Hoje(8), pela manhã, 350 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores SemTerra (MST) realizaram ato político em defesa da reforma agrária na áreaocupada no sábado (6), no Sítio Boa Vista localizado na região do Salto Grandemunicípio de Americana, São Paulo, região Sudeste do país.
Aresistência dos trabalhadores e trabalhadoras impediu a ação ilegal da políciaque a mando dos responsáveis pela Usina Açucareira Ester tentou retirar asfamílias por meio de uma liminar já vencida de dois anos atrás.
Deacordo com Paulo Albuquerque, membro do MST, a mobilização resultou na açãocontra a usina Ester que está situada em terra pública, "e sendo terra pública,a usina não tem o direito de invadir”.
Pauloressalta que as terras foram invadidas pela Usina para o monocultivoda cana-de-açúcar,são 4 mil hectares de terras públicas do governo municipal, estadual e federal."A terra é do povo, nosso objetivo é reassentar as famílias que querem terrapara plantar e sobreviver”, afirma.
A monocultura da cana pela usina degrada a naturezacom o esgotamento das riquezas minerais do solo e o uso intensivo deagrotóxicos.
Aárea ocupada, pertence ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), onde váriasocupações já foram feitas, mesmo com o acampamento de alguns trabalhadores queestão na área há pelos menos 3 anos, o INSS se nega a assentá-los.
OMST ocupa a usina desde 2002 e, a partir de então, denuncia o uso indevido damesma. Na última ocupação, realizada na mesma área, as famílias sofreramdespejo violento pela Polícia Militar de Americana, e conforme relatam, odespejo foi realizado sem nenhuma liminar.
O acampamento tem se ampliado com vinda de novasfamílias. Conforme Paulo, elas permanecerão na área até que os órgãosresponsáveis atendam todas às suas reivindicações.
As famílias continuam acampadas até que se tenhauma decisão da justiça, enquanto isso solicita à solidariedade das pessoas daregião com cobertores, alimentos, gás de cozinha e produtos de higiene pessoal.