Pedro Rios é abordado pela Guarda Municipal em frente à Globo mas greve de fome continua

6/2/2012 11:59,  Por Redação - do Rio de Janeiro, Paris e Berlim

Pedro Rios

Manifestante, em Paris, segura cartaz em apoio a Pedro Rios, em sua greve de fome contra os desmandos em Pinheirinho

Em seu nono dia na greve de fome que realiza em protesto contra a violência no Pinheirinho, assentamento invadido violentamente pela Polícia Militar paulista em São José dos Campos, Pedro Rios Leão acordou nesta segunda-feira sob o sol escaldante da Rua Von Martius, em frente à sede da TV Globo, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Na noite anterior, agentes da Guarda Municipal do Rio de Janeiro retiraram o toldo que amigos haviam levado para protegê-lo do tempo, ainda que precariamente. Desmobilizaram o grupo de apoio que o acompanhava na vigília por um país mais justo. Deixaram-no algemado à realidade do verão implacável, após mais uma noite insone, debilitado pela absoluta falta de alimento, cansado de enfrentar sozinho o silêncio da mídia conservadora. Engana-se, porém, a autoridade que deu o caso por encerrado. Pedro Rios seguirá em seu protesto até a manifestação dos Policiais Militares e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio, nesta quinta-feira, na Cinelândia.

“Pessoal, ontem a guarda municipal gentilmente atendeu a pedidos e chegou para nos remover. Depois de puxar cacetete, ameaçar muito nos agredir, resolveram só nos deixar ao relento. Se eu fosse preto e da Zona Norte (do Rio), eles não teriam sequer dado um ‘oi’. Na confusão perdi meu celular e algumas outras coisas. O acampamento ficou desbaratado e os ânimos devastados. No sol, e no pior ponto da greve, eu comecei a passar muito mal”, relatou, em sua página no Facebook.

Pedro Rios

A manifestação realizada em Paris, neste domingo, em apoio aos moradores de Pinheirinho e à greve de fome de Pedro Rios, foi vigiada pela polícia francesa

Pedro está agora abrigado em seu apartamento, em Botafogo, distante poucos quilômetros da sede do poder midiático ainda em vigor no país, contra o qual ele iniciou a sua cruzada. Simpatizantes chegam à toda hora para prestar a solidariedade devida a quem, em nome das 1,6 mil famílias injustiçadas por uma ação policial no Estado vizinho, segue em frente no sacrifício voluntário da fome. Em Paris, na tarde deste domingo, um grupo de brasileiros também rendeu homenagens aos moradores do Pinheirinho e a Pedro Rios.

Ainda no fim de semana, as embaixadas brasileiras na Argentina, França e Chile converteram-se em palco de manifestações contra os atos promovidos por governos do PSDB tanto na prefeitura de São José dos Campos quanto no governo do Estado de São Paulo. Por ordem dos políticos tucanos, ocorreu o despejo mais violento de que o país tem notícia nas últimas décadas, com mais de 6 mil pessoas sem ter para onde ir, abrigados em escola, igreja e ginásio de esportes.

Em frente à representação diplomática do Brasil na Alemanha, Argentina e França, estrangeiros e imigrantes brasileiros pediram justiça e manifestaram solidariedade aos desalojados sob cassetetes e tiros em Pinheirinho, no 22 de janeiro. No último sábado, apesar do frio polar, 50 manifestantes chamaram a atenção dos que passavam pela embaixada brasileira em Paris. Número equivalente de brasileiros residentes em Berlim também se manifestou em apoio aos moradores da comunidade sob o lema: Todos somos Pinheirinho, com faixas de apoio também à greve de fome de Pedro Rios.

Sob o mesmo lema, na Argentina, 30 pessoas pediram justiça para o caso enquanto caminhavam do Obelisco até a embaixada do Brasil na capital portenha. Trinta pessoas, também, com o mesmo objetivo se reuniram na Praça Los Heroes, sede da nossa representação diplomática no Chile. O registro de violência e autoritarismo do poder público, perpetrados em Pinheirinho no fim de janeiro, atravessou fronteiras. As imagens foram gravadas no calor da hora pelos próprios moradores e por líderes de movimentos sociais Ganharam mais visibilidade, ainda, quando a urbanista Raquel Rolnik, relatora das Nações Unidas para o direito à Habitação, denunciou a violação aos direitos humanos para o mundo.

“Quanto mais me batem, e quanto mais silêncio oficial, mais p. eu fico. Greve de fome: Dia 9 – 58 kgs”, conclui Pedro Rios, em sua mensagem aos brasileiros.


