Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

América Latina e o agressor silencioso: Monsanto

Por Gustavo Carrasquel - A América Latina tem um agressor que, até agora, tem atuado silencioso e impune. Uma poderosa e sigilosa empresa que usa armas destrutivas disfarçadas de benfeitoras. Satisfaz mais as necessidades materiais de políticos e empresários do que os que deveriam realmente ser beneficiados.

Segunda, 08 de Agosto de 2011 às 08:18, por: CdB
agentelaranja.jpg
A América Latina tem um agressor que, até agora, tem atuado silencioso e impune. Uma poderosa e sigilosa empresa que usa armas destrutivas disfarçadas de benfeitoras. Satisfaz mais as necessidades materiais de políticos e empresários do que os que deveriam realmente ser beneficiados. Seus produtos, ainda que muitas vezes não autorizados, experimentam as terras e os corpos dos latino-americanos. Doenças, deformações e mortes prematuras são o resultado deles. Ela é conhecida por Monsanto, e continua sendo uma das empresas que mais controvérsia tem criado a nível mundial devido aos devastadores resultados sobre a saúde humana, animais, plantas e meio ambiente em geral. Ela foi fundada em Saint Louis, Missouri, nos EUA, em 1901, por John Francis Queeny, químico veterano da indústria farmacêutica. Nos seus primeiros anos, a Monsanto distribuiu sacarina. Também forneceu adoçantes à Coca-Cola, tornando-se um dos seus principais provedores. Espero que a maioria de meus leitores saiba dos danos causados por essa bebida. Na década de 40, fabricava plásticos, incluindo poliestireno e outras fibras sintéticas. Graças a isso, a sacola plástica e outros plásticos em geral são causadores de não sabemos quantas mortes entre tartarugas e cetáceos,   sem falar do incremento de CO2 em todo o planeta. Estão relacionados com a Searle, que fabricava aspartame, conhecido como Nutrasweet, mas em 2002 a Monsanto vendeu esse negócio, depois das múltiplas denúncias de sua incidência em milhões de casos de câncer. Também tiveram um empreendimento ligado à somatropina bovina (também cancerígena), que foi logo vendido em 2008. Na década de 60, a Monsanto foi contratada pelo governo norte-americano para produzir um herbicida chamado de Agente Laranja, utilizado na Guerra do Vietnam com a finalidade de destruir a selva vietnamita e as colheitas, privando os vietnamitas de alimentos e de vegetação onde se poderiam esconder. O Agente Laranja foi um potente produto químico que causou 400 mil mortos entre a população vietnamita e perto de 500 mil nascimentos de crianças com malformações, além de baixas entre o próprio exército norte-americano. Com a pressa em produzir rapidamente o herbicida com custos mínimos, ao produto final foram acrescentadas grandes quantidades de tetraclorodibezodioxina, um subproduto altamente cancerígeno que, entre outras coisas, provoca malformação nos fetos. Isso, juntamente com a capacidade do Agente Laranja em permanecer ativo no solo, tem provocado graves danos às selvas daquele país, assim como geração de crianças com malformações e problemas com câncer. Agora observamos com estupor como atualmente na selva amazônica brasileira, empresários ligados à criação de gado estão usando o Agente Laranja para desflorestar espaços e aumentar sua expansão (veja aqui a notícia). Um de seus produtos mais conhecidos, não somente por seu alto volume de vendas, mas também pelas nocivas consequências que traz consigo é o herbicida Roundup, um glifosato tóxico para a saúde. Mesmo assim ele tem sido comercializado como produto de estratégias de negócios e acordos intergovernamentais que outorgaram licença para o seu consumo, razão pela qual a Monsanto está sob investigação pelo Departamento de Justiça dos EUA desde 2009 por publicidade enganosa. Anexo, segue um documentário para reflexão. A Monsanto, com o beneplácito de muitos governantes sul-americanos, tem introduzido diferentes tipos de transgênicos em nossos mercados, apesar de boa parte deles estar proibida na Europa e nos próprios EUA. Que tal? Uma Monsanto que de santo não tem nada! Gustavo Carrasquel é ambientalista, diretor da Fundação Azul. Publicado originariamente em Alainet.org Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti
Tags:
Edições digital e impressa