Polícia reprime refugiados na fronteira da Macedônia
A polícia da Macedônia reprimiu com gás lacrimogêneo centenas de refugiados que tentaram forçar a entrada no país através da fronteira com a Grécia, nesta segunda-feira.
Segunda, 29 de Fevereiro de 2016 às 09:15, por: CdB
Autoridades usam gás lacrimogêneo contra centenas de refugiados que tentam violar cerca no norte da Grécia
Por Redação, com DW - de Berlim:
A polícia da Macedônia reprimiu com gás lacrimogêneo centenas de refugiados que tentaram forçar a entrada no país através da fronteira com a Grécia, nesta segunda-feira.
Uma multidão de cerca de 300 pessoas atacou uma cerca de arames farpados próxima à pequena cidade grega de Idomeni. "Abram as fronteiras", gritaram, jogando pedras contra a barreira.
Pelo menos trinta pessoa, incluindo crianças, ficam feridas
Uma testemunha ouvida pela agência de notícias Reuters afirmou que a polícia usou várias doses de gás lacrimogêneo contra migrantes que romperam um portão de metal e que se sentaram sobre trilhos de trem, recusando-se a sair dali.
O tumulto na fronteira foi iniciado após as autoridades macedônias permitirem a passagem de apenas cerca de trezentos sírios e iraquianos, deixando de fora milhares de pessoas. Rumores de uma nova abertura levaram uma multidão a se reunir perto da cerca de arame farpado.
A ONG Doctors of the World afirmou que ao menos trinta pessoas, incluindo muitas crianças, pediram atendimento de emergência após o incidente.
Ao menos 22 mil refugiados estão retidos na Grécia desde a semana passada, quando a Macedônia e outros países da região começaram a impor restrições em suas fronteiras, impedindo o acesso de migrantes à chamada rota dos Bálcãs. O caminho é utilizado para chegar a outros países no centro e no norte da Europa.
Estima-se que 8 mil pessoas, na maioria sírios e iraquianos, estejam concentradas somente em Idomeni, no norte da Grécia. "Ninguém nos explica por que não podemos cruzar [a fronteira]", disse Abdaljalil, da Síria, à agência de notícias AFP.
Papa pede distribuição "justa"
O papa Francisco pediu no domingo uma "resposta inequívoca" dos europeus para a crise migratória e uma distribuição "justa" dos refugiados no continente.
Durante oração do Ângelus, proferida na Praça de São Pedro, ele sublinhou que algumas nações deram "generosa assistência" aos refugiados, mas pediu que o ônus seja repartido de maneira uniforme entre os países.
O pontífice destacou o trabalho da Grécia e de "outros países que estão na vanguarda" e disse que a situação de emergência humanitária faz necessária a "cooperação de todas as nações".
A disputa entre europeus sobre a acolhida dos milhares de refugiados que chegam ao continente vindos principalmente da Síria, Iraque e no Afeganistão se intensificou nas últimas semanas.
Enquanto muitos países do leste europeu se negam a acolher imigrantes, nações como a Áustria introduzem um limite diário para a entrada de refugiados. A Alemanha reivindica uma solução europeia, que inclua uma redistribuição segundo quotas.
O chefe da Igreja Católica também classificou o cessar-fogo na Síria como uma faísca de esperança, que permite à população afetada experimentar um pouco de descanso. Francisco pediu que os fiéis rezem por um diálogo que possibilite a paz entre os lados em conflito.
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