Sociólogo norte-americano antecipa que ‘o capitalismo chegou ao fim da linha’

19/10/2011 17:04,  Por Redação, com IHU - de Washington

Aos 81 anos, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.

capitalismo

O capitalismo está derretendo

Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferentemente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes.

Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.”

É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial.

As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT. A transcrição e a tradução para o português são iniciativas do sítio Outras Palavras, 15-10-2011.

Leia aqui a entrevista, na íntegra:

– Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora?

– Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando.

– Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo?

– Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila.

– Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo?

– Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns 20, 30 ou 40 anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir duas pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo.

– Qual a sua visão?

– Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema.

– Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico?

– Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas.

– Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras?

– Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas.

– Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída?

– Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa.

– O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais?

– A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico.

– Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século XXI?

– Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século XIX. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século XIX. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século XIX; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século XX.

– Do século 21, agora…

– É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século XX, eu sinto que sou um produto do século XX. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento.

– Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes?

– Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século XX. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo.

– Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento?

– Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo.

– Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana?

– Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados.

– É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo?

– É o que vemos há 500 anos.


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24 Comentários para “Sociólogo norte-americano antecipa que ‘o capitalismo chegou ao fim da linha’”

  1. Adauto Leite

    Muito oportuno o comentário sobre o capitalismo. Demonstrou que já foi perdendo força, a medida que foi sendo praticado.
    Os governos capitalistas foram tomando conta de seus cidadãos, pregando a democracia, porem só no no discurso e na simbologia.
    O sistema foi se degenerando a tal ponto que hoje não existe mais o amanhã, o sonho de poder sonhar, ate a graça da verdadeira graça de achar graça de sorrir também se extingue.
    A verdade é que se busca uma saida, porque está claro que o capitalismo só é bom para os capitalistas, e criou um enorme abismo entre os governantes e seus governados, cuja função principal e pagar impostos.

  2. Paulo Cesar Semblano da Costa

    E será substituído pelo que? Socialismo ou comunismo? Projetos sociais para manter uma classe política no poder às custas do sacrifício dos que realmente trabalham? A grande derrocada do capitalismo se deu quando o socialismo tomou o poder nos países capitalistas.

  3. Ariovaldo

    De acordo com as previsões de Marx, o fim do processo de acumulação sistemática do capital, tal qual vibora, vê-se na contingência de engolir o próprio rabo.Mas, se vislumbramos o epílogo do velho – capitalismo – iniciado a quarenta anos atrás, ainda desconhecemos o homem que está por vir depois.De uma verdade estamos certos: fora do socialismo não há salvação, depois do triunfo do neoliberalismo, iniciado com a queda do muro de Berlim. A partir daí, experienciarmos os horrores da barbárie, propiciada pelos vendilhões do Estado, homiziados na esquerda chapa-branca.Agora, feito madalenas arrependidas, clamam pelo perdão aos pés do crucificado.Mas, o pecado do entreguismo fruto do oportunismo, teve como soldo um razo prato de lentilhas, menos que as trinta moedas do judas histórico, posto que, não cria em promessass de um paraíso socialista, fora do planeta.Estamos, pois, no limiar de uma nova era, mas ainda reféns desse sentimento de orfandade bastarda, posto que, vazia de narrativa que enalteça o sentido de vida coletiva. Wallerstein fala que pendemos entre o determinismo que nos imobiliza, mas também, tal qual Marx, diria das ´condições ideais`, propícias para o mudancismo, que nos impele para o livre arbítrio.Mas, o imobilismo conformista está de atalia para propor soluções lampeduzianas, do tipo – mudar alguma coisa para que tudo fique como está. Numa guerra de posições, como essa, determinada pelos blocos históricos, não existe espaço de luta, sem luta, senão através dos movimentos sociais organizados e determinados a promover as mudanças necessárias. Quando há o vislumbre dessas brechas históricas, como anteviu o grande pensador político italiano, Antônio Gramsci, propelidos pelo otimismo da vontade e o pessimismo da inteligência.

