Explosões simultâneas mataram na quinta-feira 190 pessoas e feriram 1.247 em trens de Madri, em pleno horário do rush matinal, informou um porta-voz do Ministério do Interior. Os ataques, que antecedem eleições no país no domingo, foram classificados como os mais sangrentos ''atos de terror'' na história da União Européia.
Ninguém assumiu a autoria, mas a Espanha insiste que o grupo separatista basco ETA é o responsável pelas explosões em três diferentes estações ferroviárias de Madri.
O país desconsiderou sugestões de que elas poderiam ter sido causadas por militantes muçulmanos furiosos com o apoio da Espanha à guerra liderada pelos Estados Unidos no Iraque.
``Está absolutamente claro que a organização terrorista ETA buscava um ataque com ampla repercussão'', afirmou o ministro do Interior, Angel Acebes, durante uma entrevista coletiva, na qual rejeitou especulações sobre o envolvimento de qualquer outro grupo.
As explosões deixaram corpos queimados e ensanguentados em meio aos destroços de vagões dos trens atingidos nas estações de Atocha, região central de Madri, de El Pozo, no sul da cidade, e de Santa Eugenia, disseram autoridades e testemunhas.
``É o pior ato de terror da história da Espanha e o pior ato de terror que se tem memória em qualquer Estado da União Européia'', disse o presidente do Parlamento Europeu, Pat Cox.
O ETA (Euskadi ta Askatasuna) matou cerca de 850 pessoas desde 1968 em sua luta por um país basco independente.
``Havia todo o tipo de feridos, muitos no rosto, outros com amputações, ossos quebrados. Você não imagina quão impotente nos sentimos ao não conseguir tratar todos'', afirmou um motorista de ambulância na estação de Atocha.
``O trem foi cortado como uma lata de atum...Não sabíamos a quem tratar primeiro. Há muito sangue, sangue por toda a parte.''
O governo convocou uma reunião de gabinete de emergência e o Partido Popular suspendeu sua campanha eleitoral, que tinha como enfoque uma posição mais dura em relação ao ETA.
O grupo busca a criação de um Estado basco no noroeste da Espanha e sudoeste da França e foi classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia (UE).
Os mercados de ação europeus tiveram fortes perdas por temor de que os ataques tenham sido realizados por militantes islâmicos. Os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados
Unidos provocaram grandes quedas nos mercados globais e foram apontados como responsáveis pelo agravamento de uma crise econômica mundial.
Alguns especialistas em ETA disseram que as explosões não combinam com o perfil dos ataques do grupo. A guerrilha frequentemente telefona para avisar de seus planos.
Falando à Rádio Popular do País Basco, o líder do partido nacionalista basco proscrito Batasuna, Arnaldo Otegi, afirmou que não achava em ``hipótese nenhuma'' que o ETA estivesse por trás dos ataques.
Em outubro, duas supostas fitas gravadas pelo líder da rede Al Qaeda, Osama bin Laden, diziam que o grupo tinha o ``direito de responder em qualquer hora e lugar adequado'' aos países com forças no Iraque. A Espanha foi um dos países mencionados.
Carta da Al Qaeda
Uma suposta carta da Al Qaeda reivindicou a autoria das explosões em trens de Madrid, nesta quinta-feira, chamando os atentados de ataques contra os "cruzados'', disse um jornal em árabe com sede em Londres.
"Conseguimos nos infiltrar no coração da Europa e atingir uma das bases da aliança da cruzada" - disse a carta que chamou os ataques de "Operação Trens da Morte''.
A carta levava a assinatura "Brigadas Abu Hafs al-Masri''. O jornal recebeu cartas similares do mesmo grupo assumindo a autoria, em nome da Al Qaeda, de um atentado contra duas sinagogas na Turquia em novembro e pelos ataques na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá em agosto.