Tão Forte e Tão Perto leva emoção a Berlim

11/2/2012 20:45,  Por Rui Martins, de Berlim

Reprodução

Max von Sydow vive o velho mudo que acompanha o garoto Oskar em busca de uma fechadura.

Na queda das Torres Gêmeas em Nova Iorque, muitas famílias foram indiretamente atingidas. O filme Tão Forte e Tão Perto, de Stephen Daldry, conta a separação entre um pai e um filho muito ligados e a difícil recuperação do órfão Oskar, cujo pai saltara do prédio em chamas. Esse drama tão violento de separação não deixa nenhum espectador insensível.

Tão Longe e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly , de Stephen Daldry, é um filme sobre uma família atingida pela catástrofe do 11 de Setembro. Mais precisamente de um filho, Oskar, extremamente próximo de um pai atencioso, Thomas (vivido por Tom Hanks), com o qual mantinha uma excelente relação de amigo e companheiro nos tipos de jogos em que se envolviam.

Tudo isso se desfez naquela manhã, restando do pai apenas a voz nas gravações de telefone das chamadas feitas pelo pai antes de ruirem as Torres Gêmeas. A morte do pai desestabilizou totalmente o menino-adolescente, que se torna neurótico e apresenta sintomas de autismo.

Porém, ao encontrar por acaso uma chave, que julga ter sido deixada pelo pai, dentro de uma vaso ligado ao nome de família Black, Oskar vai começar uma busca incessante na cidade de Nova Iorque, visitando todos os habitantes com o sobrenome Black. E nisso é ajudado por um velho mudo (Mas von Zydow, indicado para o Oscar) desde os bombardeios da cidade de Dresde, na Alemanha, onde vivia na Segunda Gerra. É um filme sobre a perda de um ente querido, que provoca intensa emoção nos espectadores.

Uma grande revelação estava por vir, no encontro com a imprensa, pois o ator Thomas Horn, hoje com 13 anos, surpreendeu a todos se mostrando ainda melhor no real que no cinema. Seguro, respondeu aos jornalistas, fez comentários inteligentes, mostrou ter um bom vocabulário e se revelou um pequeno gênio.

Stephen Daldry tem o dom para filmes com adolescentes, seu sucesso com Billy Elliot já provara isso. Max von Sydow como ator mudo lembra o filme mudo The Artist e levanta a indagação se virou moda ?

Entrevistas – Stephen Daldry, o diretor

Como conseguiu trabalhar com o menino-ator, que exige um tão grande esforço ?

Não há uma receita particular quando trabalhamos com crianças e com Thomas Horn tivemos uma grande chance, foi uma benção. Ele foi nosso ator principal, fizemos muitos e muitos ensaios. Não existe nenhum remédio milagre para isso. Trabalhamos com ele como teríamos trabalhado com um ator adulto. Thomas se preparou muito bem, estava seriamente preparado para o papel, fiquei impressionado com a qualidade dele como ator.

Seu filme é sobre o 11 de setembro, como explicou o que aconteceu nessa data para esse menino ?

Me baseei no livro Jonathan Safran Foer, que conta a infelicidade de uma família que perdeu esse pai de relação tão chegada ao filho e o livro mostra como essa família tentou se refazer depois da catástrofe. E isso é narrado no filme, utilizando-se a parábola da chave , cuja fechadura ele procura o tempo todo.

Jonathan, no livro, fez uma espécie de ligação entre o bombardeio de Dresde, na Alemanha, durante a Segunda Guerra, com o ataque às Torres Gêmeas. Para o menino Oscar, foi difícil encontrar um sentido em tudo isso, nesse personagem que ficou mudo durante esse bombardeio mas que procura transmitir seu sentimento.

Onde estava no 11 de setembro ?

Estava em Londres com o que seria o produtor deste filme. Estava trabalhando na pós-produção de um outro filme.
Como foi selecionado Thomas Horn para o filme ?

