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Morte de Roberto Marinho é destaque na imprensa internacional

7/8/2003 7:25
Redação com agências de notícias



A imprensa internacional repercute, nesta quinta-feira, a morte do jornalista brasileiro e criador da Rede Globo João Roberto Marinho. Ele morreu na noite de quarta-feira, aos 98 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de um edema pulmonar causado por uma trombose.

The New York Times

O jornal americano destaca, em seu site, momentos da trajetória do empresário. A publicação cita o patrocínio às artes dado a muitas exposições através da Fundação Roberto Marinho, além de sua coleção particular com cerca de 700 trabalhos de arte, incluindo Pancettis e Mondrians, em sua propriedade no distrito de Cosme Velho, no Rio, nos pés do Cristo Redentor.

O lugar na Academia Brasileira de Letras, que passou a ocupar em 1993, também é lembrado.

Com uma fortuna estimada em US$ 6,4 bilhões em 2000, Marinho viu seus bens diminuírem após problemas financeiros e o declínio da moeda brasileira.

“Este ano, ele ficou de fora da lista anual de bilionários da revista Forbes”, diz o texto.

BBC

O site da rede britânica BBC conta a história do magnata de mídia que transformou o jornal fundado por seu pai em uma rede de mídia global.

Além de citar a importância do império construído por Roberto Marinho, a BBC ainda menciona que o jornalista ganhou notoriedade como um defensor da brutal ditadura militar do Brasil e por impedir as investigações de suas relações com o governo.

Roberto Marinho nasceu no dia 3 de dezembro de 1904 no Rio de Janeiro. Seu pai, Irineu Marinho, fundou o jornal A Noite em 1911. Já em 1925, Irineu vendeu o jornal e fundou O Globo, mas após 21 dias ele morreu, deixando o jornal nas mãos do jovem repórter Roberto.

A importância de Roberto Marinho é descrita pela BBC como uma influência inigualável, tendo formado as Organizações Globo, com suas revistas e jornais, uma rede de rádio, uma editora, e a TV Globo, a mais importante rede de televisão do Brasil.

A TV Globo, com 113 estações, atinge hoje 99,9% das casas brasileiras. O lançamento da TV Globo coincidiu com a queda, em 1964, do presidente João Goulart.

Os comandantes militares queriam uma rede de telecomunicações que publicasse iniciativas políticas e informasse a agenda cultural e de notícias. A Globo se tornou essa voz.

Roberto Marinho usou sua influência para publicar suas visões – geralmente expostas em “editoriais” – e escolher políticos por simpatia ou censura. Ele ainda foi amplamente criticado por ignorar os abusos de direitos humanos e protestos pró-democracia do período.

Em 1993, a exibição brasileira de um documentário da BBC que examinava suas relações com o governo foi misteriosamente cancelada, seguindo uma ordem do governador de São Paulo, aparentemente a pedido de Roberto Marinho.

Um de seus principais críticos durante a ditadura foi o atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Mas na noite da última quarta-feira, Lula – como é conhecido – elogiou Roberto Marinho e decretou luto oficial de três dias.

Clarín

O jornal argentino Clarín fala sobre as circunstâncias da morte do empresário.

A publicação destaca que Roberto Marinho era proprietário de um patrimônio pessoal avaliado em mais de um 1 bilhão de dólares e de um império editorial que fatura, a cada ano, cerca de 5,7 bilhões de dólares, incluindo a mais importante emissora de televisão da América Latina, a TV Globo, considerada uma das cinco maiores do mundo.




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