Brasil, em Berlim, tem sotaque português

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Brasil participa em Berlim como coprodutor do filme português, Tabu.

Tabu, filme de Miguel Gomes, no Festival de Berlim, assinala o retorno de Portugal na competição, depois de uma ausência de doze anos

Oficialmente, o Brasil estará presente na competição no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Porém, se trata de um filme português, de Miguel Gomes, diretor premiado, faz alguns anos, pela Crítica, na Mostra de Cinema de São Paulo, com o filme Aquele Querido Mês de Agosto. Os atores são também portugueses e o tema envolve indiretamente outro país lusófono, Cabo Verde.

E onde entra o Brasil nesse filme ?

Na produção. Tabu é uma co-produção da qual, além de Portugal participam a Alemanha, a França e a produtora brasileira Gullane Entretenimentos, criada pelos irmãos Caio e Fabiano Gullane e reforçada depois com a entrada na sociedade de Débora Ivanov e Quarup Participações, representada por Gabriel Lacerda.

Para se ter uma idéia do que representa a Gullane, basta lembrar terem sido os irmãos Caio e Fabiano os produtores do importante e bem sucedido filme brasileiro O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburguer, filme que chegou ao Festival de Cannes e representou o Brasil na seleção para o Oscar. Fabiano e Caio Gullane também participaram da produção do filme selecionado para Cannes, Carandiru. E praticamente começaram com Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzki, no ano 2000, selecionado para o Festival de Locarno.

O filme vai estrear, em data ainda não divulgada, no Festival de Cinema de Berlim, e constitui uma das muitas estréias mundiais programadas. Sobre seu enredo só se sabem poucas coisas. A história envolve três mulheres vivendo no mesmo prédio em Lisboa – uma velha senhora temperamental, que morre logo no começo do filme; sua empregada doméstica, uma imigrante caboverdiana; e a vizinha do lado, envolvida com ações e causas sociais. Quando a mais velha morre, sua empregada e a vizinha descobrem no seu passado toda uma história de amor e crime, quando ela vivia na África. As três mulheeres são vividas pelas atrizes Tereza Madruga, Laura Soveral e Ana Moreira.

O resto da história, pelo jeito bastante misteriosa, será a descobrir em Berlim. É importante destacar o retorno de Portugal ao Festival de Berlim, depois de uma longa ausência desde 1999, portanto há doze anos. (Publicado originalmente no Direto da Redação).

Rui Martins, correspondente em Genebra. Cobrirá o Festival de Cinema de Berlim, do 9 ao 19 de fevereiro, como convidado do Festival.