Suíça provoca muçulmanos ao proibir minaretes

30/11/2009 6:01,  Rui Martins

Os muçulmanos na Suíça não poderão construir minaretes em suas mesquitas, essas torres estreitas  que conclamam os fiéis à prece, equivalentes aos sinos das igrejas cristãs.

Essa decisão, por 57% dos votos, em referendo submetido ao povo suíço, foi a grande surpresa no domingo e poderá mudar a imagem suíça nos países muçulmanos.

O referendo foi provocado por uma iniciativa popular do Partido do Povo, de extrema-direita, e até a contagem dos votos, que não era tida como de aceitaçao provável. Anunciados os resultados, os chefes dos partidos, socialista, verde, democrata-cristão, liberal, fizeram seu mea culpa, na televisão suíça, reconhecendo terem subestimado a votação.

O presidente do Partido Socialista admitiu que a medida, inscrita agora na Constituição suíça, acabou recebendo votos até de eleitores de esquerda por não ter havido um verdadeiro debate da questão. Assim, muitos eleitores não votaram contra a construção de minaretes mas contra o Corão que não reconhece a igualdade entre homens e mulheres.

Foi o caso, da jornalista feminista Isabelle Falconnier, do semanário Hebdo, o mais importante da Suíça francesa, que confessou sua intenção de votar em branco, por não querer  dar a impressão de aceitar as mulheres com chador ou burca.

Se entre a direita e a esquerda tais conclusões levaram à abstenção e ao voto contra os minaretes, na maioria dos 22 cantões contrários a essas construções, prevaleceu a islamofobia ou a diabolização da religião muçulmana, o temor inculcado pela extrema-direita com seus cartazes de minaretes parecendo ogivas de mísseis.

Existem atualmente apenas 4 minaretes na Suíça, o maior na mesquita de Genebra, mas sem chamar os fiéis à prece, funcionando mais como detalhe arquitetônico. A população muçulmana na Suíça compõem-se de 300 mil pessoas, a maioria vinda dos Balcãs, durante a guerra civil na ex-Iugoslávia.

Essa população goza de total liberdade de culto e de manifestação e os líderes da extrema-direita, surpresos com a vitória e temerosos de terem aberto uma caixa de Pandora, garantem que não pretendem diminuir a liberdade de culto dos muçulmanos mas integrá-los nos moldes da cultura suíça. Isso não impede que os líderes muçulmanos estejam chocados, fala-se em recurso à Tribunal de Direitos Humanos de Estrasburgo, mas esses julgamentos não são coercitivos.

O temor do governo suíço é o de haver retaliação por parte dos países muçulmanos.
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