Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

19 milhões de desempregados na América Latina

Quinta, 08 de Janeiro de 2004 às 07:10, por: CdB

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou, em um informe, que 19 milhões de pessoas estavam sem trabalho na América Latina em 2003. A taxa de desemprego na América Latina pode chegar a 10% em 2004, ligeiramente abaixo dos 10,7% registrados no ano passado, por causa da leve recuperação da economia da região, ainda que acompanhada de uma maior instabilidade trabalhista.

O diretor adjunto do escritório da OIT no Brasil, José Carlos Ferreira, disse que a expectativa da organização é de que com a retomada da economia brasileira em 2004 haja criação de novos postos de trabalho no país. No entanto, ele ressaltou que será necessário que o governo faça investimentos em infra-estrutura.

O relatório revelou que somente no Brasil existem 10 milhões de desempregados, apesar do poder aquisitivo do trabalhador assalariado ter crescido 1%, enquanto a média geral foi de redução 1,6%. Para o Ministério do Trabalho, o importante é a adoção de uma política de salário-mínimo que dê ganhos reais e não apenas faça a reposição da inflação.

O desemprego urbano no Brasil nos três primeiros trimestres de 2003, se comparado a igual período de 2002, aumentou de 12% para 12,4%. Segundo a OIT, a situação é mais grave entre os jovens de 18 a 24 anos. Nessa faixa etária, o desemprego subiu de 21,8% para 23,5%. As mulheres também têm maior dificuldade de arranjar uma colocação no mercado de trabalho do que os homens. Enquando que número de desempregados de homens é de 10,1% , o de mulheres chega a 15,1%.

Segundo a OIT, a evolução do desemprego na América Latina em 2003 foi similar nos diversos países, que, em vários casos, recuperavam-se de fortes crises financeiras e políticas que explodiram em 2002.  O método de cálculo da média do desemprego na região consiste em compilar as estatísticas dos governos de cada país, incluindo os do Caribe, e homologar os dados mediante a comparação com as informações mais semelhantes. A OIT afirma que a confiabilidade da pesquisa é de 95%.

O organismo detectou na América Latina um aumento sistemático do emprego em condições precárias desde 1990, ou seja, trabalho sem proteção social e sob formas de contrato que facilitam as demissões em períodos de baixo crescimento econômico, o que barateia os custos trabalhistas mas não aumenta a produtividade.

Nesse cenário, a OIT destaca as perspectivas de maior crescimento esperado para o Brasil, o Equador e o México, e a continuidade da expansão na Argentina, no Chile e no Peru. Uruguai e Venezuela, segundo as previsões, inverteriam o retrocesso que suas economias sofreram em 2003.

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