Lula reúne chefes de Estado e de Governo da Comunidade do Caribe

26/4/2010 9:05,  Redação

Pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na manhã desta segunda-feira, dez chefes de Estado e de Governo que compõem a Comunidade do Caribe (Caricom). Ao longo de todo o dia, a Cúpula Brasil-Caricom tratou de temas ligados aos relacionamentos bilaterais e regionais, principalmente a cooperação em áreas como a saúde, a agricultura, a educação, a formação profissional, o turismo e o meio ambiente.

Foi mantido na agenda, para o final do dia, o anúncio da criação de mecanismo para consultas políticas regulares entre o Brasil e os países-membros da Caricom. Está prevista ainda a criação de projetos de cooperação  entre o Brasil e a Caricom em favor do Haiti. Criada em 1973, a comunidade é integrada por Antígua e Barbuda, pelas Bahamas, por Barbados, Belize, Dominica, Granada, pela Guiana, pelo Haiti, pela Jamaica, por Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, pelo Suriname e por Trinidad e Tobago. O Brasil é membro observador desde 2006.

Participarão da cúpula, também na condição de observadores, diretores da Organização dos Estados do Caribe Oriental (Oeco), do Instituto Caribenho de Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola  (Cardi), da Associação Caribenha de Controle de Desastres (Cdema) e do Instituto Caribenho de Saúde Ambiental (Cehi). O intercâmbio comercial entre o Brasil e os países da Caricom passou de US$ 657 milhões em 2002 para cerca de US$ 5,2 bilhões, em 2008. Desse total, mais de US$ 4,4 bilhões corresponderam a exportações brasileiras. De janeiro a março de 2010, as trocas entre o Brasil e a comunidade somaram mais de US$ 1 bilhão.

Defesa de hidrelétrica

Ainda nesta manhã, durante o programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula saiu em defesa da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Para ele, deixar de lado o potencial hidrelétrico seria “um movimento insano”.

– Se o Brasil deixar de produzir isso para começar a utilizar termoelétrica a óleo diesel será um movimento insano contra toda a luta que nós estamos fazendo no mundo pela questão climática – afirmou.

O presidente criticou novamente os grupos contrários à construção da usina, lembrando que o projeto vem sendo discutido há 30 anos.

– Nós temos aí a indústria do apagão, pessoas que não querem que a gente construa a energia necessária porque querem que tenha um apagão para poder justificar o apagão de 2001 – disse, referindo-se à crise de oferta de energia ocorrida durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

Lula comparou os preços mínimos de megawatts/hora entre a energia gerada por hidrelétricas, mais barata, e a gerada por usinas eólicas e a gás, para justificar a importância da construção de Belo Monte. Também ressaltou que a área de alagamento será menor do que no projeto original, o que afetará menos áreas indígenas e comunidades ribeirinhas. Segundo Lula, o licenciamento ambiental prévio para a usina — ocorrido após cinco anos de estudos — foi o “melhor já ocorrido”.

– A energia hídrica ainda é a mais barata, o que nós precisamos é trabalhar com muito cuidado para fazer as hidrelétricas da forma mais cuidadosa possível, causar o menor impacto ambiental possível, e é por isso que eu estou muito feliz, porque depois de 30 anos, finalmente, Belo Monte vai sair – concluiu.

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