Sustada iminente ação de pistolagem no acampamento Vitória – Palmeirante-To

8/2/2012 15:04,  Por Adital

Acabade ser desarticulado, no município de Palmeirante, um grupo de pistoleiros que,segundo consta nos depoimentos colhidos pela Polícia Federal, estava tramando a”limpeza” da área ocupada pelas famílias que reivindicam a desapropriação daFazenda Santo Reis (conhecida como Fazenda Brejão) para fins de reformaagrária.

Emoperação relâmpago ocorrida no dia 4 de Fevereiro de 2012, a pedido doMinistério Público Federal e da Coordenação do Programa Terra Legal noTocantins, a Polícia Federal prendeu dois suspeitos de pistolagem; foramouvidos no Pelotão da PM de Colinas pelo Delegado da PF de Araguaína, ocasiãoem que foi feita a acareação entre um dos suspeitos e um dos denunciantes.

Seguetensa e virtualmente explosiva a situação vivida pelas 19 famílias sem-terra doAcampamento Vitória, situado à margem direita da rodovia TO 335, km 30, nosentido Colinas-Palmeirante. Localizado numa região com confuso históricofundiário, o acampamento foi constituído em novembro de 2010 dentro do lote 84da Gleba Anajá, vizinho ao lote 83, ambos situados em área presumidamente daUnião, em apoio à reivindicação da criação de um assentamento pelo INCRA.Nestes mesmos lotes – já reivindicados por vários fazendeiros, o INCRA chegou apropor a titulação pelo programa Terra Legal, tendo entre os possíveisbeneficiários alguns laranjas dos pretensos donos. Denunciada a tempo, atentativa foi frustrada, resultando nos últimos dias em novas ameaças deviolência.

AComissão Pastoral da Terra vem novamente a público manifestar a indignação erepúdio da comunidade tocantinense frente à violência e intolerância dosmandantes de tais crimes, agentes de um latifúndio improdutivo e mortífero que,movido pela ganância, apropria-se das terras da União e gera violência, misériae expulsão das famílias do campo.

Instaladohá anos e denunciado repetidas vezes pela CPT e pelos Bispos católicos doTocantins, o presente conflito revela as mazelas do falso “progresso” propostopelo agronegócio, nos monocultivos do eucalipto e da soja e na pecuáriaextensiva, na especulação imobiliária e na supervalorização das terras.

Graçasà agilidade da intervenção da PF, foi possível reduzir o clima de tensãoinstalado no local do conflito. Aguarda-se ainda o resultado das investigações.Há fortes indícios de existir um grupo de pessoas, as mesmas que foram presasem 2004 na operação “Terra Nostra”, sob acusação de pistolagem e grilagem deterras.

Jáestá nas imediações da área ocupada pelas famílias sem terra uma equipe daDelegacia Especializada em Conflitos Agrários do Tocantins, designada pelaDelegada Gladis. Diante do caráter frio e calculista do grupo criminoso e de sualigação com políticos influentes, o denunciante do plano ora desvendado teveque ser recambiado para um local seguro.

Esperamosa máxima eficiência por parte da polícia investigativa na apuração eresponsabilização dos envolvidos. Sabemos que a solução real passa pelo firmeempenho do INCRA em operacionalizar a reforma agrária, dando o correto destinodas terras públicas conforme prevê a Constituição Federal. É oportuno recordarneste momento essas palavras de Dom Pedro Casaldáliga: “Malditas todas as cercas que nos impedem de viver e amar”.

Éurgente: Terra, Trabalho e Dignidade! Só assim a justiça será de fato alicercepara a paz tão sonhada no campo.

Araguaína,6 de fevereiro de 2012

COORDENAÇÃOCPT REGIONAL ARAGUAIA/TOCANTINS.


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