Kunduz: ONU julga prematuro inquérito independente sobre ataque em hospital
A Organização das Nações Unidas declarou que vai aguardar os resultados das investigações da Otan e dos Estados Unidos sobre o bombardeio de um hospital em Kunduz, no Afeganistão , antes de iniciar seu próprio inquérito sobre o caso.
Por Redação, com DW - de Kunduz:
A Organização das Nações Unidas declarou que vai aguardar os resultados das investigações da Otan e dos Estados Unidos sobre o bombardeio de um hospital em Kunduz, no Afeganistão , antes de iniciar seu próprio inquérito sobre o caso.
Nações Unidas dizem que vão aguardar resultados das investigações da Otan e dos EUA antes de agir
A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) havia exigido uma investigação independente sobre o ataque que matou 22 pessoas no último sábado. Entretanto, o porta-voz da ONU Stephane Dujarric disse que ainda é cedo para dizer se essa medida será de fato necessária.
– Ainda estamos nos primeiros dias. Vamos aguardar para ver o que irá resultar das investigações oficiais dos EUA e da Otan e, possivelmente, dos afegãos – afirmou o porta-voz. "O que buscamos é uma investigação crível e transparente."
Investigações por tempo prolongado
O secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, lamentou a "trágica perda de vidas", mas disse que as investigações deverão ocorrer por um tempo prolongado. "A situação é bastante confusa e complicada por lá, mas nós iremos nos ater aos fatos e seremos transparentes ao compartilhá-los", declarou. O presidente n0rte-americano, Barack Obama, também prometeu que o incidente será investigado em sua totalidade.
O general norte-americano John Campbell admitiu que aeronaves militares de seu país teriam atacado o hospital, mas afirmou que estariam apenas respondendo a apelos de seus aliados afegãos que combatem o Talebã.
– O ataque aéreo foi pedido para eliminar a ameaça talebã, e vários civis foram acidentalmente atingidos – informou o general. No total, 12 membros do MSF morreram em razão dos bombardeios, além de dez pacientes, incluindo três crianças.
A MSF, que encerrou suas operações em Kunduz após o ataque , acusa os norte-americanos de não assumirem suas responsabilidades em relação ao ocorrido.
A organização considerou inadequada a justificativa norte-americana para o bombardeio ao hospital. Segundo a MSF, o edifício central do centro de saúde, que abrigava a unidade de tratamento intensivo e salas de emergência, foi atingido "repetidas vezes com muita precisão" a cada quinze minutos, durante uma hora, apesar de insistentes ligações telefônicas feitas pelo hospital aos comandantes militares.
O diretor geral da MSF, Christopher Stokes, apontou que versão dos norte-americanos sobre o ataque foi modificada diversas vezes, passando de "danos colaterais a um incidente trágico, e agora tentam repassar a responsabilidade ao governo afegão".
Crime de guerra
Stokes rebateu acusações de autoridades afegãs de que jihadistas utilizavam o hospital como posição de ataque a forças de segurança e a civis. Segundo ele, as declarações sugerem que as forças afegãs e norte-americanas decidiram atacar um hospital com mais de 180 profissionais e pacientes sob a alegação de que haveria talebãs no local.
– Isso implica numa admissão de crime de guerra, e contradiz totalmente as tentativas iniciais do governo norte-americano de minimizar o ataque ao considerá-lo um 'dano colateral' – acusou Stoke. "Sob a clara presunção de que um crime de guerra foi cometido, a MSF exige uma investigação total e transparente do incidente, a ser conduzida por um órgão internacional independente", reiterou.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, afirmou que, se for constatado em um tribunal que o ataque foi proposital, "isso pode ser considerado crime de guerra".
O presidente afegão, Ashraf Ghani, está sob forte pressão em razão do incidente, que gerou revolta no país em razão do relacionamento próximo do governo afegão com os EUA.
Políticos de oposição acusam Ghani de se omitir em relação ao ataque. O porta-voz da presidência condenou o incidente, mas ressaltou que "civis estavam sendo utilizados como escudo" no local.
Os EUA e o Afeganistão são signatários das Convenções de Genebra, que estabelecem as condutas em tempos de guerra e ocupação, e são obrigados a processar criminalmente quem comete violações graves dos tratados ou a entregá-los a outros Estados para que sejam julgados.
Médicos Sem Fronteiras
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou nesta terça-feira que está trabalhando com a suposição de que o bombardeio aéreo a um hospital da entidade na cidade afegã de Kunduz no fim de semana foi um "crime de guerra".
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ash Carter, prometeu uma investigação completa para determinar se o Exército norte-americano teve envolvimento no ataque ao hospital, em que 22 pessoas morreram, mas alertou que iria demorar para juntar informações.
Joanne Liu, presidente do MSF Internacional, disse em nota: "Comunicados do governo afegão informaram que forças do Taliban estavam usando o hospital para atirar contra forças da Aliança. Esses relatos implicam que forças afegãs e norte-americanas trabalhando juntas decidiram derrubar um hospital totalmente funcional, o que pode ser julgado como um crime de guerra".
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