  4. Jefferson

    Interessante artigo, porém, com alguns deslizes e equivocos. O mais gritante é que afirma-se no texto que segundo Marx o capitalismo acabaria através de um ato heróico e não através de suas próprias contradições. Quando a percepção e fundamentação de Marx e Engels apontam justamente através da crítica as teorias econômicas clássicas que a inviabilidade na manutanção do sistema capitalista é consequencia das próprias contradições internas do mesmo.
    Jefferson R. B.

  5. Jefferson R.Ferreira

    Isso é um “bem feito” para quem só pensa em dinheiro e poder!!!!!!!

  6. Robson Cruz

    Aparentemente, para Wallerstein o capitalismo deverá ser substituído por um sistema ultra revolucionário: o capitalismo reformado

  7. Pedro Guimarães

    Procurem se informar melhor sobre uma economia baseada em recursos, criada pelo pensador e engenheiro Jacque Fresco.

    Esse será o modelo do século XXI.

  8. Bruno Marton

    Economia Baseada em Recursos é a resposta… chega dos “ismos” ^^

  9. Ronaldo Rego

    O capitalismo é uma espécie de vampirismo. Mais de 100 milhões de pessoas levadas à miséria. Quem lucrou? O dinheiro se acumula em um lado e falta no outro. A crise do capitalismo NÃO SERÁ SUPERADA. Os governos deverão agir com coragem. Medidas drásticas de contrôle da economia. Maior união internacional: planejamento econômico planetário, divisão de regiões. Exportações e importações sob contrôle: a China não poderá continuar fazendo dumping. As matérias primas das nações mais pobres deverão ter o seu valor real. Os bancos e financeiras intensamente vigiados. Taxação elevada sobre os mais ricos. Estatização das comodities: petróleo, minerais, energia hídrica, produção de grãos, carne. e setores básicos. O capitalismo, ainda assim, terá uma grande área para trabalhar e ganhar, mas de forma razoável. Do jeito que está não pode continuar.

  10. Marcelo Delfino

    O capitalismo tal como existe hoje pode ser sucedido por qualquer coisa: pelos nacionalismos (cada país com o seu), por esse socialismo vagabundo e bolivariano (que admite até figuras como Paulo Skaf, Romário e Gabriel Chalita) ou por sistemas tipo anarcocapitalismo (a extinção do Estado, substituído pelas corporações privadas) ou minarquia. Procurem na Wikipedia os textos altamente esclarecedors sobre o que é anarcocapitalismo e o que é minarquia. São de fazer o neoliberalismo parecer uma obra de caridade.

  11. Carlito

    Pôxa! Está de parabéns o Correio do Brasil. A leitura dos comentários inseridos, permite aquilatar o nível dos seus leitores, permitindo uma gratificante “revirada de baú”, trazendo à tona, numa bela oportunidade, de encontrar-se com Marx & Engels e também com Gramsci.

  12. Carlos

    Há uma certa clarividência no pensamento de Wallerstein. A universalização da informação e o sentimento de igualitarismo no mundo moderno – como evidenciam manifestações populares em diferentes países – talvez sejam condições favoráveis à institucionalização efetiva do cooperativismo a nível mundial, como propagado por Charles Gide. Capitalismo é um sistema de produção invidual e consumo individual. Socialismo, por sua vez, é sistema de produção individual e consumo coletivo. E, o comunismo, sistema de produção coletivo e consumo coletivo. Portanto, o cooperativismo, sem o intuito maior do lucro, é o sistema híbrido dos anteriores, pois operacionaliza produção coletiva e consumo coletivo.

