Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

11 milhões pela paz na Espanha

Milhões de espanhóis de luto saíram à ruas na sexta-feira chamando de ``covardes'' e ``assassinos'' os responsáveis pelos atentados de quinta-feira em Madri, que mataram quase 200 pessoas. O grupo separatista ETA, apontado pelo governo como o principal suspeito, negou sua responsabilidade no ataque. (Leia Mais)

Sábado, 13 de Março de 2004 às 06:03, por: CdB

Milhões de espanhóis de luto saíram à ruas na sexta-feira chamando de ``covardes'' e ``assassinos'' os responsáveis pelos atentados de quinta-feira em Madri, que mataram quase 200 pessoas. O grupo separatista ETA, apontado pelo governo como o principal suspeito, negou sua responsabilidade no ataque.

Alguns meios de imprensa disseram que 11 milhões de pessoas -- um quarto da população do país -- desafiou a chuva para participar de passeatas em virtualmente todas as cidades e aldeias da Espanha. Trata-se provavelmente da maior manifestação da história espanhola.

A polícia não confirmou o total, mas disse que só em Madri foram 2,4 milhões de manifestantes. Organizadores em Barcelona disseram que a passeata na cidade reuniu 1,5 milhão. Na multidão havia apitos, tambores, cruzes negras, velas e cartazes com frases como ``Basta de assassinatos''.

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, e outros dignitários do continente se somaram a políticos e membros da família real espanhola, na passeata de Madri, numa demonstração de unidade a apenas dois dias das eleições gerais no país.

As dez explosões quase simultâneas de quinta-feira atingiram quatro trens em três estações madrilenhas, matando 199 pessoas e ferindo quase 1.500.

A suspeita de que a rede Al Qaeda esteja por trás dos atentados fez com que a Europa e outras regiões reforçassem a segurança.

A negativa do ETA, em telefonemas a dois meios de comunicação que utilizam o idioma basco, aconteceu depois que o governo de José María Aznar continuou insistindo que esse grupo era o principal suspeito. ``Uma mensagem do ETA chegou dizendo que o grupo não tem responsabilidade pelo ataque'', afirmou o canal basco ETB.

O número de mortos subiu para 199, com a morte de um bebê do sexo feminino, de seis meses e meio, num hospital na sexta-feira. O dia 11 de março de 2004, ao qual a imprensa local se refere como ``nosso 11 de setembro'', ficará para sempre na lembrança do país. 

Interesse Eleitoral

Muitos analistas dizem que o Partido Popular (governista) se beneficiaria eleitoralmente da hipótese de o ETA ser o responsável, porque Aznar se empenhou muito em combater os separatistas durante seu governo.

Por outro lado, a participação de militantes islâmicos seria ruim para o PP, porque representaria o custo pago pelos espanhóis por participarem de uma guerra, a do Iraque, à qual a maioria da população se opunha.

Aznar disse que nenhuma linha de investigação será descartada, mas insistiu em dizer que o ETA é o principal suspeito.

``É uma linha de investigação que nenhum governo espanhol que não tenha perdido a cabeça terá de seguir'', afirmou Aznar, citando o fato de recentemente as autoridades terem impedido vários atentados do grupo e a existência de informações sobre planos de cometer ataques à rede de transportes.

Entre as vítimas fatais do ataque havia 24 estrangeiros de 11 países. As autoridades identificaram dez delas como sendo originários de Peru, Honduras, Polônia, Chile, Cuba, Equador, Guiné-Bissau, França, Marrocos e Colômbia.

Chocados, os espanhóis fizeram vigílias silenciosas às 12h (7h em Brasília) em todo o país. Junto aos destroços dos trens destruídos foram deixadas flores e mensagens.

Na residência de Aznar, uma vigília silenciosa foi interrompida por uma autoridade que exigia ``mandar os terroristas para o pelotão de fuzilamento''.

As passeatas noturnas foram realizadas em quase todas as cidades. Em Bilbao, principal cidade basca, um cartaz dizia: ''Queremos a verdade.'' Houve uma acirrada discussão sobre o envolvimento ou não do ETA.

Em Barcelona, testemunhas disseram que importantes políticos do PP foram vaiados e cercados por manifestantes que não se conformavam com o apoio do partido à guerra no Iraque.
Passeatas de solidariedade e vigílias foram convocadas

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