Se coerentes, senador tucano devia renunciar e imprensa cobrar
28/1/2012 13:43, Por José Dirceu
Finalmente, quase uma década depois de surgirem as primeiras denúncias de iregularidades, o senador Mário Couto (PSDB-PA) foi denunciado em ação civil pública, sob acusação de envolvimento em esquema de desvio de recursos da Assembeia Legislativa do Pará quando a presidia entre 2003 e 2007.
O Ministério Público do Estado do Pará ((MPE-PA) entrou com a ação na qual pede o bloqueio dos bens do senador. Pede, ainda, que ele e outros 15 acusados – entre os quais sua filha, a deputada estadual Cilene Couto (PSDB) – devolvam R$ 2,3 milhões aos cofres públicos.
O esquema denunciado envolvia fraude na folha de pagamento do Legislativo paraense, com a contratação de servidores-fantasmas. Além do senador, sua filha é denunciada porque fazia parte do setor de controle interno da Assembleia na gestão do pai.
Falso catão continua com mandato, posando de vestal
A ação cita o exemplo de 11 funcionários-fantasmas que, em depoimentos, negaram trabalhar na Casa – salário da maioria deles era superior a R$ 10 mil mensais e os valores eram desviados. O senador Mário Couto diz que a ação é movida por uma desavença pessoal de um dos promotores contra ele.
Este caso do senador tucano do Pará é emblemático. A mídia nacional fez de tudo para esconder os fatos gravíssimos e sua responsabilidade. Mário Couto é um dos falsos catões que no Senado transformou seu mandato num exemplo de populismo denuncista.
Pois bem, acusado no Pará continua posando de vestal e atuando no Senado, certo da impunidade e da cumplicidade da mídia diante das acusações. Seguindo suas próprias condutas, o senador devia renunciar ou pedir licença do mandato até que as investigações e o inquérito sejam concluídos, e a mídia cobrar isso dele. Como sempre exigiram – ele e a imprensa – que outros renunciem ao mandato. Desde que sejam do PT ou aliado ao governo.
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