Preservar a memória
22/2/2012 15:03, Por Adital
“A memória abreexpedientes que o direito considera arquivados”
(Walter Benjamin).
O Brasil viveu 21 anos (1964-1985) sob ditadura militar. Aesdrúxula Lei da Anistia pretende colocar uma pedra sobre as atrocidadescometidas naquele período contra os que lutavam por liberdade e democracia. Ehá escolas e universidades que ainda ignoram o terrorismo de Estado vigente noBrasil ao longo de duas décadas.
No entanto, as vítimas não se calam. Não admitemclandestinizar a dor de seu sofrimento e a de tantas famílias de mortos edesaparecidos. Segundo Primo Levi, sem memória da injustiça não há justiçapossível.
No momento em que o governo Dilma Rousseff aprova a Comissãoda Verdade é preciso lembrar que funciona em São Paulo o Núcleo de Preservaçãoda Memória Política. Surgiu em 2007, no contexto das atividades do FórumPermanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, fundado paradefender os interesses dos ex-prisioneiros políticos e perseguidos durante aditadura.
Em 2008, logrou que o antigo prédio do DEOPS, no LargoGeneral Osório, se transformasse em Memorial da Resistência. Desde então,promove ali os Sábados Resistentes. É o primeiro projeto museológico de memóriano Brasil.
Em 2009, tornou-se uma instituição independente. Propõe-se amobilizar pessoas interessadas na abertura dos arquivos da ditadura, preservara memória das vítimas, incrementar a cultura de respeito aos direitos humanos,propiciar formação política às novas gerações.
Hoje, o Núcleo Memória é membro da Coalizão Internacional deMuseus de Consciência em Lugares Históricos.
O objetivo do Núcleo Memória é preservar a luta pelaliberdade e democracia; dignificar a história dos brasileiros que se empenharamnesse sentido; colher depoimentos e fontes documentais que permitam fortalecero resgate histórico; e conhecer o passado recente da história do Brasil.
Empenha-se também em promover a recuperação dos lugaresemblemáticos em que foram praticadas violações aos direitos humanos; realizareventos culturais relacionados à resistência e à memória; exigir dos poderespúblicos a preservação e divulgação dos arquivos existentes; valorizar oslugares simbólicos de atos da resistência democrática; participar deintercâmbios de experiências similares em outros países, em especial noMERCOSUL.
O Núcleo integra o Conselho Consultivo do Projeto “MemóriasReveladas” do Arquivo Nacional.
Participe do Núcleo Memória: www.nucleomemoria.org.br
[Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando – noscárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Copyright 2012 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo emqualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor.Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato –MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)].
Matérias Relacionadas:
- Galeano: como os EUA apagaram a memória do 1º de Maio
- De novo a Argentina sai na nossa frente
- Famílias de desaparecidos, OAB e representante da CNBB condenam sigilo na Comissão da Verdade
- Peru tem terremoto de 6,8 graus próximo à fronteira com Brasil
