Lula cancela viagem ao G20 para cuidar de questões internas no país

25/6/2010 12:50,  Redação, com agências internacionais

O ministro Guido Mantega representará Lula

O ministro Guido Mantega
representará Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou a ida à reunião do G20 (grupo das maiores economias do mundo), em Toronto, no Canadá, nesta sexta-feira. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lula cancelou a viagem, marcada para esta tarde, para acompanhar de perto as medidas de ajuda aos desabrigados pela chuva em Alagoas e em Pernambuco, especialmente no município alagoano de Palmares, um dos mais atingidos.

– Ele me comunicou que não irá. Deseja ficar no Brasil acompanhando as medidas que têm sido tomadas em relação aos problemas das enchentes no nordeste – disse Celso Amorim ao sair do Palácio da Alvorada. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai representar o presidente Lula no encontro.

– São temas estritamente econômicos. O Mantega está mais do que capacitado a participar (das discussões) – comentou Amorim.

Caberá ao ministro aproveitar as reuniões do G20 para retomar a discussão sobre a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O formato da instituição é o mesmo do período pós-2ª Guerra Mundial. Recentemente, Celso Amorim disse que essa estrutura indicava uma  “situação escandalosa”. Com 65 anos, o Conselho de Segurança da ONU não sofreu alterações nesse período.

Para o Brasil, a estrutura que define cinco países como membros permanentes e dez como rotativos não representa o século XXI. Uma das propostas de mudança é que entre os integrantes permanentes fiquem dois países da Ásia, um da América Latina, outro do Leste Europeu e um da África. Pelo formato atual, ocupam assentos permanentes no Conselho de Segurança os Estados Unidos, a Rússia, China, França e Inglaterra. Nas vagas rotativas, cujo mandato é de dois anos, estão o Brasil, a Turquia, Bósnia Herzegovina, o Gabão, a Nigéria, Áustria, o Japão, México, Líbano e Uganda – estes países não têm poder de veto, apenas de voto em caso de votações relativas às sanções.

Ligado diretamente à ONU, o conselho tem o poder de autorizar a intervenção militar em qualquer país que integre a organização. Também tem poderes para estabelecer sanções, como ocorreu em relação ao Irã. Confrontos e crises políticas são avaliados pelo conselho, que determina se há necessidade de intervenções militares ou missões de paz das Nações Unidas.

No último dia 9, dos 15 países que integram o Conselho de Segurança, 12 votaram a favor das sanções. Somente o Brasil e a Turquia foram contrários às restrições. O Líbano se absteve da votação. Para parte da comunidade internacional, o programa nuclear iraniano é uma ameaça pois produziria de forma secreta armas atômicas.

Questão econômica

Mantega acompanha também os debates entre os líderes mundiais, que na véspera ainda tentavam manter o objetivo comum de assegurar a recuperação econômica das nações afetadas pela crise do capitalismo mundial, embora discordem entre eles sobre a melhor forma de atingi-lo. Às vésperas da cúpula do G20 em Toronto, eles tentaram amenizar as diferenças entre os Estados Unidos e a Europa sobre o momento de retirar as medidas de estímulo à economia e começar o aperto orçamentário.

– Esse é o equilíbrio delicado de que nós precisamos tentar conseguir neste fim de semana – disse o ministro das Finanças canadense, Jim Flaherty.

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, disse que cada país precisa decidir que composição de políticas econômicas faz sentido para garantir tanto o crescimento como a responsabilidade fiscal.

– Nosso trabalho é assegurar que todos estejamos lá juntos, concentrados nesse desafio de crescimento e confiança porque crescimento e confiança são fundamentais – disse Geithner em entrevista à agência britânica de notícias BBC World News America.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, afirmou que a Europa não pode suportar mais dívidas e gastos, e que o continente precisa consertar os orçamentos para reconstruir a confiança no crescimento.

– Não será uma mudança da noite para o dia, mas não há mais espaço para gastos com déficit – disse Barroso a jornalistas em Toronto.

Os Estados Unidos querem garantir que países europeus – em especial a Alemanha – não removam os auxílios governamentais à economia muito cedo, pois isso descarrilaria a recuperação.

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