Surdos fazem manifestação no gramado do Congresso
19/5/2011 21:26, Por Congresso em Foco
Fábio Góis
Cerca de 100 surdos, intérpretes da linguagem de sinais e seus familiares, vindos de todo o país e munidos de velas acesas, ocuparam no início da noite desta quinta-feira (19) o gramado em frente à entrada principal do Congresso. Representados pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), eles estão em Brasília para dois dias de reuniões e manifestações, em mobilização a ser encerrada amanhã (sexta, 20), na área externa do Museu Nacional de Brasília, quando serão realizadas diversas intervenções culturais ao ar livre.
O objetivo dos eventos, que tiveram início na manhã de hoje (quinta, 19) numa reunião com o ministro da Educação, Fernando Haddad, é sensibilizar as autoridades do setor em relação à política educacional voltada para os deficientes auditivos. Ao invés do método da inclusão, adotado pelo MEC, os surdos pleiteiam o sistema bilíngue de educação, que consiste na adoção da linguagem própria. A educação bilíngue, como o nome sugere, implica a adoção de professores especializados na língua de sinais e material didático específico, com foco visual, em todas as escolas do país.
Na ocasião, a presidente da Feneis, Karin Strobel, entregou a Haddad um documento com as solicitações dos deficientes auditivos, e do ministro recebeu a promessa de que as demandas serão devidamente apreciadas. “Nós sofremos muito com o processo de inclusão, que não é adequado. Revolvemos vir de todos os estados do Brasil para fazer uma manifestação com uma proposta de ensino bilíngue, melhor para os surdos”, gesticulou Karin, que também é surda, ao Congresso em Foco, traduzida pela especialista em linguagem de sinais (Libras – Linguagem Brasileira de Sinais) Sandra Patrícia de Faria.
“Às vezes os surdos têm a impressão de que o MEC não entende como deveria ser uma proposta de educação inclusiva de forma adequada. O surdo tem uma língua diferente, por exemplo. Há várias pesquisas que mostram que há muito fracasso escolar na educação dos surdos. A maioria das crianças surdas não sabe ler, tem dificuldade de comunicação”, observou Karin, rodeada de velas que facilitavam a tradução.
As velas foram escolhidas para a manifestação, diz Karin, porque servem como luminosa metáfora contra o período “escuro” por que passaram os deficientes auditivos, em um passado recente. “O que nós estamos buscando agora é a luz. Como a cultura surda é visual, essa luz dá a impressão de que era como se o surdo estivesse cego quando a comunicação acabava, não tinha como visualizar o mundo. Então, estamos buscando essa luz, por meio de uma educação melhor”, acrescentou a dirigente, que tem um filho surdo e diz estar preocupada com a educação que ele receberá no Brasil.
Karin disse que a manifestação também em frente ao Congresso significa a busca por melhorias para a educação de surdos “em vários lugares representativos”. O grupo promoveu uma audiência pública na Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência, que é presidida pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) no âmbito da Comissão de Assuntos Sociais. O senador petista tem uma filha com síndrome de Down, bem como o deputado e campeão mundial de futebol, Romário de Souza Faria (PSB-RJ). Os deficientes esperam que o Congresso também desenvolva políticas que atendam às suas necessidades.
Azul depois de Hitler
Sentados com as velas acesas, dezenas de surdos formavam o símbolo universal do laço no gramado, em que cada cor de laço representa a luta de uma minoria (o da luta contra a AIDS, por exemplo, é vermelho, enquanto o dos deficientes físicos ou mentais é azul).
“No passado, [Adolph] Hitler [líder nazista alemão] buscava a perfeição em um mundo que era desorganizado. Essa cor azul foi escolhida na época para a luta das minorias, especialmente os deficientes”, esclareceu ao Congresso em Foco, segundo a tradutora da Feneis, o ator brasiliense radicado no Rio de Janeiro Nelson Pimenta, de 47 anos, líder do grupo fluminense de deficientes auditivos. Ele explicou que foi a pesquisadora norte-americana Ella Lentz, também surda, que descobriu o uso da cor azul para representar as minorias ao redor do mundo.
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Estou no 3º curso de libras ,no inicio foi muito díficil porque não tenho surdo na família, mas sempre que tenho tempo vou até a igreja Batista aos domingos para treinar e ter mais vínculo com surdos.
Um outro curso que me trouxe mais conhecimento é o Libras net que sou apaixonada e me fez treinar bastante e conhecer vários sinais.
Atualmente estou como interlocutora em uma escola, o aluno é maravilhoso mas eu ainda sinto que seria necessário materias de apoio para desenvolver melhor esse trabalho que me proporciona muita satisfação.
Quero deixar meu apoio a esse projeto que é de direito o aluno ,a pessoa surda ou uma outra necessidade ter alguem zelando por eles.
Até então me parece que ouve uma pessoa que está no congresso querendo embargar esse direito.
deixo então a minha manifestação via online.