Rio de Janeiro, 10 de Agosto de 2026

21 policiais são reconhecidos como agressores

Quinta, 10 de Julho de 2003 às 22:50, por: CdB

Delegado pode pedir prisão preventiva deles. Vinte e um policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram apontados como os autores de agressão e tortura contra um casal na Favela Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, na madrugada do dia 24.
 
Pelo menos 50 homens da corporação, que estavam em serviço naquele dia no complexo, foram submetidos a uma sessão de reconhecimento que durou mais de seis horas, quarta-feira à noite, na 21ª DP (Bonsucesso). Encarregado do inquérito, o delegado titular Reginaldo Guilherme poderá pedir prisão preventiva dos acusados.
 
- Não esqueço o rosto de quem passou a madrugada inteira me espancando e torturando minha mulher - disse o copeiro Raimundo dos Santos, que fez a maior parte dos reconhecimentos ao lado da mulher, Francisca Sousa Ferreira.
 
Todas as etapas do reconhecimento, que começou às 16h e se estendeu até as 22h30, foram acompanhadas pelo delegado titular, a delegada adjunta Sania Cardoso e o comandante do Bope, tenente-coronel Fernando Príncipe Martins.
 
De acordo com o depoimento dos policiais, naquela madrugada, por volta das 3h, um intenso tiroteio entre traficantes e homens do Bope deixou os PMs Márcio Ramos Farias e Wagner da Costa Aires feridos.
 
Enquanto socorriam os dois, os policiais teriam ouvido pelo rádio da patrulha: "o irmãozinho foi baleado, estamos levando para o Paulino Werneck". Eram traficantes que, com rádios portáteis, entraram na freqüência de comunicação do carro da PM.
 
Uma equipe seguiu para o hospital e localizou Rony Teodoro Baptista recebendo atendimento na emergência. Na saída, teriam encontrado um dos acompanhantes da vítima, Raimundo, que foi conduzido até a delegacia.
 
Raimundo, no entanto, contou à polícia que voltava de uma pizzaria quando moradores pediram que ele ajudasse um taxista a socorrer um homem ferido. Ele e o motorista acompanharam o baleado até o hospital, na Ilha do Governador.
 
Segundo o copeiro, os policiais iniciaram uma sessão de espancamento contra ele nos fundos do hospital. "Disseram que só iam parar de me bater se eu mostrasse onde estava o paiol de fuzis", contou. Disse ainda que as agressões prosseguiram até sua casa, onde sua mulher também foi torturada com choques elétricos.

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