ONU: imagens confirmam destruição de templo na Síria
Imagens de satélite confirmaram a destruição do Templo de Bel, um dos edifícios mais preservados da Era Romana na cidade síria de Palmira, informou uma agência da Organização das Nações Unidas.
Por Redação, com Reuters - de Beirute/Paris:
Imagens de satélite confirmaram a destruição do Templo de Bel, um dos edifícios mais preservados da Era Romana na cidade síria de Palmira, informou uma agência da Organização das Nações Unidas, após ativistas dizerem que o grupo extremista Estado Islâmico tinha atingido o local.
Vista da cidade história de Palmira, na Síria
- Podemos confirmar a destruição do prédio principal do Templo de Bel, assim como uma série de colunas - informou o Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), sediado em Genebra.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo monitor e outros ativistas, informaram no domingo que o Estado Islâmico destruiu parte do templo de mais de 2 mil anos, um dos monumentos mais importantes de Palmira.
Palmira foi um dos centros culturais mais importantes do mundo, de acordo com a agência cultural Unesco, que descreveu como uma encruzilhada de diversas civilizações.
Informações de eventos dentro da cidade tem sido irregulares desde que militantes a tomaram das Forças do governo, em maio. Ativistas dizem que militantes estão monitorando de perto as comunicações dentro da cidade.
O Estado Islâmico declarou um califado no território tomado na Síria e Iraque e destruiu outros monumentos, que segundo o grupo são pagãos e sacrílegos.
Crime contra a civilização
A destruição pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico do templo de Bel, em Palmira, no deserto da Síria, “constitui um crime intolerável contra a civilização”, declarou nesta terça-feira a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova.
Num comunicado em que exprime “profunda angústia”, a responsável da Unesco assegurou, no entanto, que o “crime não apagará nunca 4.500 anos de história”.
Palmira, situada na província de Homs, no centro da Síria, é patrimônio da Humanidade e foi conquistada em maio pelo Estado Islâmico. O grupo já destruiu vários locais arqueológicos no Iraque, país vizinho da Síria.
- É fundamental explicar a história e o significado dos templos de Palmira. Quem quer que tenha visto Palmira guarda para sempre a recordação de uma cidade que carrega a dignidade de todo o povo sírio e encarna as mais altas aspirações da humanidade - indicou Bokova no comunicado, adiantando que cada um desses ataques exige que o patrimônio da humanidade seja cada vez mais divulgado.
- Face a este novo crime de guerra, a Unesco reafirma a determinação em prosseguir na proteção do que pode ser salvo, através de uma luta sem tréguas contra o tráfico de objetos culturais, da documentação e da criação de redes de milhares de especialistas, na Síria e no mundo, trabalhando para promover a transmissão deste património às gerações futuras - destacou a diretora-geral.
A ONU informou na segunda-feira que imagens obtidas por satélite confirmavam a destruição do templo de Bel, que o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) tinha anunciado antes.
Com sede em Londres, mas com uma vasta rede de militantes no terreno, o OSDH indicou que o grupo terrorista explodiu, no domingo, o interior do templo de Bel.
Ao comentar nesta terça-feira a difusão das imagens pela ONU, o diretor das Antiguidades da Síria, Maamoun Abdelkarim, afirmou que o templo de Bel é o “mais belo símbolo de toda a Síria”. “Perdemo-lo para sempre. Eles mataram Palmira”, adiantou.
Essa é a segunda ação de destruição do Estado Islâmico contra um templo de Palmira, depois de no dia 20 ter sido confirmado que os jihadistas detonaram explosivos colocados no templo de Baal Shamin, construído no ano 17 d.C.
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