Delegado pode pedir prisão preventiva deles. Vinte e um policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram apontados como os autores de agressão e tortura contra um casal na Favela Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, na madrugada do dia 24.
Pelo menos 50 homens da corporação, que estavam em serviço naquele dia no complexo, foram submetidos a uma sessão de reconhecimento que durou mais de seis horas, quarta-feira à noite, na 21ª DP (Bonsucesso). Encarregado do inquérito, o delegado titular Reginaldo Guilherme poderá pedir prisão preventiva dos acusados.
- Não esqueço o rosto de quem passou a madrugada inteira me espancando e torturando minha mulher - disse o copeiro Raimundo dos Santos, que fez a maior parte dos reconhecimentos ao lado da mulher, Francisca Sousa Ferreira.
Todas as etapas do reconhecimento, que começou às 16h e se estendeu até as 22h30, foram acompanhadas pelo delegado titular, a delegada adjunta Sania Cardoso e o comandante do Bope, tenente-coronel Fernando Príncipe Martins.
De acordo com o depoimento dos policiais, naquela madrugada, por volta das 3h, um intenso tiroteio entre traficantes e homens do Bope deixou os PMs Márcio Ramos Farias e Wagner da Costa Aires feridos.
Enquanto socorriam os dois, os policiais teriam ouvido pelo rádio da patrulha: "o irmãozinho foi baleado, estamos levando para o Paulino Werneck". Eram traficantes que, com rádios portáteis, entraram na freqüência de comunicação do carro da PM.
Uma equipe seguiu para o hospital e localizou Rony Teodoro Baptista recebendo atendimento na emergência. Na saída, teriam encontrado um dos acompanhantes da vítima, Raimundo, que foi conduzido até a delegacia.
Raimundo, no entanto, contou à polícia que voltava de uma pizzaria quando moradores pediram que ele ajudasse um taxista a socorrer um homem ferido. Ele e o motorista acompanharam o baleado até o hospital, na Ilha do Governador.
Segundo o copeiro, os policiais iniciaram uma sessão de espancamento contra ele nos fundos do hospital. "Disseram que só iam parar de me bater se eu mostrasse onde estava o paiol de fuzis", contou. Disse ainda que as agressões prosseguiram até sua casa, onde sua mulher também foi torturada com choques elétricos.
21 policiais são reconhecidos como agressores
Quinta, 10 de Julho de 2003 às 22:50, por: CdB