Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 2026

650 quenianas processam Exército britânico por estupro

Quinta, 10 de Julho de 2003 às 14:02, por: CdB

 Centenas de mulheres do Quênia que dizem ter sido estupradas por soldados britânicos ao longo de 30 anos devem iniciar procedimentos legais contra o Exército da Grã-Bretanha em Londres.

O advogado britânico Martyn Day disse que o Exército da Grã-Bretanha não fez nada para impedir que seus soldados estuprassem mulheres locais durante exercícios militares no norte do Quênia.

- Planejamos iniciar procedimentos em setembro ou outubro. Estamos processando o Exército britânico por falhar sistematicamente em adotar medidas para impedir que isso acontecesse - disse o advogado em entrevista à imprensa em Nairóbi.

Cerca de 650 mulheres que vivem na remota região de vegetação rasteira no norte do Quênia, onde o Exército britânico realiza manobras militares há décadas, dizem ter sido atacadas por soldados quando estavam cuidando de rebanhos, buscavam água ou coletavam lenha.

Segundo Day, cartas e atas de reuniões entre líderes de vilarejos e oficiais britânicos mostram que em 12 ocasiões o Exército foi informado das alegações de estupro. O ministério britânico da Defesa não quis comentar as alegações, mas disse que a Policia Militar Real está investigando o caso.

No ano passado, Day conseguiu que a Grã-Bretanha pagasse 7 milhões de dólares em indenizações para 233 pastores do Quênia que foram mutilados ou perderam parentes em acidentes com munição deixada na região pelo Exército britânico.

O advogado disse que não está apenas buscando indenização para as mulheres, mas, nos casos possíveis, punição para soldados envolvidos nos supostos estupros. Day disse que oficiais que sabiam dos ataques devem ser "severamente enquadrados".

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