Às vésperas das eleições no Peru, filha de Fujimori é alvo de protesto
A pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, a candidata Keiko Fujimori, de 35 anos, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), foi alvo de um protesto contra sua candidatura, nesta sexta-feira.
A pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, a candidata Keiko Fujimori, de 35 anos, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), foi alvo de um protesto contra sua candidatura, nesta sexta-feira. Representantes de organizações não governamentais que defendem direitos humanos reagiram à candidatura de Keiko por acreditar que ela apoia as ideias do pai.
A manifestação ocupou as principais ruas de Lima, a capital peruana. Os manifestantes protestaram segurando cartazes com imagens e frases lembrando as denúncias de violações contra Fujimori. Keiko é acusada de ter se esquivado de responder às suspeitas referentes ao pai. Houve protestos também nas cidades de Trujillo, Chiclayo, Iquitos e Ayacucho, entre outras, com o lema Fujimori Nunca Mais.
No próximo dia 5, Keiko, da coalizão conservadora Força 2011, enfrenta o candidato de esquerda da Aliança Nacionalista Ganha Peru, Ollanta Humala. As pesquisas de opinião da Datum Internacional e Ipsos-Apoyo, divulgadas no último dia 12, mostram que Keiko lidera por três pontos percentuais.
Na última pesquisa, divulgada no dia 7, conduzida pelo Instituto de Opinião Pública da Universidade Católica do Peru, os dois candidatos estavam tecnicamente empatados: Humala com 40,7% e Keiko com 40,5 %.
Com 35 anos, Keiko ganha espaço entre os conservadores e simpatizantes das propostas do pai, Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão no Peru por crimes contra a humanidade. Keiko nega que pretenda anistiar o pai.
Humala, militar da reserva, buscou o diálogo e a aproximação com todos os setores da sociedade civil do Peru. Na campanha, demonstrou ter trânsito com segmentos rurais e urbanos. O destaque durante a campanha foi o discurso nacionalista, com a defesa veemente da soberania nacional e a condenação de ingerências estrangeiras no país.
Apoio inesperado
O prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa destacou a "evolução muito positiva" da candidatura do nacionalista Ollanta Humala, que tem se aproximado das esquerdas democráticas da América Latina, em entrevista à imprensa local.
Ao jornal La República, o escritor de tendência conservadora elogiou que Humala, da coalizão Ganha Peru, tenha se "comprometido em um juramento público e em uma modificação de seu programa de governo, que é muito semelhante às esquerdas democráticas" do continente.
– Se o senhor Humala não cumprir seu compromisso, os peruanos democráticos sairão às ruas para defender o que votaram. Penso que isso não vai acontecer, acredito que há uma evolução muito positiva em sua candidatura – afirmou Vargas Llosa.
Ele ainda negou que este apoio esteja baseado em um possível "ressentimento" em relação ao pai da candidata Keiko, Alberto Fujimori, para quem perdeu as eleições de 1990.
– Essas são manifestações de gente que tem uma mentalidade muito pequena e que acredita que as outras pessoas só funcionam movidas à inveja, simulações, ressentimentos e não a princípios. Eu não tenho nenhum ressentimento com o senhor Fujimori. Comecei a criticá-lo quando ele deu o golpe de Estado (em abril de 1992). Inveja e ressentimento? Porque os teria? Que inveja posso ter de um senhor que está preso por assassinato? – declarou.
Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, cumpre pena por corrupção e violação aos direitos humanos. Logo após o resultado do primeiro turno das eleições, Vargas Llosa já tinha declarado que não apoiaria Keiko, da aliança Força 2011.
– O que eu digo é que não votarei de forma alguma na senhora Fujimori. (Ela) representa a ressurreição de uma das ditaduras mais cruéis e corruptas da história do Peru – concluiu.
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