Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Ministro alemão critica comportamento de imigrantes

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, afirmou que o grande número de refugiados não registrados é um problema grave no país. Em entrevista à emissora ZDF na noite de quinta-feira, ele também criticou o comportamento de alguns refugiados.

Sexta, 02 de Outubro de 2015 às 09:12, por: CdB
Por Redação, com DW - de Berlim: O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, afirmou que o grande número de refugiados não registrados é um problema grave no país. Em entrevista à emissora ZDF na noite de quinta-feira, ele também criticou o comportamento de alguns refugiados. – Até o verão europeu, os refugiados eram gratos por poderem estar entre nós. Eles perguntavam 'onde fica a polícia?', 'onde fica o departamento?', 'aonde devemos nos dirigir? –. Segundo o ministro, isso mudou.
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Thomas de Maizière reclama de transtornos causados pelos imigrantes nos centros de acolhimento Ele é um dos milhares de adolescentes que seguem a rota dos Bálcãs para chegar ao país europeu
– Agora já há muitos refugiados que pensam determinar eles mesmos onde vão ficar. Eles deixam os abrigos, eles chamam um táxi – e surpreendentemente têm o dinheiro para viajar centenas de quilômetros pela Alemanha. Eles protestam porque não gostam das acomodações, criam caso porque não apreciam a comida, eles brigam nos abrigos de refugiados – continuou o ministro. Apesar de ressalvar que esses problemas são causados por uma minoria, De Maizière afirmou que aqueles que chegam ao país devem ir para os locais para os quais forem enviados e respeitar as leis alemãs. O sindicato dos policiais alemães alertou para um aumento da violência nos centros de acolhimento de refugiados. O presidente da entidade, Rainer Wendt, afirmou ao jornal alemão Bild que a situação pode ficar fora de controle não apenas nas fronteiras, mas também nos abrigos. Ele afirma que quase diariamente há relatos de atritos por causa de diferenças étnicas ou religiosas. Área de trânsito nas fronteiras De Maizière também defendeu que haja um processo rápido para os requerentes de asilo nas fronteiras alemãs, a exemplo do que já acontece nos aeroportos. Nesta sexta-feira, um porta-voz do Ministério do Interior confirmou que um projeto de lei nesse sentido está em fase de elaboração. O projeto prevê a criação, nas fronteiras, de "áreas de trânsito", a exemplo das que existem nos aeroportos. Um requerente de asilo ficaria nessa área até ter o seu caso analisado. A medida visa principalmente os requerentes dos países dos Bálcãs, que têm poucas chances de conseguir asilo na Alemanha e cujos casos podem, assim, ser analisados rapidamente. A iniciativa do ministro foi alvo de críticas, inclusive de membros do Partido Social Democrata (SPD), que compõe a coalizão governista juntamente com a União Democrata Cristã (CDU), da chanceler federal Angela Merkel. O líder da bancada social-democrata, Ralf Stegner, declarou ao jornalTagesspiegel que tais propostas "não ajudam e apenas geram incertezas", e disse que o SPD rejeitará restrições ao direito fundamental de asilo. Autoridades do Estado da Baviera afirmaram que, só em setembro, entre 210 mil e 220 mil pessoas entraram na Alemanha em busca de asilo. O país espera receber no mínimo 800 mill refugiados até o final do ano. Alguns estimam que esse número poderá chegar a um milhão. Ateeq, a caminho da Alemanha