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6 Comentários para “Pedro Rios é abordado pela Guarda Municipal em frente à Globo mas greve de fome continua”

  1. Muriel

    Ok, mas como assim “abrigado” em seu próprio apartamento?

  2. José Augusto

    gostaria de lembrar que existe um outro estudante de psicologia na PUCPR Alysson Bordy em greve de fome junto com o Pedro

  3. José Ortiz Camargo Neto

    Pedro, parabéns pela resistência face à ação criminosa do poder contra o povo em Pinheirinho. Seu exemplo mostra aos mais velhos, como eu, que graças a Deus o idealismo da juventude continua vivo e atuante. Só que vou lhe dar um conselho: cesse a greve de fome, alimente-se bem, e lute contra as injustiças bem alimentado. Um jovem com sua visão e inteligência é muito precioso para ficar fraco diante do poder maligno. Leia o artigo que escrevi sobre essa barbaridade no meu blog: http://www.joseortizcamargoneto.blogspot.com e veja também o site da ANVIP – Agência Nacional de Vigilância do Poder http://www.anvip2011.blogspot.com
    Força na luta e no Ocupa Rio!

  4. Neidie Campos

    Faço minhas as palavras do Sr. Jose Ortiz! Na minha opinião, quem faz greve de fome é um fraco. É comodismo demais ficar sentado, algemado e morrendo aos poucos..melhor seria se Pedro Rios usasse sua energia prá pegar na enxada e fosse virar cimento e assentar tijolos prá ajudar construir casas p/os que ficaram desabrigados, enquanto a solução do governo não chega! “abrigado” num apartamento em Botafogo e com 58 quilinhos…quem não quer???

  5. Cecilia Braconnot

    Pedro, você é muito precioso para todos nós. Cuidado, é difícil saber o limite da sua resistência. Pare agora, às vezes precisamos recuar e mudar as estratégias para alcançar uma vitória maior. O que você fez foi de muito valor,
    quem teve toda esta coragem é forte o suficiente para aparentemente “recuar” e rever sua posição.
    Seja muito corajoso, se alimente, se fortaleça e esteja pronto para uma nova luta e você vai alcançar a vitória.
    Força e paz pra você!!
    Você vale muito, vivo entre nós!!

  6. malu ferreira

    Pedro,
    Eu posso entender perfeitamente o seu gesto pois fui uma vez apenas por enquanto a S José, no dia 2 de fevereiro e ainda não me recuperei do baque, nem consigo sentir fome. Tenho pesadelos todas as noites com aquelas pessoas, passando injustamente pelo que passam, numa situação tão humilhante e ultrajante.
    Quero parabenizá-lo e fico muito preocupada com a sua saúde. Não o desestimulo a continuar, mas peço que pelo menos ingira as substâncias necessárias para preservar a saúde.Uma pessoa como você é muito valiosa entre nós. Sei que o seu gesto deu forças a muitos no sentido de se solidarizarem de forma mais ativa por nossos irmãos. Somos mesmo todos Pinheirinho, todos temos direito a moradia e sei o quanto deve ter custado para aqueles trabalhadores erguerem suas casinhas, algumas de madeira outros de alvenaria. Cada pedaço da casa e do bairro, da comunidade, devia ter um valor imenso.Alguém explicou que a violência toda, além dos motivos já amplamente divulgados (que não justificam nada pois estão invertendo a situação, os que por baixo do pano se apropriaram da região, é qwue seriam os verdadeiros bandidos, e o Estado tinha de oferecer para eles o seu pedaço de terra por estar inativa há mais de 40 anos..etc) o principal motivo foi o medo de que outros repitam o belo exemplo de Pinheirinho. As pessoas com seu próprio esforço e cansados de esperar pelo poder público, construiram uma comunidade solidária, com jardins, cozinha comunitária…enfim…muita coisa necessária para poder viver de forma mais humana) e isso é totalmente inadimissível para a maioria dos paulistas, que tem horror de pobres e nordestinos ainda mais.
    Enfim..acho que falei o que já sabe e eu demoro a entender o quadro todo pois ainda não consigo acreditar o que pode motivar os seres humanos a serem tão crueis com o seu semelhante.
    Essa de tirarem o toldo que te protegia do sol mostra até onde pode ir isso. Uma amiga disse, ao saber que estão fazendo tudo para que os ex-habitantes do Pinheirinho deixem os abrigos, o mais urgente possivel : “Só falta agora fecharem mais ainda aquelas estufas e espalharem gaz letal!”

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