Mortes no trânsito crescem 4,6% em 2011; governo tem ação inédita

26/12/2011 13:54,  Por Vermelho

Um levantamento realizado pela Folha de S. Paulo, utilizando dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão federal, e da Polícia Rodoviária Federal, demonstrou que os acidentes nas estradas brasileiras custaram R$ 9,565 bilhões ao país, entre janeiro e agosto deste ano. No início deste mês, governo lançou ação conjunta inédita de redução de acidentes.

O que representa menos de 5% de crescimento em relação a 2010 (4,6% exatamente), descontada a inflação. O número representa, no entanto, uma perda de R$ 14,5 bilhões com acidentes nas estradas federais em 2011.

Foram 4.768 acidentes com mortes, 43.361 com feridos e 79.430 sem feridos nas estradas federais do país. Segundo pesquisadores do Ipea, cerca de 60% do prejuízo econômico de um acidente viário vêm de perda de produção: a pessoa que morre ou fica incapacitada e deixa de produzir.

Leia também:
Fetag-BA pede dignidade no campo, após morte de 35 trabalhadores
 

Os outros custos dos acidentes vêm de atendimento hospitalar, danos ao veículo, entre outros. Segundo o instituto federal, um acidente com morte custa, em média, R$ 567 mil.

O Brasil é signatário da resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabelece entre 2011 e 2020 a “Década de Ação para Segurança Viária”. Os signatários se comprometem a reduzir em 50% as mortes em acidentes em dez anos.

A Espanha estabeleceu um plano nacional e conseguiu diminuir em 57% as mortes nas estradas, em sete anos consecutivos de queda.

No Brasil, uma ação inédita do governo federal lançou, na segunda-feira (19), a Operação RodoVida com o objetivo de reduzir a gravidade dos acidentes de trânsito, a partir de ações integradas entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF), policias estaduais e agências de trânsito. Na operação estão previstas blitzen simultâneas nas BRs, rodovias estaduais ou vias municipais nas proximidades dos pontos críticos.

O foco estará no combate à embriaguez ao volante e na fiscalização de motocicletas. O primeiro por ser uma das principais causas de acidentes graves e o segundo por ser um veículo que vem se destacando em relação ao número de acidentes nos últimos anos – representa 22% da frota atualmente. Desde 2009 as mortes de motociclistas já superam as de pedestres (que antes dominavam as estatísticas). Em 2011, de janeiro a setembro, a PRF atendeu 25.437 acidentes com motociclistas, com 18.083 feridos leves, 8.166 feridos graves e 1621 óbitos.
O custo social dos acidentes nas rodovias federais este ano foi estimado em R$ 7,9 bilhões (considerando o período de janeiro a setembro).

Um levantamento realizado pela PRF demonstra que 60 trechos de dez quilômetros de extensão respondem por 22% dos acidentes mais graves atendidos pela corporação. É nesses 600 quilômetros de rodovias que as ações coordenadas pela PRF acontecerão até 27 de fevereiro de 2012.

O diagnóstico possibilitou a descoberta sobre uma característica comum a todos esses pontos: em todos existe a confluência de vias estaduais ou municipais para as rodovias federais. Por isso a ação simultânea nas rodovias e vias de acesso vai aumentar a segurança e propiciar a redução dos acidentes.

Segundo Ipea, as mortes nas vias brasileiras cresceram em média 7% ao ano desde 2004. Em 2010, foram mais de 40 mil – maior registro do Ministério da Saúde em ao menos 15 anos. O país tem o quinto maior número de mortes no trânsito do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atrás de Índia, China, EUA e Rússia.

O governo brasileiro propôs em maio um plano de redução de acidentes: Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito – Pacto pela Vida. A meta é estabilizar e reduzir o número de mortes e lesões em acidentes de transporte terrestre nos próximos dez anos.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, que publicou matéria hoje (26), um dos grandes problemas é que as estradas deixaram de ser eminentemente rurais e se tornaram urbanas, o que aumenta o fluxo de veículos, aumentando as chances de acidente.

Um exemplo recente de acidente de trânsito com vítimas fatais envolveu uma carreta, um caminhão e um ônibus, no dia 3 de dezembro, entre os municípios de Brejões e Milagres, na Bahia, na BR-116. Trinta e cinco trabalhadores rurais morreram. Eles voltavam do trabalho de corte de cana-de-açúcar, em Mato Grosso do Sul, para o estado de origem, Pernambuco, rever suas famílias. Outras 11 pessoas se feriram.

Valdison Monteiro de Santana, 20, estava entre os feridos. Ele perdeu o movimento das pernas e suas chances de voltar a andar quando deixar o hospital são de 10%. Uma de suas vértebras lombares foi esmagada pelas ferragens do ônibus em que viajava.

Dezesseis pessoas eram da mesma família. Eram primos e tios de Valdison que deixavam o interior de Buíque (287 km de Recife) todos os anos para ganhar cerca de R$ 1.000, ao mês, cortando cana entre março e novembro. “É o jeito que o povo daqui encontrou para sobreviver. Agora o que mais tem é viúva e órfão”, diz Sebastiana, 55, mãe de Valdison.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os indícios apontam que o acidente ocorreu por imprudência do motorista da carreta, que invadiu a pista em que o ônibus rodava. A polícia diz que o ônibus estava irregular e só trafegava graças a uma liminar da Justiça.

Com Folha de S. Paulo e agências


Matérias Relacionadas:

  1. ONU quer investigação independente sobre mortes na Síria
  2. Justiça do Mato Grosso do Sul emite condenação inédita por racismo contra indígenas
  3. Pedido de Gilmar Mendes atrasa ação por trabalho escravo no STF
  4. AAA 23 de Agosto de 2011 – 15h26 Petista assume prefeitura de Campinas
  5. Professor Olival Freire é um dos ganhadores do Prêmio Jabuti 2011




Compartilhe esta matéria:


Os comentários às matérias e artigos aqui publicados não são de responsabilidade do Correio do Brasil nem refletem a opinião do jornal.

Os comentários estão desabilitados!


Últimas buscas:
  1. IPEA MORTES TRÂNSITO
  2. volume de acidentes nas estradas federais em 2011


Edição Impressa


Edição de Ontem