Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

60% das sondas do pré-sal estão sendo construídas, diz empresário

Luiz Eduardo Guimarães Carneiro disse à CPI que 17 das 28 sondas de perfuração para o pré-sal contratadas pela Petrobras estão sendo construídas.

Quinta, 07 de Maio de 2015 às 08:36, por: CdB
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A CPI da Petrobras ouve nesta quinta-feira o presidente da Sete Brasil
A reunião da CPI da Petrobras convocada para ouvir o presidente da empresa Sete Brasil, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, começou na manhã desta quinta-feira.A empresa foi criada para construir sondas de perfuração para exploração do petróleo do pré-sal. Carneiro disse que 17 das 28 sondas de perfuração para o pré-sal contratadas pela Petrobras estão sendo construídas (60%). - A Sete é uma coisa real, ela está acontecendo e gerando milhares de emprego - disse, ressaltando que está no cargo há apenas um ano. Ele admitiu, porém, que a Operação Lava Jato impediu o financiamento da empresa, que está sem pagar os estaleiros contratados desde novembro do ano passado. O deputado André Moura (PSC-SE), um dos sub-relatores da CPI da Petrobras, questionou a informação do presidente da Sete Brasil, Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, de que a empresa privada foi criada para construir 28 sondas pela Petrobras. - Como poderia saber se ela seria vencedora da licitação da Petrobras? Essa licitação foi fraudada? - perguntou. Segundo o presidente da empresa, houve concorrência na licitação e ela não foi fraudada. Segundo o ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, houve pagamento de propina a diretores da Petrobras nos contratos de construção de 28 sondas de perfuração. O executivo será ouvido a pedido da sub-relatoria da CPI que investiga irregularidades na operação da Sete Brasil e na venda de ativos da estatal na África. Segundo depoimentos de Pedro Barusco, a Sete Brasil, uma empresa privada, foi criada por iniciativa da Petrobras em 2011 e sua operação envolvia financiamento do BNDES, assim como recursos dos fundos de pensão Petros, Previ (do Banco do Brasil), Valia (da Vale do Rio Doce), Funcef (da Caixa Econômica Federal), Petrobras e dos bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander. Barusco foi nomeado diretor da empresa, que foi contratada pela Petrobras para construir 28 sondas de perfuração, uma operação com valor total de US$ 22 bilhões. De acordo com o ex-gerente da Petrobras, houve pagamento de propina de 1% sobre os contratos entre a Setebrasil, divididos da seguinte maneira: dois terços para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, e um terço para ele, Barusco, e outros dois diretores da empresa, João Carlos de Medeiros Ferraz (presidente da Setebrasil) e Eduardo Musa (diretor de Participações). Segundo Barusco, a propina destinada a Vaccari tinha origem nos contratos firmados entre a Setebrasil e os estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu, Rio Grande e Kepel Fels. A propina destinada a diretores tinha origem nos contratos firmados entre a Setebrasil e os estaleiros Kepel Fels e Jurong. Crise Com a deflagração da Operação Lava Jato, houve troca da diretoria da Sete Brasil e o financiamento previsto não saiu do papel, o que gerou uma crise econômica na empresa, com a paralisação da construção de sondas e demissão de funcionários. O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, disse em audiência pública da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara que a paralisação dos projetos gerou mais de 30 mil desempregados. - A Sete Brasil deixou de pagar 1,5 bilhões de dólares aos estaleiros que ela contratou para construir sondas de exploração - disse Rocha. Para se ter ideia do impacto desses contratos para a indústria naval brasileira, as sondas que estão sendo construídas pela Sete Brasil correspondem a mais da metade dos 70 mil empregos de toda a indústria naval do País, que somam 324 obras, segundo o presidente do Sinaval. BNDES A principal fonte de financiamento da companhia, o empréstimo de R$ 8,8 bilhões do BNDES, também não saiu, como explicou o presidente do banco, Luciano Coutinho, à CPI da Petrobras. - O BNDES não chegou a contratar a Sete Brasil, o que está na origem das dificuldades financeiras da Sete Brasil. O projeto está hoje em reestruturação para encontrar uma formatação sustentável. Os bancos e os acionistas deram um prazo até junho para a continuidade do projeto - disse Coutinho. Ele explicou, sem dar detalhes, que “em determinado ponto o projeto começou a ter problemas” e mencionou a saída de um dos estaleiros. Mesmo assim, segundo Coutinho, já estão em fase final de produção algumas das sondas construídas a partir do projeto Sete Brasil pelos estaleiros Jurong Aracruz (ES), Estaleiro Atlântico Sul (PE), BrasFels (RJ), Estaleiro Rio Grande (RS) e Estaleiro Enseada Paraguaçu (BA). Algumas sondas estão entre 54% e 97% prontas. O outro convocado para a audiência desta quinta-feira, o diretor de Operações e Participações da Sete Brasil, Renato Sanches Rodrigues, apresentou atestado médico e não compareceu.
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