para serem mobilizados, pois Lula manteve o arrocho do salário mínimo, não tem política de reajuste para os funcionários públicos e tampouco política salarial de reposição automática das perdas salariais;

2) consideraram que se convocassem os camponeses, por mais que o MST demonstrasse alguma boa vontade, os milhões de acampados para os quais o governo não ofereceu nenhuma solução e as dezenas de assassinatos de camponeses por todo o país eram uma chaga aberta;

3) avaliaram que poderiam faltar intelectuais para fazer a luta de idéias. Os professores das universidades federais estão sangrando, o Governo Lula os aperta ainda mais e, ao mesmo tempo, a dupla Lula e Fernando Hadad distribui dinheiro à larga às universidades privadas através do PROER, perdão, do PROUNI e do BNDES;

4) viram que se se dirigissem aos ambientalistas, lhe perguntariam sobre a lei de biossegurança e sobre a destruição da Amazônia, agora com projeto de regulamentação lulista;

5) as feministas quereriam saber porque o Governo Lula determinou a sustação da tramitação do projeto de aborto;

6) os democratas e os familiares de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar interpelariam o Governo sobre a iniciativa tomada pelo Governo Lula de proibir o acesso aos documentos que testemunham os crimes cometidos pelas Forças Armadas contra os guerrilheiros do Araguaia;

7) os antiimperialistas iriam perguntar sobre o envio de tropas ao Haiti e sobre o voto sapecado nesta segunda-f

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