A primeira coisa a lembrar é que Thomas é diferente do personagem do filme, Oskar. Ele vem de uma família muito equilibrada. Quando fizemos o casting, logo pudemos constatar ser alguém muito inteligente. E também percebemos como pode se projetar nas emoções e sair dessas emoções sem que isso lhe cause dano ou faça mal à sua personalidade.
 
Thomas Horn – fala sobre seu papel de menino neurótico
e um tanto autista, desesperado pela morte do pai

O personagem parece um verdadeiro desafio, é o meu primeiro papel. Nao posso fazer comparações posso porém dizer, que houve muitos momentos nos quais não consegui me encarnar nesse personagem. O diretor Stephen me explicou bem o personagem, como ele age assim, o que pensa, para eu poder entender o papel.

Como foi trabalhar com Max von Sydow, Tom Hanks, Sandra Bullock ?

Trabalhar com o senhor von Sydow foi incrível. Todos sabem que se trata de um ator fenomenal mas é também um ser humano muito gentil. Passamos juntos 25 dias.

Eu me diverti bastante com eles, é genial trabalhar com gente assim. Havia cenas que eram bem fáceis de fazer, mesmo porque ensaimos bastante. Observei bastante como faziam os atores e procurei imitá-los mas é veredade que, no começo, fiquei bastane intimidado.Imagine eu estava trabalhando com eles, era um sonho para mim.

Poderia se dizer que tenho um papel privilegiado no filme, mas existe paralelamente outra história, a do avô, que é europeu, que parte, que retorna, cuja sequência fica em suspenso. É também história de uma família e é necessário que a família se refaça.O fim do filme é diferente do final do livro.

Onde voce estava no 11 de setembro ?

Estava em São Franciso e provavelmente engatinhava no chão porque tinha três anos. Não me lembro, portanto, mas isso é talvez uma boa coisa. Para uma criança, ficar sob o peso desse tipo de tragédia não deve ser bom para seu desenvolvimento.

Mas ao crescer fui me informando e ao ir a Nova Iorque conheci pessoas que tinham perdido entes querido e isso cria imediatamente um vínculo sentimental. Felizmente, a maioria das famílias que conheci já conseguiram refazer suas vidas.

Max von Sydow, o avô mudo

É dificil interpretar uma pessoa muda e ter de utilizar o rosto, as mãos para se comunicar ?

Não, não vejo diferença, mesmo quando se é mudo. A diferença está no desafio e no interesse que desperta para se fazer o papel. O personagem se exprime pela caneta, escreve e o diálogo se faz. É um bom desafio.

Exise uma diferença ao trabalhar com um diretor que já fez teatro ou com diretor que sempre fez cinema ?

Não se pode nem comparar- eu venho da cena, eu sou um ator que vem do teatro. Eu amo o teatro e trabalhar com alguem que vem do teatro é fascinante. E Daldry tem experiência com o teatro, portanto trabalhar com ele foi uma felicidade. Eu cheguei mesmo a me diverti nesse filme, sobretudo graças a Daldry e ao menino Horn
.
Filme mudo parece voltar à moda, veja-se o caso de The Artist, mas viver um personagem mudo não lhe restringiu como artista ?

Para mim não houve nenhuma diferença, os seres humanos são os mesmos, falem ou não falem e são todos interessantes. Eu particularmente apreciei esse papel por ser para mim algo inédito, nunca vivera esse papel e a história, o roteiro e o livro me convenceram. É bom se fazer sempre alguma coisa diferente nunca antes feita, quando se tem de viver mais ou menos o mesmo personagem acaba por cansar um pouco.
 
Pergunta -Os suecos acham que o ator von Sydow lhes abandonou por ter sido sequestrado pela Europa ou EUA. É verdade ?

Não, não fui sequestrado, eu simplesmene decidi fazer a minha carreira na França. Infelizmente, a Suécia tem uma cláusula incrível que nos impede de ter a dupla nacionalidade.

