Damasco anunciou o seu direito de responder a quaisquer violações do cessar-fogo por parte dos agrupamentos armados
Por Redação, com Sputnik Brasil - de Beirute:
As autoridades sírias concordaram com as condições dos EUA e Rússia de cessar as ações militares em determinados territórios, ao mesmo tempo que prosseguem os esforços militares para combater os agrupamentos terroristas Estado Islâmico e Frente al-Nusra, notificou a agência síria SANA citando um comunicado do governo.
– A República Árabe Síria declara o seu consentimento em parar as ações militares, continuando a luta contra o EI e Frente al-Nusra e outras organizações terroristas no âmbito da declaração russo-americana – diz-se no comunicado do Ministério do Exterior sírio.
As autoridades sírias concordaram com as condições dos EUA e Rússia de cessar as ações militares em determinados territórios
Além disso, o governo sírio afirmou que está disposto a coordenar as ações com as autoridades russas para definir os territórios em que as ações militares serão paradas, bem como definir os grupos que vão participar da trégua.
Damasco anunciou o seu direito de responder a quaisquer violações do cessar-fogo por parte dos agrupamentos armados.
Na segunda-feira foi publicada a declaração conjunta dos EUA a Rússia sobre a Síria, segundo a qual o cessar-fogo entre as tropas do governo sírio e os grupos armados da oposição deve começar em 27 de fevereiro, não sendo no entanto este aplicado ao EI, Frente al-Nusra e outras organizações que a ONU considera como terroristas.
Putin e Obama
De acordo com os documentos publicados por Kremlin e pelo Departamento de Estado, todos os lados do conflito que concordarem com as condições da proposta deverão declarar até meio-dia (horário local) de 26 de fevereiro a sua prontidão em cumprir o cessar-fogo. Junto a isso, o exército sírio e seus aliados, incluindo a aviação russa e a coalizão liderada pelos EUA, continuarão combatendo o Daesh (Estado Islâmico) e outros grupos terroristas em território sírio.
Os lados acordaram que a Rússia e os EUA irão trabalhar em conjunto, bem como com os demais membros do grupo de cessar-fogo, para definir os territórios sírios controlados atualmente pelo Daesh, pela Frente al-Nusra e por outras organização terroristas não incluídas no cessar-fogo. Ao mesmo tempo, deverão ser definidas regiões onde se encontram as forças de oposição país, para que as mesmas não sejam atingidas por ações militares que combatem os referidos grupos terroristas.
A declaração define que, para controlar o cumprimento do cessar-fogo, os EUA e a Rússia criarão uma “linha direta”, bem como "caso necessário, um grupo de trabalho para a troca dessas informações”.
De acordo com o Departamento de Estado, o mecanismo exato para o controle do cumprimento do cessar-fogo será desenvolvido no decorrer dos próximos dias.
Decisão e interesses mútuos
O acordo foi discutido no mais alto nível entre os governos dos dois países, em conversa telefônica realizada pelos presidentes Vladimir Putin e Barack Obama.
Ao fim da conferência, Putin declarou à televisão aberta russa que “as ações conjuntas acordadas com o lado norte-americano podem alterar radicalmente a situação de crise na Síria. Finalmente, surgiu uma chance real de por fim à violência e ao derramamento de sangue”.
A Casa Branca, por sua vez, declarou que, caso seja cumprido, o cessar-fogo permitirá o acesso de ajuda humanitária à Síria e representará mais um passo em direção à transição política naquele país. Além disso, destacou-se que, durante a conversa com o líder russo, Obama frisou que a atual prioridade consiste em obter uma resposta positiva por parte do regime sírio e da oposição armada para a proposta, bem como “o cumprimento honesto (da trégua) por todos os lados para aliviar o sofrimento do povo sírio, a realização de um processo político sob a égide da ONU e a concentração dos esforços na luta contra o Daesh”.
O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, informou que as decisões dos EUA e da Rússia sobre Síria foram igualmente acordadas em negociações bilaterais com os líderes da Arábia Saudita e do Qatar. Por sua vez, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, destacou que, em apenas um dia, o Secretário de Estado John Kerry realizou conversas telefônicas com ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha e Arábia Saudita.
Adesão das partes
Kerry comentou o acordo tão logo o mesmo foi alcançado. Nas suas palavras, o cumprimento “das relativas promessas irá depender das próximas ações”, já que todos os lados precisam “garantir o cumprimento da resolução 2254 da ONU e o fim das hostilidades, incluindo os ataques aéreos”.
Toner confirmou as declarações de Kerry chamando a atenção para o fato de que para ser alcançado, o cessar-fogo precisará ser respeitado por todos os lados do conflito sírio. Ele deixou claro que Washington espera que a Turquia também respeite a trégua e interrompa seus ataques aéreos aos curdos em território sírio.
Por sua vez, o vice-primeiro-ministro turco, Numan Kurtulmush, saudou o plano de cessar-fogo na Síria, mas deixou claro que o seu país precisa manter o direito de defender suas fronteiras de quaisquer ameaças.
Quanto à própria Síria, a reação dos lados do conflito ainda não parece ter chegado a um consenso. A principal formação da oposição do país disse concordar com a proposta, desde que a mesma respeite certas condições “humanitárias” no país. O Supremo Comitê para Negociações da Síria declarou que, em troca do cessar-fogo, espera obter o levantamento de cercos, a libertação de presos, o fim dos ataques contra alvos civis e a entrega de ajuda humanitária.
Logo após o anúncio do acordo sobre cessar-fogo, o presidente sírio Bashar Assad emitiu um decreto sobre a realização de eleições parlamentares no país no dia 13 de abril deste ano. Se tudo correr conforme o planejado, estas serão as segundas eleições parlamentares da Síria deste o início do conflito.
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