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A cena no parque em Belgrado, onde todos os dias centenas de refugiados se concentram, parece quase banal. O local, perto da estação central, é um dos pontos de parada na rota dos Bálcãs, e um grupo de jovens afegãos joga futebol num gramado cheio de lama. Entre eles está um rapaz magro com uma jaqueta vermelha. Ele ri e pula, como se não tivesse nada com que se preocupar. Mas a verdade é que Ateeq já passou por uma longa viagem até chegar a Sérvia. Alguns compatriotas tomam conta dele, e Ateeq teve muita sorte, pois na Macedônia conheceu Nasir, um rapaz que cuida dele como se fosse um irmão mais velho. – Meus pais estão no Afeganistão, lá sempre há combates e não conseguimos ir à escola. Então eles me mandaram embora, e agora estou aqui – explica Ateeq. Qual é a idade dele? Doze, talvez 13 anos, ele não sabe exatamente. Uma criança magra, que ainda não terminou sua fase de crescimento. Nasir relata o longo caminho que Ateeq já percorreu. "Ele foi do Afeganistão para o Paquistão. Em seguida, atravessou a fronteira com o Irã, depois continuou para a Turquia e a pé pelas montanhas até a Bulgária", explica. Lá, Ateeq e outros foram maltratados pela polícia. Finalmente chegaram a Belgrado. Uma viagem de cerca de 6 mil quilômetros pela Ásia Menor, percorrida de ônibus e, algumas vezes, a pé. Nasir vem de Cabul e tem cerca de 20 anos. Já a família de Ateeq mora fora da capital afegã. "Eles são agricultores pobres com um pedacinho de terra para plantar. Eles têm muitas crianças para alimentar e querem que ao menos um filho tenha chance de ter uma vida melhor", explica Nasir. Muitas pessoas temem que o Talebã possa lhes tirar os filhos. E Ateeq, teve medo? "Você tem que ser forte e lutar", responde o menino, com uma cara séria, porque "não se deve ter medo diante das dificuldades". É como se pudéssemos ouvir a voz de seu pai, que lhe disse em casa que ele agora tem que ser um homem. Nasir conta que Ateeq não gosta de admitir que alguns momentos da viagem foram agonizantes. Especialmente a caminhada através das florestas na Bulgária foi ruim e, anteriormente, o caminho pelo território iraniano. "Nós ligamos no caminho para seus pais, porque ele disse que não conseguia mais. Ele queria voltar, mas eles disseram que não, que deveríamos continuar levando ele conosco", relata Nasir. Voluntários construíram uma tenda no parque, onde os refugiados recebem sopa e pão com geleia. Para Ateeq, isso já é um banquete. "A comida aqui é realmente muito boa", afirma. Na longa jornada, por semanas, ele não tinha mais que biscoitos secos e água. Os olhos de Ateeq brilham ao contar que a sua comida preferida em casa é o pilao – arroz com carne de carneiro. Em Belgrado, o grupo de jovens afegãos descansou um dia numa das tendas que as organizações de ajuda humanitária montaram. Mas eles se preparam para prosseguir a viagem: ainda nesta noite, eles querem pegar um ônibus até a fronteira com a Croácia. Nasir ainda não sabe que terá que superar mais três fronteiras até chegar a Alemanha. Mas eles não se preocupam mais com o resto da viagem, pois o pior já passou. Todos desfazem suas mochilas, retirando as coisas de dentro dela, para depois arrumá-las novamente. Ateeq não tem mais do que uma camiseta limpa, um par de meias e um pacote de biscoitos. Do fundo de sua mochila ele pega um par de tênis brancos, ainda não usados, que seus pais embalaram para ele. Ele o guarda para a sua nova vida na Alemanha. Antes, o menino precisa urgentemente de um agasalho, porque as noites já estão ficando frias. Nasir leva o pequeno a um ônibus de uma organização de ajuda humanitária, onde roupas são distribuídas. Ateeq provavelmente não verá seus pais nos próximos anos. A família dele é muito pobre para ir à Europa. E ele não tem a mínima ideia do que o aguarda no seu destino final. "Eu quero ir à escola e aprender algo", diz. Esse é seu grande sonho. "Ele conhece a Alemanha pela televisão, e então seus pais pensaram que o país seria a coisa certa para ele", explica Nasir. De tempos em tempos, um rapaz do grupo empresta um celular para que o pequeno possa ligar para seus pais. Essa é a última ligação que ainda existe com a sua família. Quando a escuridão cai, os afegãos seguem em direção ao ponto de ônibus. A viagem custa somente 10 euros, o dinheiro para Ateeq foi, de alguma maneira, arranjado por seus companheiros durante a longa viagem. E depois, como será? Ateeq encolhe os ombros e olha para seus amigos mais velhos. "Eu também não sei o que vai acontecer, mas inshallah (se Deus quiser), eu vou levá-lo para a Alemanha", promete Nasir. Lá, outros decidirão sobre seu futuro.
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