Acordo da Europa com Turquia não impede travessias de refugiados
A guarda gosteira da Turquia interceptou nesta quarta-feira dezenas de imigrantes majoritariamente sírios ao longo da costa do mar Egeu que continuam a se arriscar
Conforme o rascunho do pacto firmado, a Turquia concordou em receber de volta todos os imigrantes irregulares em troca de mais dinheiro
Por Redação, com agências internacionais - de Bruxelas:
A guarda gosteira da Turquia interceptou nesta quarta-feira dezenas de imigrantes majoritariamente sírios ao longo da costa do mar Egeu que continuam a se arriscar em travessias marítimas perigosas rumo à Grécia, apesar dos esforços de Ancara para deter o fluxo de imigrantes em respeito ao acordo que firmou com a União Europeia.
Um grupo de 42 pessoas, sendo mais de uma dúzia de crianças, se abrigava em um complexo da Guarda Costeira, algumas debaixo de cobertores, na estância balneária de Didim depois de serem detidas. Dezenas mais esperavam na praia, vigiadas por policiais armados, enquanto um ônibus chegava para levá-las embora.
A guarda gosteira da Turquia interceptou nesta quarta-feira dezenas de imigrantes majoritariamente sírios
– Estamos com medo de ficar aqui e com medo de ficar na Síria... estamos fugindo para o país que nos receber. Queremos segurança, alguém que cuide de nós – disse Sameeha Abdullah, uma das pessoas do grupo próximas à praia e que escapou da guerra civil síria.
No mar, a pouca distância da praia, um barco da guarda costeira abordou o que parecia ser uma pequena embarcação levando mais imigrantes. Algumas autoridades temem uma debandada em direção às ilhas gregas próximas, apesar do aumento do patrulhamento marítimo apoiado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Mar Egeu, antes da entrada em vigor do duvidoso acordo com a UE.
Conforme o rascunho do pacto firmado na segunda-feira, a Turquia concordou em receber de volta todos os imigrantes irregulares em troca de mais dinheiro e maior rapidez nas conversas sobre sua filiação à UE, que se arrasta há tempos, e na dispensa de vistos de viagens para seus cidadãos.
O objetivo, disseram o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, e líderes do bloco, é desestimular imigrantes ilegais e acabar com o negócio dos traficantes de pessoas, que vem alimentando a maior crise imigratória da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A mensagem, afirmam eles, é simples: tente cruzar ilegalmente e será mandado de volta na hora.
Eslovênia e Sérvia
A Eslovênia anunciou na terça-feira que a partir da meia-noite irá bloquear a entrada em seu território de todos migrantes que não possuírem um visto válido para o espaço de Schengen. A Sérvia afirmou que a decisão eslovena fecha a rota dos Bálcãs para refugiados e disse que seguirá a mesma medida.
O ministério esloveno do Interior ressaltou que permitirá ainda a entrada de migrantes que desejam pedir asilo no país e que vieram para a região por motivos humanitários. Pouco depois, foi a vez de a Sérvia anunciar que adotará a mesma política de Liubliana em suas fronteiras.
Segundo a emissora nacional eslovena de rádio, o primeiro-ministro Miro Cerar afirmou que o país pretende acolher mensalmente entre 40 e 50 refugiados.
O Ministério do Interior ressaltou ainda que a Eslovênia aceita receber 863 refugiados no sistema de cotas que a União Europeia pretende estabelecer.
As decisões da Eslovênia e da Sérvia podem gerar um efeito dominó nos países ao longo da rota. A expectativa é que a Croácia e Macedônia adotem medidas semelhantes.
Cerca de 10 mil refugiados chegaram recentemente à Alemanha e à Áustria pela rota dos Bálcãs. Vários países ao longo do caminho estabeleceram controles mais rígidos nas fronteiras e muitos bloqueiam a passagem de migrantes. Depois que a Macedônia passou a autorizar a entrada de apenas algumas dezenas de refugiados sírios e iraquianos em seu território, milhares de migrantes se acumularam na cidade grega de Idomeni e aguardam para seguir viagem.
Caminhos alternativos
Com o fechamento da rota dos Bálcãs, Estônia, Lituânia e Letônia começaram a construir uma cerca em suas fronteiras e reforçaram os controles em postos fronteiriços para evitar que os países se tornem um caminho alternativo para refugiados em direção ao norte e ao centro da Europa.
Letônia e Estônia reforçaram o controle especialmente na fronteira com a Rússia, que autoriza a passagem pelo seu território de centenas de migrantes que desejam alcançar a UE. No ano passado, cerca de 6 mil refugiados chegaram à Finlândia e à Noruega através da Rússia.
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