Cinegrafista húngara é demitida após agredir imigrantes
Imagens registradas em posto de cadastramento na fronteira da Sérvia com a Hungria mostram a cinegrafista agredindo crianças com pontapés. Chefe de redação de emissora húngara anunciou a demissão sumária da profissional.
Por Redação, com DW - de Londres:
Imagens registradas em posto de cadastramento na fronteira da Sérvia com a Hungria mostram a cinegrafista agredindo crianças com pontapés. Chefe de redação de emissora húngara anunciou a demissão sumária da profissional.
Nas imagens, a cinegrafista pode ser vista dando uma rasteira em um homem que corria com uma criança nos braços
Uma cinegrafista húngara foi demitida no final na terça-feira, após imagens que mostram ela agredindo imigrantes terem se espalhado pela Internet. Ela atingiu com pontapés crianças que fugiam da polícia durante confrontos em Röszke, no sul da Hungria.
Nas imagens, a cinegrafista pode ser vista dando uma rasteira em um homem que corria com uma criança nos braços. Em outro momento, ela chuta duas crianças que também fugiam das forças de segurança.
As cenas foram registradas quando centenas de imigrantes rompiam uma barreira policial no ponto de registro de Röszke, perto da fronteira com a Sérvia, onde milhares de pessoas têm passado todos os dias no último mês.
O canal de notícias online 444.hu identificou a profissional de imprensa como Petra Laszlo. As imagens sob o ponto de vista da cinegrafista foram mostradas na N1TV, um canal privado com um programa apresentado por Gabor Vona, líder de extrema-direita do partido Jobbik, que se opõe à migração.
Demissão sumária
- Uma colega da N1TV portou-se de forma inaceitável no ponto de registro (de refugiados) de Röszke", disse o editor-chefe da N1TV, Szabolcs Kisberk, na página do canal no Facebook. "O contrato da cinegrafista foi rescindido com efeito imediato. Nós consideramos o caso encerrado", escreveu.
Nos últimos dias, a situação na fronteira da Hungria com a Sériva, em Röszke, tem sido bastante tensa. Desde o início do mês, mais de 165 mil refugiados chegaram à Hungria. A maioria quer seguir viagem para a Alemanha ou a Áustria. Após a chegada na Hungria, os refugiados precisam esperar um longo tempo para serem registrados.
Falta união à UE
Presidente da Comissão Europeia faz apelo dramático para que países-membros atuem em sintonia e não distingam estrangeiros por religião: "Europa é um continente onde, em algum momento, quase todos foram refugiados."
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, usou nesta quarta-feira seu discurso anual no Parlamento Europeu para cobrar os Estados-membros a agirem de forma mais unificada para enfrentar a maior crise migratória no continente desde a Segunda Guerra.
- Não estamos num bom lugar. Há uma falta de Europa na União Europeia e há uma falta de união na União Europeia - disse Juncker. "Os europeus deveriam lembrar que a Europa é um continente onde, em algum momento, quase todos foram refugiados."
No discurso sobre o "estado da União", Juncker anunciou oficialmente um plano, já antecipado ao longo da semana pela imprensa, para redistribuir pela União Europeia 160 mil refugiados que estão nos chamados "países de linha de frente".
O mecanismo estabeleceria quotas de realocação emergencial de 120 mil refugiados atualmente em países como Itália, Grécia e Hungria. Ele seria combinado com esquema semelhante destinado a 40 mil refugiados na Itália e na Grécia, já revelado em maio.
O custo seria de 1 bilhão de euros, e a divisão levaria em consideração a situação econômica de cada país e a quantidade de asilos oferecidos até hoje. A Alemanha, por exemplo, receberia 31 mil refugiados hoje em trânsito nos Estados do sul europeu.
- O inverno está chegando. Será que nós realmente queremos famílias dormindo em estações de trem e tendas em noites frias? - questionou o político luxemburguês. "Não há religião, crença ou filosofia quando se trata de refugiados."
Na semana passada, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, declarou que a onda de refugiados de maioria muçulmana ameaça abalar um continente de raízes cristãs, uma tese rejeitada pela chanceler federal alemã, Angela Merkel.
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