  13. Maria Teresa

    O que me preocupa é a possibilidade de uma guerra mundial. O comunismo também provou não ser uma boa política. Os regimes totalitários impuseram-se pela força e não trouxeram felicidade para ninguem, a não ser para os próprios e seus apoiantes. O tempo é de reflexão. Que a tal viragem surja sem derramamento de sangue, pelo bem dos povos de todo o mundo. É preciso que haja mais solidariedade, menos ambição, uma mais equitativa divisão dos bens. Acho que isso só se consegue com uma revolução de mentalidades. É preciso ir buscar os bons valores, que infelizmente estão quase esquecidos. Nada acontece por acaso.

  14. João Brasileiro

    Análise de altíssimo nível. E a gente sabe como é Yale…

  15. Jorge

    De fato, a Economia Baseada em Recursos seria o mais sensato no momento, ao meu ver.

  16. Regina

    Comentário é dispensado porque os antecessores expressam o que se quer dizer. Aquilatado com os comentários, a entrevista, a matéria em si é de grande relevância. Espero que as redes sociais tenham acesso com o compartilhamento.

  17. Guilherme

    Agradeço ao CdB pela publicação dessa entrevista (Wallerstein é realmente fantástico) e aos caros comentadores participantes dessa discussão que está realmente em um alto nível (parece que os trolls de plantão resolveram se abster de comentar dessa vez… sorte nossa).

    De fato a análise do prof. Wallerstein me parece muito lúcida. Apenas colocando aqui um aporte ao Jefferson R. B., a causa da crise sistêmica (para usar o jargão do próprio Wallerstein), para Marx, seria realmente as contradições inerentes ao Capitalismo. Como homem de seu tempo, ele não teria condições de imaginar os “recursos naturais”, por exemplo, como fator de tamanho peso na tomada da consciência dessas contradições, como vemos que é verdade hoje. Poderia apostar que ele jamais iria supor que o sistema Capitalista duraria tanto a ponro de drenar o nosso planeta até o limite de nossa sobrevivência, como vemos que ocorreu. A “previsão” de Marx era o fim do Capitalismo num processo ‘heróico’, que seria a revolução. O que estamos vivendo me parece mais como uma “implosão”. A dicotomia “burguês x proletariado” já nos faz pouco sentido… Vou ler algo sobre a Economia de Recursos, como os colegas indicaram. E vamos pensar e trabalhar por essa transição! Por um mundo melhor e uma existência menos ordinária.

    Abs!

  18. Marlon Henrique

    Querendo ou não, não existe saída para o capitalismo. Isso é utopia! Como imaginar um modo de vida diferente onde ¾ da riqueza mundial se encontra nas mãos de uma geração (babyboomers), com uma visão bastante peculiar das coisas?

    E outra: você se sentiria bem por trabalhar mais e melhor que um colega da empresa e mesmo assim ganhar o mesmo tanto que ele? Com certeza não, mas seu patrão acharia ótimo ter um funcionário diferenciado sem gastar mais por isso.

    Assim, o que deve ser feito é uma reformulação do modelo vigente. Deve-se pagar de forma justa pelo trabalho das pessoas. E entende-se por justiça aquilo pelo que elas buscam, lutam. Conflitos de interesses sempre haverão, a questão é chegar em um ponto comum.

    Com relação ao Estado, concordo plenamente que sua participação na economia seja reduzida. Deve-se parar de sonhar com o concurso público, pessoas dessa área prestam um desserviço para a população em geral, primeiro porque reclamam de um serviço que aprendem a fazer de forma exatamente igual, deixando boquiaberto o mais incrédulo dos seres. Segundo porque o Estado não gera divisas, muito pelo contrário.

    Muito mal se fala da China, com seus preços subsidiados, mas poucos têm a visão de que a burrocracia e o hiperinchaço dos preços nacionais são a causa do subdesenvolvimento tupiniquim. Seria o caso de proteger a indústria nacional? Para que? Para ficarmos alheios à tecnologia mundial, com um gap de consumo de 30 anos como aconteceu no fim do século passado, e que começou a ser quebrado com a abertura de mercado do Collor?

