Estou de volta à nossa Babel para dialogar com a enxurrada de reações ao artigo "A babel é aqui", não com o objetivo de ter a última palavra, e sim em consideração aos leitores. A enxurrada começou com uma série de intervenções favoráveis, contra apenas uma antagônica. Depois, claramente em resposta, surgiram muitos comentários desfavoráveis, alguns hostis. É quando a leitora Sonia Bulhões exclama: "Nossa! Parece que a direitosa em peso descobriu a Carta Maior..." Numa terceira etapa, nova leva de comentários favoráveis.
É como se a internet tivesse se tornado palco de um duelo entre "Direita" e "Esquerda", para ficar nessa classificação sabidamente rudimentar. Isso significa que, ao contrário da tese do artigo, está havendo diálogo? Não me parece. Está menos para diálogo e mais para um Flá-Flu, como diz o leitor que preferiu se chamar apenas de If. Na minha opinião, ele matou a charada ao dizer que "os torcedores neste Flá-Flu sentem vergonha de refletir e concordar , mesmo que com partes de um texto, se o conjunto do texto dispara algum alarme de oposição ao seu credo político..."
Ou seja, operam por preconceito. Associam o autor a um credo, e se esse credo os desagrada, desclassificam seu raciocínio, independente do mérito. E qual seria esse credo? No meu caso só pode ser o credo PT. Várias das intervenções mais agressivas são motivadas pelo desencanto com o PT. É a advertência de Mozart Guariglia: "Há que analisar a perda de credibilidade de quem defende com unhas e dentes o que aí está..."
Destaco, como exemplar, a intervenção de José Adailton Ribeiro, que diz:
- O PT não é mais um partido de referência, é apenas uma marca famosa fabricando um produto de má qualidade. Com rótulos bem elaborados e chamativos contendo informações duvidosas sobre seu conteúdo.
Ou as de Silvio Néri e Marcos Witczak, para quem o próprio PT "dizia umas coisas e praticou outras". Ou ainda o Bruno, que para quem "a esquerda está pagando pelos erros do PT. É como se vocês da esquerda tivessem perdido toda a credibilidade, não adianta querer expor suas ideais agora como faziam antes".
Concordo com essas afirmações (no seu valor de face e não no seu substrato ideológico). E mais, tenho a convicção de que foi muito profundo o estrago dos últimos desmandos do PT na cultura política brasileira, em especial a hipocrisia de levantar como bandeira principal, e quase única, a ética na política, e o equívoco ainda maior de enterrar em poucos meses todas as posições conquistadas no difícil tabuleiro da hegemonia ideológica, adotando as mesmas práticas que criticava. Também sou muito cético quanto à capacidade do PT de se "refundar".
Ocorre que desmandos do PT não justificam desmandos da imprensa, objeto do meu artigo. Não justificam que a denúncia assuma características de linchamento. Num momento perigoso de linchamento, de caça às bruxas, prefiro me reidentificar com o PT, por assim dizer, do que ser associado, mesmo remotamente, aos linchadores. Se democratizar a informação é parte de uma democratização geral de modos e atitudes, como diz o meu ex-aluno Jurandyr Passos, vamos começar repudiando o linchamento midiático, sem dúvida um fenômeno antidemocrático.
A mídia está fazendo justiça com as próprias mãos, acusando, condenando e executando, tudo num ato só, sem considerar a presunção da inocência e sem individualizar e hierarquizar as culpas. É como na Inquisição, em que bastava um indício para levar o acusado à fogueira. O que se passou na mídia brasileira nos últimos 18 meses é muito mais grave do que uma tentativa de golpe, pois o golpe se esgota no seu próprio resultado. O que se passou e continua se passando é uma tentativa de esmagamento moral do petismo.
Para dar um exemplo no terreno das palavras: a repetida associação do termo "petista" a situações negativas, como em manchetes do tipo "petista envolvido em" ou "petista suspeito de" etc, instituiu um novo significado a e