Portanto, depois de viver tantos anos na França, eu decidi que teria a nacionalidade francesa. Falei com muitas autoridade mas todas me confirmaram não se possível a dupla nacionalidade e tive então de escolher.

Ainda sobre a Suécia, sou um exilado profissional e no cinema viajo constantemente, emigro, é assim. Mas a Suécia é para mim um grande país e está no meu coração. Minha formação foi possível graças ao sistema de teatro municipal sueco, que me permtiu tornar-me ator com uma ótima formação, pois me permitiu trabalhar seriamente desde criança e ter uma diversidade de papéis, na tragédia, na comédia, no clássico, no teatro de todos os gêneros de peças. Não é possível aprender a profissão de ator sem prática e esse teatro municipal me deu essa prática. Faz tempo que um teatro sueco não me oferece essa oportunidade de retornar ao teatro.

Max von Sydow com seus quatro filhos como foi como pai ?

Fui o tipo de pai que todos nós queremos ser e que nem sempre chegamos a ser. Aspiramos a perfeição, mas as vezes é muito difícil a perfeição sobretudo na questão da educação, quando se é ator e se está sempre viajando, portanto não é evidente. Porém, graças a Deus, meus filhos não se queixaram muito.

Onde estava Max von Sydow estava no dia 11 de setembro ?

Eu estava na autoestrada com minha esposa e meu celular tocou. Era uma amiga que dizia que eu devia voltar imediatamente a Paris e me colocar num lugar seguro porque a guerra tinha começado. E acentuava – sobretudo não pegue avião, retorne de carro. E eu perguntei, mas o que você me está contando ? Antes de tudo, ela disse, me prometa não tomar avião para regressar a Paris, eles estão atacando os EUA, estão bombardeando Nova Iorque. Fomos ao hotel e ficamos diante da televisão durante aqueles dias. É verdade é um dia do qual nunca poderei me esquecer. E acho que cada um de nós aqui presente se lembra desse dia.

Rui Martins, de Berlim, convidado pelo Festival.


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3 Comentários para “Tão Forte e Tão Perto leva emoção a Berlim”

  1. Manoel Egito de Moura

    GRANDES MENTIRAS.
    Na Minha opinião esta invasão dos E.U.A por terrorista não passa de mais uma mentira de americanos, para atacar o Iraque e culpar o Bin laden com suas mentiras cabeludas. Vamos ver, os americanos tem a maior defesa do planeta,os melhores agentes federais nos aeroportos, a maior força aérea do planeta,Todo o seu céu é protegido com as tecnologias mais avançadas do mundo, tudo que é maior no mundo tem lá em matéria de defesa, ai vem botar na cabeça das pessoas que foram terrorista que fizeram estes estragos.Não da para acreditar, acredito sim que foram eles mesmo que fizeram, para alavanca uma desculpa para o mundo ,quando invadisse o pais que eles quisessem culpar, claro dentro dos seus interesse,no caso petróleo, mais ou menos assim; alguns vão morrer para benefícios de muitos principalmente dos milionários. E a população americana viram seus filhos sacrificados , é muito triste mais é o que penso.

  2. Valdeir

    O dia que calor de querosene de aviação causar derretimento de colunas de aço como as das torres gêmeas, avião não voa mais, pois suas turbinas derreteriam.
    Outra coisa, todas as fotos do pentâgono logo após a colisão do avião, mostra que não foi um avião. Avião não faz buraquinho de míssel. Tudo foi escondido das perícias. Porque a terceira torre caiu sozinha sem nenhuma colisão.
    Mas como a massa é manobrável, não usa rédeas mas tem antenas nas orelhas e as grandes mídias compradas dizem para onde elas devem ir.

  3. Sarah

    Esse Manoel e esse Valdeir são dois retardados, putz! como podem ser tão alienados assim? Vocês que deveriam estar nas torres gêmeas no dia dos ataques, otários!

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