Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Síria prossegue com campanha contra EI após retomada de Palmira

Forças do governo da Síria, apoiadas por ataques aéreos da Rússia, combateram insurgentes do Estado Islâmico nos arredores de Palmira nesta segunda-feira

Segunda, 28 de Março de 2016 às 07:43, por: CdB

Houve confrontos ao nordeste de Palmira entre o grupo sunita extremista e forças aliadas ao governo, com auxílio de ataques aéreos sírios e russos

Por Redação, com agências internacionais - de Beirute/Damasco:

Forças do governo da Síria, apoiadas por ataques aéreos da Rússia, combateram insurgentes do Estado Islâmico nos arredores de Palmira nesta segunda-feira, tentando ampliar seus avanços após retomarem o controle de uma cidade cujos templos antigos foram dinamitados pelos militantes radicais.

A perda de Palmira no domingo representou um dos maiores reveses do grupo jihadista desde que este declarou um califado em 2014 em grandes porções de território da Síria e do Iraque.

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Destroços em museu na cidade história de Palmira, Síria

O Exército sírio disse que a cidade, que abriga algumas das maiores ruínas do Império Romano, irá se tornar uma "plataforma" de operações contra bastiões do Estado Islâmico nas cidades de Raqqa e Deir al-Zor, que ficam mais para o leste ao longo de uma vasta região desértica.

A mídia estatal da Síria afirmou nesta segunda-feira que o aeroporto militar de Palmira está aberto para o tráfego aéreo agora que o Exército livrou a área circundante de combatentes do Estado Islâmico.

Houve confrontos ao nordeste de Palmira entre o grupo sunita extremista e forças aliadas ao governo, com auxílio de ataques aéreos sírios e russos, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra com uma série de fontes no terreno.

Os bombardeios, que se acredita terem sido russos, também visaram a estrada que parte de Palmira em direção ao leste e leva a Deir al-Zor, afirmou a entidade.

Embora a maior parte da força do Estado Islâmico tenha fugido de Palmira no domingo, ainda há alguns militantes na localidade, disse o Observatório. Seu diretor, Rami Abdulrahman, ainda relatou que a maioria dos moradores fugiu antes da ofensiva governamental e que não ouviu falar de mortes de civis.

No domingo foram ouvidas seis explosões, desencadeadas pelo grupo radical dentro da cidade e em suas cercanias com três carros-bomba. Três militantes com cinturões de explosivos também se explodiram, infligindo baixas não especificadas entre forças do Exército e tropas aliadas, disse o Observatório.

A televisão estatal síria transmitiu imagens de dentro de Palmira, exibindo ruas vazias e edifícios severamente danificados.

Abdulrahman afirmou que até o momento se sabe da morte de 417 combatentes do Estado Islâmico durante a campanha de reconquista de Palmira, e de 194 pessoas do lado do governo sírio.

Restauração de monumentos

O diretor de Antiguidades e Museus da Síria afirmou nesta segunda-feira que serão necessários cinco anos para recuperar os monumentos destruídos ou danificados na cidade antiga de Palmira, ocupada durante dez meses pelo grupo radical Estado Islâmico. – Se tivermos a aprovação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), precisaremos de cinco anos para restaurar os edifícios destruídos e danificados pelo Estado Islâmico – declarou Maamun Abdelkarim à agência France Presse, um dia depois de a cidade de Palmira (no centro do país) ter sido recuperada pelas forças pró-regime. – Temos pessoal qualificado, o conhecimento e a investigação, precisamos obviamente do acordo da Unesco e poderemos começar as obras em um ano – adiantou. Segundo Talal Al Barazi, governador da província de Homs, onde se localiza Palmira, o Exército sírio completou hoje a desativação de minas e explosivos colocados pelo grupo fundamentalista na área de monumentos da cidade. – A área arqueológica já está limpa de minas e bombas deixadas pelos terroristas – declarou Barazi à agência espanhola EFE em conversa por telefone. Além da cidade do século 18, que foi danificada nos combates, os jihadistas destruíram os templos de Bel e Baalshamin, o Arco do Triunfo, várias torres funerárias e o Leão de al-Lât. A antiga cidade de Palmira com mais de 2 mil anos, apelidada de “pérola do deserto”, foi classificada como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1980. Talal Al Barazi adiantou que os engenheiros das Forças Armadas continuam a desativação de explosivos no interior da cidade, estimando que o trabalho em Palmira estará concluído dentro de dois dias”. Uma vez garantida a segurança, começarão os trabalhos de reparação de serviços básicos como a água e a eletricidade, que deverão estar funcionando dentro de uma semana, disse ainda o governador de Homs.
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