Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Relator no STF vota pela abertura de novo processo contra Cunha

No início da sessão, os ministros decidiram por avaliar, nas próximas horas, a defesa da mulher de Cunha, Cláudia Cruz, e da filha Danielle contra a separação da investigação

Quarta, 22 de Junho de 2016 às 13:29, por: CdB

No início da sessão, os ministros decidiram por avaliar, nas próximas horas, a defesa da mulher de Cunha, Cláudia Cruz, e da filha Danielle contra a separação da investigação

 
Por Redação - de Brasília
  O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a analisar o relatório do ministro Teori Zavascki, na tarde desta quarta-feira, no qual acata a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O réu no Tribunal é, novamente, citado por contas secretas na Suíça.
cunha-claudia.jpg
Cunha e a mulher dele, a jornalista Claudia Cruz, respondem a processo por corrupção
No início da sessão, os ministros decidiram por avaliar, nas próximas horas, a defesa da mulher de Cunha, Cláudia Cruz, e da filha Danielle contra a separação da investigação sobre as duas da investigação do deputado. A defesa pede que sigam no STF, ao lado do chefe da família, e não sob a primeira instância na Justiça Federal do Paraná, com o juiz Sergio Moro. O ministro Teori Zavascki já havia liberado a denúncia sobre Cunha para julgamento, no último dia 10, cabendo ao plenário a análise final. Logo em seguida, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, por 11 votos a 9, o parecer pela cassação de Cunha por mentir à CPI da Petrobras, quando negou possuir aquelas contas no exterior. Na véspera, em entrevista concedida, na qual compareceu sozinho, Cunha afirma que não irá renunciar à presidência da Câmara. O STF aceitou outra denúncia contra o acusado, por ele exigir e receber ao menos US$ 5 milhões em propina de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras. Após seu voto pelo recebimento da denúncia, os outros 10 ministros da Corte também se manifestarão. Caso a acusação seja aceita, o deputado passa a ser réu numa segunda ação penal relacionada a desvios na estatal do petróleo.

Cunha e Cláudia Cruz

A acusação, em trâmite no STF, baseia-se em investigação aberta em outubro de 2015 sobre o deputado, a mulher dele, Cláudia Cruz, e de uma de suas filhas, Danielle Cunha. As investigações encontraram indícios de que o deputado teria cometido evasão de divisas, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No inquérito, o parlamentar afastado responde à denúncia de cometer crime de falsidade ideológica e grave infração eleitoral por omissão de rendimentos na prestação de contas. Se a ação for aberta, a Procuradoria pede a perda do mandato parlamentar. A PGR também acusa o presidente afastado da Câmara de receber cerca de US$ 1,31 milhão (R$ 5,2 milhões) em conta na Suíça. O dinheiro, segundo os procuradores suíços, deriva de propina pela viabilização da aquisição, pela Petrobras, de um campo de petróleo em Benin, na África. A Procuradoria busca a devolução de valores e reparação de danos materiais e morais no valor de duas vezes a propina: R$ 10,5 milhões. Neste processo, o juiz federal Sérgio Moro responsável pela Lava Jato na primeira instância, aceitou denúncia contra a mulher de Cunha e disse que tentou citá-la por duas vezes, sem sucesso. Assim, Cláudia Cruz agora responde a processo por suspeita de ter recebido, por meio de contas na Suíça, parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão paga ao marido. Em nota, nesta quarta-feira, Cunha afirmou que as contas de Cláudia no exterior estavam "dentro das normas da legislação brasileira", que foram declaradas às autoridades e que não foram abastecidas por recursos ilícitos. A defesa de Claudia Cruz informou que ela "responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos" e garante que a cliente "não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas".
Tags:
Edições digital e impressa