Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Partidos da direita têm menor proporção de jovens filiados

Podemos dizer, por exemplo, que dos 17 partidos que foram listados, os que em 2014 possuíam a menor proporção de filiados jovens em suas fileiras eram aqueles que se encontravam à direita do espectro político: PTB (1,6%), PMDB (1,6%), PP (1,6%) e DEM (1,4%).

Terça, 28 de Julho de 2015 às 09:31, por: CdB
Por Theófilo Rodrigues - do Rio de Janeiro
Algumas semanas atrás uma interessante matéria em um jornal do Rio trouxe dados sobre a recente queda nas filiações de jovens entre 16 e 24 anos nos partidos políticos brasileiros. A partir de uma comparação entre os números de filiação dos eleitores entre 2009 e 2015 das cinco maiores legendas - PMDB, PT, PP, PSDB e PDT – o jornal concluiu que os jovens reduziram seu interesse pelos partidos.
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Theófilo Rodrigues é cientista político e coordenador do Barão de Itararé/RJ
Não sei se por hobby, por ofício ou apenas vício fui em busca de mais informações sobre o assunto diretamente na fonte: o TSE. E qual foi minha surpresa? Quando reunidos, sistematizados e observados percebemos que aqueles montantes de números revelam muito mais do que trouxe a matéria. Podemos dizer, por exemplo, que dos 17 partidos que foram listados, os que em 2014 possuíam a menor proporção de filiados jovens em suas fileiras eram aqueles que se encontravam à direita do espectro político: PTB (1,6%), PMDB (1,6%), PP (1,6%) e DEM (1,4%). Por outro lado, o partido que possuía a maior proporção de jovens de 16 a 24 anos filiados era o PSOL – esquerda do espectro político - com 11,5%. No que diz respeito à redução do número de jovens filiados nos partidos políticos de 2009 para 2015 a matéria poderia ter mencionado um fato interessante: o PSOL foi o único que ampliou efetivamente o número de eleitores entre 16 e 24 anos em suas fileiras durante o período. Mesmo sob a forte influência da criminalização da política praticada por alguns setores do jornalismo brasileiro e do mau exemplo oferecido por certos políticos patrimonialistas que confundem o público com o privado, os jovens continuam buscando partidos políticos para se filiarem. O que os dados parecem indicar é que talvez esses jovens estejam preferindo outros partidos em vez dos tradicionais que ocupam o poder. O Podemos na Espanha, o Syriza na Grécia ou os comunistas no Japão parecem evidenciar isso. Até onde a vista alcança não haverá democracia sem partidos. A tarefa cidadã do momento consiste, portanto, em construí-los de forma significativa entre o sonho e a responsabilidade. Ou, como diria Gramsci, na linha tênue entre “o pessimismo da razão e o otimismo da vontade”. Theófilo Rodrigues é cientista político.
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