Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

A cara do Rio

Por Maria Lúcia Dahl - Livro de Ricardo Amaral revive a boa época da cidade do Rio Janeiro.

Sexta, 01 de Julho de 2016 às 15:56, por: CdB
Por Maria Lúcia Dahl, do Rio de Janeiro:
DIRETO-CONVIDADO23.jpg
Livro de Ricardo Amaral faz colunista rememorar o Rio Antigo
Há muito tempo  que não mergulhava  tão fundo  num livro que uma amiga me emprestou  e que nunca  mais parei de ler, praticamente, desde que ela me deu, no fim de semana,  em Petrópólis. O livro se chama “ A cara do Rio” e  é  escrito  pelo Ricardo Amaral. Sabia que ia viajar naquele passado  dos anos 60,70,80, com a turma de Ipanema, voltar  a jantar no  Antonio´s,  no Hipopótamus, em Copacabana , na Fiorentina,  por exemplo, encontrar com o Cinema Novo, falar com os diretores, das viagens que faríamos pelo Nordeste, como a minha participação em “Menino de Engenho” de José Lins do Rego, dirigido por Walter Lima Jr, e produzido pelo Glauber , onde fiquei amiga da equipe e fomos viajar por aquelas bandas conhecendo o povo nordestino, seus costumes, a  comida e  a maneira divertida de se comunicar. Para mim, o Nordeste foi uma surpresa  mais do que agradável com seus cenários maravilhosos de mares, rios, florestas  e arquitetura  impecável do tempo da Família Real. E  por falar nela, fiquei ciente, através do livro,  de fatos hilariantes, quando os reis e príncipes transavam com todas as mulheres  brasileiras, desde  as escravas até as nobres  enquanto suas esposas  fumavam  maconha, como Dona Carlota Joaquina, por exemplo, que vivia apertando unzinho , que teriam chegado junto com Pedro  Álvares  Cabral e eram vendidos  como  fumo de índios, assim como levavam o ouro daqui para ser vendido  na Europa, no iniciozinho do País do Futuro  que é o nosso Brasil. Gente, pensar que a  cara do Rio sempre foi essa, cheia de roubos e amantes muito bem escondidos nos armários, com um baseadinho pra aliviar, me fez dar gargalhadas com o livro, que logo , logo, me levaria  aos anos dourados e rebeldes  da minha vida, voltando  às turmas do Antonio´s,  por exemplo, com Tom, Vinícius, Tarso de Castro, Roniquito e  muitos outros que davam gargalhadas entre os milhares de uísques que tomavam, olhando pra cada moça que entrava e dizendo:  “Jaco, Jaco, Jaco...” o que queria dizer:” já comí “ enquanto outros diziam “ já bro, já bro, já bro”, o que queria dizer: “Já brochei!” ditas por uma galera hilária  que falava barbaridades mas cheias de humor! Voltei a dançar cha-cha-cha no Black Horse do Hubert de Castejá, com o Bob Zagury e o Eric Waechter,  voltei também  ao Jirau onde se dançava  mais tranquilamente  e  ao Hipopótamus onde se batia altos papos com os amigos  alem de dançar também, voltei  aos shows do Miele  e Tuca no Beco da Fome . O livro me levou também de volta ao Bar do Country, quando era pequena e adorava ouvir o Bené Nunes tocar  piano entre os uísques do meu pai e “ao fundo Homero Lopes” , falado sempre nas colunas do Ibrahim. E entrando na infância fui também parar no Balneário da Urca mergulhando em suas águas sem ondas. Então o livro e a juventude  acabaram, o  que já era previsto, e tive de abrir mão  daquela felicidade estonteante  que também passava pelo surf do Arpoador , frequentado por Arduino e Marina Colassanti, entre vários outros surfistas  que faziam as meninas suspirarem com seus cabelos e pranchas.​ Passei também pelas passeatas de 68, quando todos nos uníamos contra a ditadura, gritando: “O povo, unido, jamais será vencido!”, até voltar a este momento difícil  que estamos vivendo, a  atual cara do Rio, onde ninguém se une mais em  torno de  nenhum objetivo  e, todo mundo virou selfie , cometendo roubos, estupros  e assassinatos. Então ponho a TV   fora de qualquer  jornal e  continuo viajando pela cara do Rio e  a minha cara ao som de Roberto e Erasmo que vi na TV Viva”, por acaso,  e que  também não deixam de ser a cara do Rio, embora de uma maneira  diferente. Maria Lúcia Dahl , atriz, escritora e roteirista. Participou de mais de 50 filmes entre os quais – Macunaima, Menino de Engenho, Gente Fina é outra Coisa – 29 peças teatrais destacando-se- Se Correr o Bicho pega se ficar o bicho come – Trair e coçar é só começar- O Avarento. Na televisão trabalhou na Rede Globo em cerca de 29 novelas entre as quais – Dancing Days – Anos Dourados – Gabriela e recentemente em – Aquele Beijo. Como cronista escreveu durante 26 anos no Jornal do Brasil e algum tempo no Estado de São Paulo. Escreveu 5 livros sendo 2 de crônicas – O Quebra Cabeça e a Bailarina Agradece-, um romance, Alem da arrebentação, a biografia de Antonio Bivar e a sua autobiografia,- Quem não ouve o seu papai um dia balança e cai. Como redatora escreveu para o Chico Anisio Show.Como roteirista fez recentemente o filme – Vendo ou Alugo – vencedor de mais de 20 premios em festivais no Brasil. Direto da Redação, editado pelo jornalista Rui Martins.
Tags:
Edições digital e impressa