Domingo, 18 de Setembro de 2011 às 00:56, por: CdB
A Alemanha goza de grande prestígio dentro da ONU e não apenas por ser um dos maiores contribuintes financeiros e pagar suas cotas em dia. A Alemanha também desempenhou papel relevante na prorrogação do Tratado de Não Proliferação Nuclear, na proibição de testes atômicos e na criação do Tribunal Penal Internacional. E, hoje, um grande número de soldados alemães participa das missões internacionais de paz e de segurança da ONU.
Embora a Organização das Nações Unidas tenha sido fundada em 1945, a Alemanha só foi admitida como membro a partir de 18 de setembro de 1973. As razões do atraso são históricas.
"País inimigo"
Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, a Alemanha – em seu todo – era vista como um "país inimigo" pela ONU, cuja fundação em 1945 fora uma reação às devastações da guerra. Posteriormente, a divisão da Alemanha e o início da Guerra Fria impediram a admissão dos dois Estados alemães. Era preciso encontrar uma fórmula de consenso para que também os alemães pudessem participar das Nações Unidas.
Isto só aconteceu em 1972, com a assinatura do chamado Tratado de Bases entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental, de regime comunista, uma das principais consequências da chamada Ostpolitik do então chanceler federal Willy Brandt. Com ele, a Alemanha Ocidental abriu mão da aspiração de ser a única representante internacional de todo o povo alemão.
Sinal verde
Com a nova situação, tanto os aliados ocidentais – os EUA, o Reino Unido e a França – como a União Soviética aceitaram também a admissão dos dois Estados alemães como novos membros da Organização das Nações Unidas. O caminho estava aberto.
Quase 28 anos depois da fundação da ONU, a 18 de setembro de 1973, a República Federal da Alemanha (ocidental) e a República Democrática da Alemanha (comunista) foram admitidas então na organização mundial. As duas delegações foram conduzidas ao plenário e ocuparam duas fileiras, entre as delegações da Gâmbia e de Gana, separadas por um corredor de 1,80 metros de largura.
Órgãos especializados
O ingresso na ONU não foi, no entanto, o primeiro contato da Alemanha Ocidental com as entidades internacionais. Já a partir da década de 50, o país participava ativamente dos órgãos especializados da ONU, por exemplo, da Unesco e da FAO. Tinha um status especial de país ativo, embora sem filiação. A Alemanha Oriental teve um pouco mais de dificuldade na sua aproximação com as Nações Unidas.
Dentro da ONU, os dois Estados alemães mantiveram tratamento distanciado, mas sempre cortês entre si. As suas divergências políticas jamais foram levadas abertamente ao plenário das Nações Unidas. Até 1990, os dois Estados alemães fizeram parte da ONU. Com a reunificação do país, a República Democrática da Alemanha deixou de existir e a República Federal da Alemanha passou a ser a representante única do povo alemão.
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