Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

A barreira israelense é desumana e inútil

Quarta, 25 de Fevereiro de 2004 às 16:53, por: CdB

O Tribunal da ONU começou a julgar a barreira israelense que  está sendo construida na Cisjordânia. O Governo de Israel optou por não enviar representantes legais à Haia, o que significa que o resultado da conferência pouco vai importar a Ariel Sharon,

seguindo os mesmos  passos dos Estados Unidos, seu maior aliado,  de "mandar bananas" para a ONU, quando as resoluções dessa não são de seus interesses. Deixando de lado que a ONU perdeu e muito o seu respeito internacional, o muro tem na comunidade internacional a sua reprovação praticamente unânime.Quase todas as decisões tomadas, até agora, tanto pelos EUA quanto por Israel para combater o terrorismo têm sido questionadas por não atacarem a origem do problema.

Quando George W. Bush tomou posse e paralisou as negociações de paz entre  israelenses e palestinos, sendo que a intifada de 2000 já tinha começado (iniciada em 18 de setembro quando Ariel Sharon foi até o muro das lamentações, numa nítida provocação aos palestinos), o problema se tornou agudo e sem um solução acertada. Se tornando até mesmo a justificativa de Osama Bin Laden para os ataques de 11 de setembro do ano seguinte.

Um muro, cercando quase toda a Cisjordânia, com a tentativa de impedir ataques de palestinos a Israel é, além de tudo,  inútil e desumano. Inútil porque só aumentará a revolta, o desemprego e ainda há a questão de que milhares de palestinos moram fora da Cisjordânia e a influência de grupos como Hamas ou Jihad Islâmica ultrapassa essas fronteiras. Idéias não podem ser contidas por vias de concreto. Logo se conceberá um outro jeito dos ataques continuarem, e com mais intensidade. Desumano porque, entre outras coisas, os palestinos têm direito aos hospitais israelenses e a maioria só consegue emprego "do outro lado" da fronteira, o que isolaria os palestinos de acesso à saúde e ao trabalho digno.

O que é claro é que Israel tenta, à revelia de todo o resto do mundo (apenas com apoio norte-americano) fazer uma delimitação real do que é "estado palestino" e Estado de Israel. Parece que a "guerra ao terrorismo" virou motivo e justificação para todo o tipo de arbitrariedade, até mesmo para a criação unilateral de um país.

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