Duzentos e oitenta e dois pássaros foram apreendidos nos 26 primeiros dias de 2004 pela Polícia Militar do Meio Ambiente (PMMA), nesta cidade do Vale do Rio Doce, contra 66 no mesmo período de 2003. A maioria deles, canários-da-terra, curiós, sofrês, e pica-paus, cujas multas somaram R$ 141 mil.
Durante todo o ano de 2003, foram apreendidos 1,2 mil pássaros, 618 gaiolas e 240 armadilhas. O comandante do pelotão da PMMA, tenente Isac Lemos da Silva, atribui o crescimento ao aumento no número de fiscalizações.
A cidade, segundo o militar, é rota dos traficantes de aves. Valadares ficar em um entroncamento rodoferroviário, formado principalmente pelas BRs 381, 259 e 116, a Rio-Bahia, que liga o Sudeste ao Nordeste, de onde parte a maioria das aves apreendidas no município.
- Valadares funciona como um ponto de comercialização entre os traficantes, que vendem as espécies em feiras livres do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte - disse o militar.
Conforme o tenente, as aves contrabandeadas são transportadas em gaiolas e caixas de papelão, mas também já foram encontradas em tubos de PVC. Outra estratégia dos traficantes é tentar enganar os compradores. Uma maritaca, por exemplo, tem as penas pintadas para ser 'transformada' em papagaio, ave de maior valor, de acordo com o policial.
- O tráfico é o nosso principal problema. Temos investido pesado para coibí-lo, mas precisamos contar com a população, que deve denunciar. Nesse sentido, temos conseguido muitos avanços - disse o tenente da PMMA.
A polícia também está de olho nos traficantes que estariam aliciando pessoas simples das comunidades rurais para a captura dos pássaros. Os canários-da-terra, segundo o comandante, são os mais apreendidos.
- Eles são um pouco domesticados e existem em abundância na região. Os traficantes que utilizam redes conseguem capturar até 15 por vez. Aí esperam juntar uns 50 para depois vendê-los. O problema é que, muitas vezes, pela precariedade do transporte, em porta-malas de caminhões, vans, ônibus e carros de passeio, nem 10% chegam ao seu destino - disse.
Apanhar pássaros direta mente da natureza pode acarretar multa de até R$ 500 por ave em situação irregular, e o infrator pode ser condenado a até um ano de prisão. Se a ave estiver em extinção, soma-se aos R$ 500, mais R$ 5 mil em multas. Os criadores devem regularizar sua situação através da Internet, pelo site do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o www.ibama.gov.br/sispass.
O Ibama elaborou um manual para utilização do Sistema de Cadastro de Criadores de Passeriformes (Sispass), que também pode ser adquirido pelos criadores em qualquer unidade do instituto, por R$ 2,00. A comercialização de aves passa, agora, a ser feita através do Sispass, instituído com o objetivo básico de colocar fim à terceirização do setor e unificar em um banco de dados todas as informações e atividades dos cerca de 80 mil criadores de passarinhos do Brasil.
282 pássaros são apreendidos em 26 dias em Minas Gerais
Domingo, 01 de Fevereiro de 2004 às 23:49, por: CdB