São Paulo tem outra noite violenta, com sete mortos e três ônibus incendiados


Ônibus incendiado na Zona Norte de São Paulo

Mais uma noite violenta na capital paulista deixou sete pessoas mortas, seis baleados e três ônibus incendiados, entre a noite de segunda e a madrugada nesta terça-feira, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Um dos mortos foi atropelado pelo ônibus tomado por bandidos antes de o veículo ser incendiado na Vila Brasilândia.

A onda de violência em São Paulo será tratada nesta terça-feira, em reunião no Palácio dos Bandeirantes, na qual devem ser definidos os termos da parceria entre governo federal e estadual no combate à violência.

Participam do encontro o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Entre as ofertas a serem apresentadas pelo ministro, estão a ajuda na área de inteligência e a possibilidade de transferência de chefes de organizações criminosas para presídios de segurança máxima.

Desde o início do ano foram mortos 90 policiais militares no estado, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública. A capital paulista registra aumento de 22% nos homicídios entre janeiro e setembro, com 982 vítimas. Em setembro foram 135 casos, aumento de 96% em comparação ao mesmo mês de 2011.

Mudança de rotina

A violência alterou a rotina de quem usa farda. Os policiais militares vivem sob tensão e evitam até sair de casa. Os policiais contam como o aumento da violência contra a corporação mudou as suas rotinas nos últimos meses, se queixam sobre a ausência de “respaldo” por parte da Instituição e que estão à mercê da própria sorte.

– A minha folga o meu lazer é ficar em casa. A gente não sai de casa, a gente muda trajeto para ir para o serviço, para voltar. Se tiver que ir a algum local, tem sempre que ficar olhando para os lados, desconfiar de tudo e de todos, de moto, de carro – afirma.

Segundo entrevista concedida ao jornal matinal da rede conservadora de TV Globo, as palavras são de um policial que agora vive com medo. “Tensão permanente. Até o nosso dia a dia, alimentação muda, a gente não tem apetite, insônia, você fica preocupado, qualquer barulho já acorda e fica em alerta”, conta.

O PM conta que não se conforma com essa situação. “A maioria faz bico para poder complementar a renda, e a gente fica mais exposto. Então a gente se sente neste momento caçado. Eu acho isso uma tremenda inversão de valores. Eu, que tenho que defender a sociedade, tenho que estar preso. E quem tem que estar preso, está solto, fazendo o que quer”.

Uma policial que não quis se indentificar por motivos de segurança afirma, “Eu já não ando mais com meu filho (de 14 anos). Não levo meu ele para passear, não levo no curso. Eu tenho de depender de outras pessoas. Ele me ver morta é uma coisa. Ele me ver assassinada é uma bem pior. Evitar de morrer, não há como. Quando eles vêm, vêm na covardia, com arma muito pesada”, afirma ela. “Senão eu vou colocar a vida do meu filho em risco e criar um trauma se eu for assassinada”.