Essa semana vou fugir do meu perfil contemporizador. Talvez seja a idade chegando que nos permite ser mais autênticos e diretos.
Certa vez, quando estava trabalhando no interior do Sul do país, fiz amizade com um senhor, por acaso meu xará, que era dono do hotel que estava hospedado e que, em alguns finais de semana vinha ali descansar. Ele era fotógrafo, e já tinha conhecido quase o mundo, tudo registrado em fotos do Egito, Nova Zelândia, Índia, feitas há mais de quarenta anos. Imagina as preciosidades que ouvi e vi em fotografias, tudo regado a bons vinhos.
Em uma oportunidade, um casal da Cidade, nos convidou para irmos jantar em um restaurante que ficava em Caxias do Sul e que pertencia a uma vinícola. Aceitamos o convite e fomos. Lá chegando, veio a dona nos recepcionar e nos levou para a adega e nos perguntou por qual vinho gostaríamos de iniciar uma degustação. A mulher, do casal que nos acompanhava, era sommelier e, por, óbvio, fez a indicação. O vinho era horroroso.
Sentamos à mesa e fizemos o pedido de entradas e pratos principais e pedimos uma garrafa de vinho. O Flavio seguiu minhas orientações e fizemos pedidos iguais. Para resumir, não sei se por azar, tudo que pedimos e ressaltamos como queríamos a preparação, veio diferente.
O Flavio, calmamente, começou então a relatar todos os problemas ao maitre e arrematou ao final que, inclusive, o vinho era de péssima qualidade, pois não se lembrava de alguma oportunidade que tenha ido a um restaurante 04 pessoas e não tivessem conseguido sequer terminar uma garrafa de vinho.
Realmente era verdade a primeira e única garrafa não estava vazia. A princípio fiquei constrangido pelo casal que havia nos convidado, que não paravam de pedir desculpas. Mas depois, pensando com meus botões, percebi que isso era uma regalia da idade.
Toda essa história para introduzir o que se segue.
Essa semana fui com minha esposa e um casal a um jantar que era comemorativo de 02 anos de um importante restaurante aqui de Salvador, o qual, inclusive, já teci excelentes comentários em coluna anterior.
O menu era composto de seis pratos com trufas negras e brancas sob a responsabilidade de um chef italiano e mais umas entradinhas.
Em suma, excetuando a sobremesa, o jantar foi sofrível.
Por falta de linhas, na próxima semana trarei a composição do menu prato a prato, fazendo comentários sob os pontos negativos e positivos.
Peço desculpas, ainda, pela longa história inicial, que fez com que essa semana não tivéssemos receita.
Até semana que vem