Normalmente os líderes da legenda se mostram dispostos a dar apoio ao indicado presidencial para reunir forças antes da eleição geral
Por Redação, com Reuters - de Washington:
O provável candidato presidencial republicano Donald Trump deve ter um encontro incomum nesta quinta-feira com o presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Paul Ryan, para tentarem começar a aparar as arestas que a candidatura rebelde de Trump criou no Partido Republicano.
Normalmente os líderes da legenda se mostram dispostos a dar apoio ao indicado presidencial para reunir forças antes da eleição geral. Mas Ryan, o mais importante republicano com cargo eletivo, vem negando seu endosso devido às suas preocupações com o tom incendiário e as plataformas políticas do magnata de Nova York, que se chocam com a doutrina profundamente enraizada da legenda.
Tanto Trump quanto Ryan adotaram um discurso conciliador antes de sua reunião na sede do Comitê Nacional Republicano, uma sessão que iria incluir o presidente do Comitê Nacional do Partido Republicano, Reince Priebus, amigo de Ryan que quer união no partido.
– Tenho muito respeito por Paul Ryan – disse Trump na quarta-feira no programa "Fox and Friends", da rede de televisão Fox News Channel. "Vamos ver o que acontece. Se fizermos um acordo, será ótimo. E se não fizermos, vamos adiante aos trancos e barrancos, como venho fazendo e vencendo sempre".
Na semana passada Trump se tornou o provável indicado do partido para a eleição de 8 de novembro após seus últimos rivais, o senador do Texas Ted Cruz e o governador de Ohio, John Kasich, desistirem da disputa. A pré-candidata democrata Hillary Clinton é sua adversária mais provável.
Na quarta-feira Ryan disse a repórteres que quer simplesmente conhecer Trump.
– Há bastante espaço para disputas a respeito de políticas diferentes neste partido. Somos de alas diferentes do partido. O objetivo aqui é unificar as várias alas do partido em torno de princípios comuns para que sigamos em frente unidos – disse Ryan.
Trump e Hillary
O republicano Donald Trump ficou empatado com Hillary Clinton, sua rival democrata, numa pesquisa de opinião da Reuters/Ipsos divulgada na quarta-feira, num sinal precoce contundente de que a eleição presidencial de 8 de novembro nos EUA pode ser mais disputada do que o pensado inicialmente.
Depois de semanas atrás de Hillary nas pesquisas, os números do empresário bilionário deram um salto depois de ele praticamente ganhar a nomeação republicana na semana passada quando os seus dois rivais ainda na briga desistiram, de acordo com a pesquisa online.
A pesquisa nacional indicou 41 % dos prováveis eleitores apoiando Hillary e 40 % com Trump, com 19 % indecisos. O levantamento ouviu 1.289 pessoas, foi realizado durante cinco dias e tem um intervalo de credibilidade de três pontos percentuais.
A pequena diferença resultou tanto dos ganhos de Trump quanto da queda de Hillary, no momento em que ela tenta superar o rival democrata, o senador Bernie Sanders.
Embora a campanha eleitoral mal tenha começado, a pesquisa marca uma mudança a favor de Trump. Um levantamento similar da Reuters/Ipsos conduzida no período de cinco dias até 4 de maio mostrou a ex-secretária de Estado com 48 % e o magnata de Nova York com 35 %.
Com a temporada das prévias partidárias terminando, os dois prováveis nomeados têm direcionado a atenção para as eleições de 8 de novembro e começado a testar os ataques, tanto em políticas quanto sobre as personalidades, que vão dominar a campanha nos próximos meses.
Hillary e Trump têm bom desempenho nas pesquisas junto a eleitores dos seus partidos, mas os independentes continuam a expressar incerteza, com 38 % se dizendo inseguros ou que votariam em um outro candidato.
Um dos grandes fatores da campanha será as mudanças demográficas do país, já que mais minorias se registram para votar. O aumento dos registros de hispânicos, que tendem a votar em Hillary, pode exercer um papel para inclinar a votação a favor da candidata.
– Essa é uma eleição que vai ser determinada principalmente pela composição demográfica do eleitorado norte-americano, e isso não mudou numa semana – disse o professor de ciência política da Universidade de Virgínia Larry Sabato.
A derrota de Hillary na primária da Virgínia Ocidental na terça-feira sinalizou possíveis problemas para ela nos Estados industriais em novembro.
Trump, de 69 anos, provocou Hillary nos últimos dias, afirmando que ela “não consegue fechar o negócio” contra oponente democrata.