Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

A acirrada disputa entre a CIA, o FBI e os militares. A vaidade causa prejuízos para os EUA

Quarta, 07 de Julho de 2004 às 00:37, por: CdB

Foi anunciado que a CIA sabia sobre o Iraque já haver extinguido o seu programa para construção de armas de destruição em massa muito antes da invasão. O Governo Bush garante que essa informação não foi passada ou se foi, não dizia exatamente isso.
Pode ser verdade? Pode ser verdade que a CIA tenha ocultado isso de Bush? Sim, pode ser verdade. Não que o presidente tenha sido "enganado", mas pode ser que informações confusas tenham sido transmitidas.

Para a grande maioria das pessoas que assistem aos filmes de Hollywood, a CIA e o FBI são exemplos de competência, infalibilidade e de bom trabalho em grupo. Mas a realidade é bem diferente.
Os dois órgãos vivem em uma acirrada competição. Segredos captados por um, em várias vezes, não são divididos com o outro.
Para piorar a situação, há ocasiões em que os dois lutam contra o ocupante da Casa Branca, por mais estranho que isso possa parecer. E ainda há os militares que entram na disputa também.

No caso da CIA há um pensameneto dominante.Não importa quem esteja na Casa Branca, ele será incapaz de fazer com que o resto do governo mostre resultados, então voltará as atenções para a CIA. Forçará a agência a executar tarefas de alto risco, muitas vezes controversas. Mais tarde, quando as coisas ficarem pretas, quem está na Casa Branca tira o corpo fora e a CIA vira o grande bode expiatório.
Esse pensamento até se justifica pelo que aconteceu recentemente, quando George Tenet, diretor da CIA, há vários anos, pediu demissão por "motivos pessoais".
A pressão da opinião pública para que alguém se responsabilizasse pela falta de prevenção aos ataques de 11 de setembro e pela invasão do Iraque com a pseudo certeza de que havia as tais armas de destruição em massa, caiu em cima de Tenet. A Casa Branca precisava retirar alguém num momento em que todos pediam a cabeça de Condolezza Rice, pelas declarações dos armamentos que Saddam "com certeza" possuía.

Pela mesma vaidade, os militares não aceitam receber ordens dos civis do FBI e da CIA. Por várias vezes, em operações secretas no Afeganistão ou Paquistão, bem antes dos atentados, os militares dificultaram bastante os planos da CIA quando eles não seguiam os moldes militares tradicionais.
Há relatos de que no FBI não há interação plena nem entre os registros dos agentes. A desorganização também faz parte. Várias escutas telefônicas já ficaram abandonadas por falta da tradução árabe, persa ou afegã.
Um pouco antes dos atentados, quando o FBI se comunicava com Washington para transmitir alguma informação importante, nenhum documento era escrito. O único jeito de saber o que o FBI sabia era por telefone ou oralmente.

O FBI tem má vontade com a CIA. A CIA tem má vontade com o FBI. Os militares têm má vontade com a CIA e com o FBI. Os três desconfiam de que em qualquer momento será deles a culpa por algum fracasso da Casa Branca.
No ataque de 2000 a um destróier americano que deixou 17 mortos, a Casa Branca garantia que tinha sido obra da Al Qaeda, a CIA e o FBI (que não dispunham de tais informações) não concordavam e então não apoiaram uma ofensiva no Afeganistão contra as instatações de Osama Bin Laden.
Se a Al Qaeda tivesse sofrido, no ano de 2000, um grande ataque às suas bases, é muito provável que os atentados de 11 de setembro talvez tivessem sido evitados ou, no mínimo, postergados.
Meses depois, ambas concordaram com a Casa Branca sobre os autores do ataque ao destroier.

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