STF homologa delação premiada de Delcídio do Amaral
Delcídio do Amaral contou, ainda, que se reuniu com o desembargador Marcelo Navarro, presidente do Superior Tribunal de Justiça “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”
Delcídio do Amaral contou, ainda, que se reuniu com o desembargador Marcelo Navarro, presidente do Superior Tribunal de Justiça “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”
Por Redação - de Brasília
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki homologou, nesta terça-feira, a delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso no âmbito da Operação Lava Jato, sob a acusação de atrapalhar as investigações. Agora, a força-tarefa da Polícia Federal passará a analisar se as citações feitas pelo senador trazem indícios suficientes para que abram inquéritos contra os parlamentares.
Delcídio do Amaral teve a delação premiada autorizada no STF
Delcídio, ex-líder do PT no Senado, citou a presidenta Dilma Rousseff no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, o ex-presidente Lula, o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves e o vice-presidente, Michel Temer, entre outros senadores. A delação foi vazada à revista semanal IstoÉ, antes da confirmação no STF e um dia antes da deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, que realizou a condução coercitiva de Lula.
No acordo de Delcídio consta o pagamento de uma multa de R$ 1,5 milhão, que será paga em 10 parcelas.
Delcídio entrega tudo
Delcídio do Amaral contou, ainda, que se reuniu com o desembargador Marcelo Navarro, presidente do Superior Tribunal de Justiça “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”, o que, segundo o senador, pode ser atestado pelas câmeras de segurança. Na reunião, segundo o delator, Navarro “ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o dr. Falcão (presidente do STJ, Francisco Falcão) já o havia alertado sobre o assunto”. A reportagem do Correio do Brasil procurou a Presidência do STJ para confirmar as declarações do senador mas não obteve resposta, até o fechamento dessa matéria.
A repórter de IstoÉ afirma que “o acerto foi cumprido à risca. Em recente julgamento dos habeas corpus impetrados no STJ, Navarro, na condição de relator, votou pela soltura dos dois executivos. O problema, para o governo, é que o relator foi voto vencido. No placar: 4×1 pela manutenção da prisão”. Delcídio do Amaral, no anexo 17 da delação premiada, porém, foi incisivo: “Dilma tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da refinaria”.
“A aquisição foi feita com conhecimento de todos. Sem exceção”, acusa o senador. Não seria a primeira vez que o líder do Governo, no Senado, desmentiria Dilma na delação. No anexo 03, “o senador garante que ela teve participação efetiva na nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria da BR Distribuidora, contrariando o que ela havia afirmado anteriormente”, acrescenta a revista.
Aos procuradores, Delcídio afirma que “tem conhecimento desta ingerência (de Dilma), tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma”. “Ex-diretor internacional da Petrobras, Cerveró foi preso em janeiro de 2015, acusado de receber propina em contratos da estatal com empreiteiras. Até então, a indicação de Cerveró era atribuída a Lula e José Eduardo Dutra, ex-presidente da BR Distribuidora, falecido no ano passado. Mas segundo Delcídio, a atuação de Dilma foi ‘decisiva’. A presidente ligou para ele duas vezes”, diz o texto.
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