Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Mujica observa com apreensão o governo de Maduro

O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, criticou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fazendo referência à troca de farpas

Quinta, 19 de Maio de 2016 às 11:09, por: CdB

Ex-presidente uruguaio critica líder venezuelano, afirmando que trocas de farpas não vão resolver crise. No mais recente episódio do país caribenho, mandatário acusou secretário-geral da OEA de pertencer à CIA

Por Redação, com DW - de Montevidéu:

O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, criticou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fazendo referência à troca de farpas entre o mandatário venezuelano e o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

– Tenho grande respeito por Maduro, mas isso não impede que eu lhe diga que está errado – disse Mujica à imprensa.

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O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, criticou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O ex-presidente uruguaio afirmou que Almagro "não é nenhum traidor nem funcionário da CIA", em defesa de seu ex-ministro do Exterior, a quem Maduro acusou de fazer parte da inteligência americana.

– Na Venezuela estão todos loucos. Todos dizem de tudo e assim não vão solucionar nada – prosseguiu o ex-mandatário. Para Mujica, o país caribenho precisa "tratar de resolver" sua crise econômica de alguma maneira, pois não se pode viver em meio à "porrada".

Desavença com a OEA

Maduro disse nesta terça-feira que Almagro é um "agente da CIA" em meio à campanha da oposição venezuelana para convocar um referendo para revogar o mandato do presidente.

Almagro, por sua vez, acusou Maduro de trair o próprio povo, afirmando que se o presidente impedir o referendo para revogar seu mandato, será "mais um ditador".

O secretário-geral da OEA estuda a possibilidade de ativar a Carta Democrática Interamericana (CDI) diante da grave situação na Venezuela. O governo venezuelano se opõe à medida, que considera uma interferência nos assuntos internos do país.

O artigo 20º da CDI autoriza a convocação de um Conselho Permanente quando em um Estado-membro houver "uma alteração da ordem constitucional que afete gravemente sua ordem democrática". Para que a medida seja implementada, são necessários 18 votos, que representam a maioria dos membros da OEA.

Protesto anti-Maduro

As forças de segurança da Venezuela usaram gás lacrimogêneo contra manifestantes em Caracas na quarta-feira, em meio a protestos em todo o país que pedem um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro.

No terceiro dia de protestos da oposição em uma semana, várias centenas de manifestantes se dirigiram ao centro da capital, com planos de marchar até a sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Mas soldados da Guarda Nacional e a polícia isolaram o quarteirão onde os manifestantes planejavam se reunir. A multidão seguiu, então, para as ruas próximas, agitando bandeiras e gritando slogans contra Maduro.

Cerca de cem manifestantes foram alvo de gás lacrimogêneo quando tentavam furar uma barreira policial, disseram testemunhas.

– Eles estão assustados. Os venezuelanos estão cansados, com fome – disse o manifestante Alfredo Gonzales, de 76 anos, que usava um cachecol cobrindo a boca e disse ter sido alvo de spray de pimenta.

O presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, que encabeçou a marcha ao lado do líder da oposição, Henrique Capriles, qualificou de "insólito" que, para solicitar um referendo que está na Constituição, os oposicionistas tenham que enfrentar uma barreira policial. "Estamos promovendo uma saída constitucional à crise", afirmou.

Uma manifestação anti-Maduro na quarta-feira da semana passada também acabou em violência, com tropas usando gás lacrimogêneo para conter pessoas que atiravam pedras. Um policial usou spray de pimenta contra Capriles.

Maduro, que venceu a eleição para suceder o falecido presidente Hugo Chávez em 2013, acusa Capriles e outros líderes da oposição de tentativa de golpe com a ajuda dos Estados Unidos.

Capitalizando o descontentamento popular pela crise econômica do país, a coalizão da oposição Mesa de Unidade Democrática (MUD) ganhou controle da Assembleia Nacional nas eleições de dezembro passado. Todas as medidas legislativas, no entanto, foram derrubadas pela suprema corte, que apoia o governo.

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