Manifestantes do Movimento Resistência Popular (MRP), de luta pelo direito à moradia, ocuparam na madrugada desta sexta-feira o prédio abandonado do Torre Palace Hotel, no centro de Brasília. Segundo um dos coordenadores do movimento, Francinaldo Silva, cerca de 400 famílias estão no local.
Por Redação, com ABr - de Brasília:
Manifestantes do Movimento Resistência Popular (MRP), de luta pelo direito à moradia, ocuparam na madrugada desta sexta-feira o prédio abandonado do Torre Palace Hotel, no centro de Brasília. Segundo um dos coordenadores do movimento, Francinaldo Silva, cerca de 400 famílias estão no local.
Integrantes do Movimento Resistência Popular ocupam o prédio do Hotel Torre Palace
O grupo é o mesmo que no início de setembro ocupou, por seis dias, o Hotel Saint Peter. De lá, após negociação com o governo do Distrito Federal, eles foram levados para o Clube Primavera, em Taguatinga, a 40 minutos do centro da capital. Na última terça-feira, entretanto, a Subsecretaria da Ordem Pública e Social (Seops) e a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) fizeram a desocupação do clube.
– O governo apontou uma área, nos alojou com todo o aparelhamento público e, do nada, chegou e nos retirou alegando crime ambiental, dizendo que era Área de Proteção Permanente. Mas se isso tem um fundamento, o governo sabia, então por que nos mandou para lá? Até agora não nos explicaram – disse Francinaldo, contando que as famílias ficaram no clube por 29 dias.
Segundo o coordenador, o grupo tem alguns receios de ocupar o prédio abandonado, mas “o maior medo é que as famílias não tenham onde morar”. Ele disse que já estão tentando contato com o governo para encontrar uma solução para o problema.
– A pauta do movimento sempre foi a moradia, mas enquanto isso não for possível, que seja tomada alguma medida para suprir as necessidades das famílias. Se for um terreno para que elas se assentem provisoriamente, que seja legal, que não tenha problema judicial ou ambiental e que o governo também não crie um problema que não existe em cima da área – disse o coordenador.
À Agência Brasil entrou em contato e aguarda o posicionamento do governo do Distrito Federal.
O coronel Agrício da Silva, comandante do Departamento de Operações da Polícia Militar, informou que cerca de 120 pessoas estão ocupando o prédio. “A situação está tranquila, a polícia não está fazendo nenhum tipo de controle (no prédio abandonado), só está garantindo a segurança dos hotéis da região e o fluxo de trânsito na Via N1 [do Eixo Monumental], para que não seja bloqueada”, afirmou.
Segundo o coronel, no primeiro momento, eles chegaram a fazer o controle para que evitar acidentes no local, já que o prédio está depredado, as escadas estão expostas e não há proteção nas janelas. O hotel abandonado também é local de concentração de usuários de drogas.
Ocupação
Em setembro, manifestantes do Movimento Resistência Popular (MRP), de luta pelo direito à moradia, começaram a deixar o Hotel Saint Peter, no Centro de Brasília depois de chegarem a um acordo com o governo do Distrito Federal (GDF). O local estava ocupado desde o ultimo dia 14. Segundo líderes do movimento, mais de 400 famílias estavam no prédio.
As pessoas foram levadas em nove ônibus, cinco do GDF e quatro oferecidos pelo proprietário do hotel, para o Clube Primavera, em Taguatinga, a 40 minutos do centro da capital. O terreno está desocupado e pertence a uma das empresas do governo local. Quatro caminhões foram carregados com os objetos dos integrantes do movimento, como colchões e pertences pessoais.
– A ideia é irmos para este local e só sairmos de lá para as casas definitivas (prometidas pelo governo) – disse Edson Silva, um dos responsaveis pelo movimento. “Não era o que a gente queria. Queríamos ir direto para casas (definitivas), mas é um espaço legal. Foi o que deu para nós."
Responsável pelo movimento de desocupação, o major Hercules Freitas, coordenador da Subsecretaria de Ordem Pública, avaliou que a retirada foi dentro das previsões do órgão. “Tudo foi muito tranquilo e pacifico”, afirmou. O major acrescentou que outros dois caminhões foram a sede do sindicato do movimento pegar barracas que tinham sido retiradas do Setor Bancário Norte onde o grupo estava acampado antes de ocuparem o hotel. “Tínhamos retirado e deixado no sindicato. Hoje vamos tudo para o clube para as famílias montarem acampamento por lá”, disse.
O advogado do Hotel Saint Peter, Sérgio Roncador, acompanhou a desocupação. Segundo ele, a estratégia da defesa será levantar possíveis estragos provocados pelo movimento. “Tivemos a medida judicial para reintegrar o hotel. Agora vamos apurar o que de fato tem de prejuízo e, a partir daí, vamos buscar os responsáveis para ressarcir os proprietários. Tudo vai ser analisado com calma a partir da constatacao do dano para individualizer as responsabilidade”, afirmou.
Líderes do Movimento Resistência Popular negam terem provocado estragos no prédio. Segundo eles, o hotel estava em reforma e muitas coisas já estavam quebradas quando entraram no local. “Eles vão ter de provar que fomos nós que estragamos. Nada foi quebrado (pelo movimento)”, garantiu Edson Silva.
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