O ano foi marcado pelo aprofundamento da crise de liderança – de hegemonia, para muitos – dos Estados Unidos em face ao mundo. A capacidade da grande nação em definir cursos de ação e impor seus projetos foi corroída ao máximo, chegando ao ponto mais baixo da história. E isso não se deu apenas no plano político.
A crescente mudança de perfil dos Estados Unidos no conjunto da economia mundial ( seu peso era de cerca 50% do PIB mundial em 1947, passando para cerca de 24 % em 2007 ), somada a crise das hipotecas e seu impacto sobre o sistema de crédito norte-americano, além da manutenção do elevadíssimo déficit duplo do país. Tal modelo acabou por corroer o papel do dólar no conjunto da economia mundial.
Neste contexto, a Administração Bush perdeu substância e força, acentuada pela vitória do Partido democrata em ambas as casas do parlamento norte-americano. Além disso, a retirada de vários altos funcionários – alguns, como Alberto Gonzáles e Karl Rove por força de ações da Justiça americana - transformou Bush num homem isolado e solitário na Casa Branca.
O modelo de gestão econômica de Bush – que chegou a seduzir as elites perdulárias e anti-nacionais “urbi et orbi” também entrou em colapso. A idéia simples – e amalucada – que se poderia cortar impostos, em especial impostos sobre as grandes fortunas, e aumentar continuamente os gastos militares ( batendo todos os recordes de orçamentos militares ) mostrou-se exatamente como uma idéia simples e... errada!
Contudo, mesmo que a economia esteja apresentando sinais evidentes de cansaço e modelo liberal-fundamentalista de economia praticado por Bush tenha se desmantelado, é no Iraque que o vazio de decisões torna-se mais evidente. As expectativas em torno de uma “virada” na Guerra do Iraque, em especial depois do Relatório Baker, no primeiro semestre de 2007, e do Plano de Ação do General Petraeus, no segundo semestre de 2007, não resultaram em qualquer melhoria das condições de segurança e de reconstrução no país. Bem ao contrário. Hoje os Estados Unidos computam 3.919 baixas “oficiais” no país ( das quais 132 foram suicídios! ).
A Guerra no Iraque:
No seu conjunto o ano de 2007 foi o mais duro ano depois do início da guerra em 2003, alcançando a cifra de 897 soldados norte-americanos mortos ( em 2003 foram 486; em 2004, 849; em 2005, 846; em 2006, 822 ). As repetidas alegações de Bush que a situação no Iraque melhora a cada dia são, assim, desmentidas pela simples apresentação das estatísticas de baixas americanas no país.
O reconhecimento, implícito, silencioso, do fracasso da política militar americana para o Iraque consolidou-se na exoneração de Donald Rumsfeld ( afastado em novembro de 2006 ) e na sua substituição por um “kissingeriano” de última fila, Robert Gates. A imensa expectativa em “revolucionar” a arte da guerra, impondo a superioridade americana global através do uso maciço de alta tecnologia e da poupança de “manpower”, mostrou-se irreal numa guerra de tipo assimétrico, baseada na baixa organização e grande mobilidade do inimigo – e travada no meio urbano, como uma guerra das cidades.
Os dados do Pentágono, põem por terra o mito de uma guerra iraquiana como sendo uma guerra “hispânica”, da mesma forma que a Guerra do Vietnã teria sido uma “guerra negra”. Na verdade, os brancos pobres e desempregados dos Estados Unidos formam a massa principal de combatentes – e daí os quase 75% de baixas ditas “brancas” –hoje no Iraque. A centralidade das tropas combatentes em pessoal de pequenas e médias cidades do interior norte-americano, onde a desindustrialização avança sobre os setores tradicionais da economia, explica, claramente, a atual incapacidade dos estados Unidos em constituir um amplo exército de voluntários para suas necessidades.
O massacre d