    Pelo contrário, temos mais é que abrir o mercado e deixar que os fortes sobrevivam. Somos um povo altamente criativo e guerreiro, não precisamos de paternalismo.

    EMPREENDEDORISMO é a palavra chave. O empreendedor é a força motriz da nação. Sem ele não há economia, não há inovação que chegue ao mercado. Ele assume riscos para isso. Agora me digam: se se dá muito crédito por um teórico de 80 anos que afirma que estamos mudando para um sistema que não se sabe qual (mimimi), por que não dá-lo para as pessoas que realmente fazem as coisas acontecerem? Assim, é justo remunerá-lo devidamente por isso.

    Muito mal se fala dos EUA, principalmente de sua arrogância, e muito pode ser verdade, mas fato é que não teríamos pelo menos metade das benesses tecnológicas de hoje se não fosse por essa “nação maldita oriunda das profundezas do inferno”. Não há país que consiga patentear e lançar ao mercado tantos produtos e serviços ao ano como os americanos.

    Vejam bem que não defendo o capital especulativo, mas se peão quer ser assistido paternalmente, quer divisão igualitária e vida mansa… que espere sentado ou assuma os riscos, porque “na vida somos todos peões, ou reis”.

  19. Márcio Cubiak

    Mais da metade do planeta mescla relações capitalistas com relações econômicas não-capitalistas, todos os dias. O que vier a surgir do desmoronamento do capitalismo, já está aqui e ali, pululando…Não será nem socialismo, nem comunismo, nem capitalismo reformado. Vai ser o que a canalização de nossas energias permitir!

  20. José Luiz Kruzic

    O Capitalismo está chegando ao fim da linha há muito tempo – parece o grande futuro do Brasil, que está sempre para chegar.
    O capitalismo teve uma crise ainda maior de 1929 a 1939, o que deu um grande impulso ao comunismo/socialismo, mas isso para quem não sabia, ou não queria saber, o que se passava na “pátria-mãe do socialismo”. Acontece que o Capitalismo vem sempre evoluindo, e vai se ajustar à nova situação, simplesmente porque hoje não há sequer a ilusão de uma alternativa. É claro que ainda há muita gente praticando necrofilia com o socialismo/comunismo…

  21. Carlos

    Assim como os Judeus criaram o Capitalismo Egoísta criaram o
    Comunismo Desumano, melhor seria o Socialismo Humanitário e
    Participativo.

  22. Jedson

    Caros editores,

    Venho demonstrar meu profundo
    descontentamento com a matéria intitulada
    “Neonazistas brasileiros saem da toca?”, publicada aqui, no site do Correio do Brasil.

    Fizeram uma ligação mentirosa entre a violência praticada pelos intitulados neonazistas e o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

    Antes de publicarem tal calúnia, os senhores deveriam verificar os fatos informados e ouvir a parte prejudicada.

    O Instituto NUNCA apoiou nem incentivou ações violentas, e afirmar isso fere o nome de tão respeitada instituição.

    Pela reputação e idoneidade deste site de notícias, peço que façam uma nota de esclarecimento sobre a infeliz matéria.

  23. Fábio Diniz Cavalcanti Júnior

    O Sistema Capitalista em sua ultima configuração plena, tida como neoliberal e global, chegou ao seu ápice de caos. As bombas começaram a estourar bem antes e, desde 1998, o mundo do capital acionista não teve mais sossego. A América do Norte vem cada vez mais sentindo o desconforto de uma queda determinada pelo conjunto da sua obra.
    Quanto ao que posso comentar sobre Marx, concordo com Wallerstein, sendo que em toda queda de sistema há a ruptura do velho com o novo, e inevitavelmente isso provoca revoluções no homem e nas sociedades, mesmo que não sejam armamentistas, como foram as Revoluções e Guerras clássicas dos séculos XIX e XX.

  24. Paulo Soza

    Frase da filosofa russo-americano Ayn Rand (Judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; Quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; Quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício; Então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”

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