O objetivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não priorizar a "quantidade" dos assentamentos rurais está se concretizando. Para este ano, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está apontando uma meta de 37 mil famílias assentadas, o que representa menos de 40% do total de sem-terra acampados em todo o país. Segundo especialistas, o número - divulgado na última terça-feira (22) em forma de portaria no "Diário Oficial" da União - é insuficiente para atender as demandas emergenciais dos movimentos sociais. - Se o governo quiser acabar com o MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], basta assentar 150 mil famílias por ano. É simples -, afirmou o geógrafo Bernardo Mançano Fernandes, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Segundo levantamentos recentes da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e do Dataluta, banco de dados mantido pelo departamento de geografia da Unesp, existem hoje no país 95.577 famílias de camponeses vivendo debaixo de barracos de lona e à beira de estradas vicinais. No total são cerca de 864 acampamentos. Desde o início do ano, o MST, ao anunciar a "autonomia" do movimento em relação ao governo petista, tem exigido do Ministério do Desenvolvimento Agrário o assentamento imediato de todos os seus acampados. João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, repetiu na última quinta-feira (24) o discurso: "Prefiro não comentar isso [a meta de 37 mil famílias], pois nós ainda temos da boca do governo a promessa de assentar todas as famílias acampadas ainda neste ano". Para o presidente da Contag, Manoel José dos Santos, a meta de assentamentos para 2003 apresentada pelo governo federal tem de ser "lamentada". - É claro que existe a necessidade de avançar nas desapropriações e assentar muito mais gente. O argumento [do Lula] de priorizar a qualidade, não pode ser usado para não aumentar o número de assentados -, disse o presidente da Contag. A intenção petista de deixar em segundo plano as metas para a reforma agrária vem desde a campanha eleitoral do ano passado. À época, o partido não incluiu um número mínimo de assentados em seu programa de governo. Porém, no ano passado, o próprio PT divulgou um documento no qual constava o objetivo de assentar 500 mil famílias em quatro anos. Em 1994, a promessa era assentar 800 mil famílias. - Com uma canetada só eu vou dar tanta terra que vocês não vão conseguir ocupar -, disse Lula. Em 1998, falava em assentar um milhão, caso fosse eleito, durante seu mandato.
37 mil famílias devem ser assentadas pelo Incra
Sexta, 25 de Abril de 2003 às 14:44, por: CdB