Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

300 mulheres vão às ruas para protestar contra a morte de Sonia Vera

Sexta, 15 de Julho de 2011 às 13:04, por: CdB

Cercade 300 mulheres saíram ontem (14) às ruas do Paraguai para protestar contra oassassinato de Sônia Vera, que era casada há 22 anos com Adolfo Trotte,dirigente do Olímpia, time paraguaio. Ela foi encontrada morta, com dois tirosna cabeça, no porta-malas de um ônibus abandonado que estava estacionado noprédio da Vila Olímpia, sede da concentração da equipe.

Amanifestação intitulada "Todas somos Sonia Vera” foi articulada através dasredes sociais, por um grupo feminista conhecido como "Las chicas de laO" que agrega atualmente cerca de 500 e que tem por finalidade repudiartodo tipo de maltrato contra a mulher.

Integrantesda Secretaria da Função Pública do Paraguai também se manifestaram contra ofeminicídio afirmando que "não se está falando de qualquer tipo de violência,mas aquela que se procede a cerca das mulheres que vem de uma culturapatriarcal e machista, cuja causa fundamental é que as mulheres continuem sendoconsideradas propriedade dos homens, e em conseqüência, subordinadas a este,reproduzindo-se assim um ciclo de dominação, exclusão e discriminação, que sãopartes do exercício da violência”.

Segundoa Organização das Nações Unidas (ONU), em 2010 foi registrado no país um totalde 2.030 denúncias de violência contra a mulher. Desse total, 410 foramdenúncias de violência física, 861 psicológica, 642 por questões econômicas e177 por violência sexual. Isto equivale a cinco agressões por dia. Baseadonesses números, a ONU afirma que "a violência contra a mulher tem tomado afigura de pandemia”.

ASecretaria de Mulheres do Estado admite que, mesmo existindo consciênciapolítica sobre o tema, o feminicídio não é um problema reconhecido e muitomenos visibilizado socialmente no Paraguai, onde persiste a ausência de registrooficial público sistematizado e atualizado com dados de feminícidio em nívelnacional.

Sobre o assassino

AdolfoTrotte é acusado de assassinar, a tiros, Sônia Vera, sua esposa há 22 anos. Elafoi encontrada morta, com dois tiros na cabeça, no porta-malas de um ônibusabandonado no prédio da Vila Olímpia, sede da concentração da equipe de futebolOlímpia, time o qual Trotte é dirigente.

Apósa repercussão do caso, Trotte fugiu para a cidade de Formosa, capital daprovíncia de Formosa, Argentina. Dias depois se apresentou diante de um JuizFederal argentino pedindo que fosse extraditado e julgado. O mesmo encontra-sepreso na cadeia de São Lourenço no bairro de Tacumbú e espera o posicionamentoda justiça paraguaia para ser extraditado para cidade de Clorinda, extremoleste da província de Formosa, onde deverá ser julgado pelo crime que cometeu.

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